quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Slow Science.org

Em analogia ao movimento Slow Food, criado como resposta aos efeitos padronizantes do fast food; ao ritmo frenético da vida atual; ao desaparecimento das tradições culinárias regionais; ao decrescente interesse das pessoas na sua alimentação, etc, surge o movimento Slow Science.

Leia o manifesto:

THE SLOW SCIENCE MANIFESTO
We are scientists. We don’t blog. We don’t twitter. We take our time.

Don’t get us wrong—we do say yes to the accelerated science of the early 21st century. We say yes to the constant flow of peer-review journal publications and their impact; we say yes to science blogs and media & PR necessities; we say yes to increasing specialization and diversification in all disciplines. We also say yes to research feeding back into health care and future prosperity. All of us are in this game, too.

However, we maintain that this cannot be all. Science needs time to think. Science needs time to read, and time to fail. Science does not always know what it might be at right now. Science develops unsteadi­ly, with jerky moves and un­predict­able leaps forward—at the same time, however, it creeps about on a very slow time scale, for which there must be room and to which justice must be done.

Slow science was pretty much the only science conceivable for hundreds of years; today, we argue, it deserves revival and needs protection. Society should give scientists the time they need, but more importantly, scientists must take their time.

We do need time to think. We do need time to digest. We do need time to mis­understand each other, especially when fostering lost dialogue between humanities and natural sciences. We cannot continuously tell you what our science means; what it will be good for; because we simply don’t know yet. Science needs time.

—Bear with us, while we think.



THE SLOW SCIENCE ACADEMY
Support the Academy and express your sympathy on Facebook. You can also download the slow science manifesto and information as a 2-page pdf here and post it round your institutions. Thank you.



(c) The Slow Science Academy, 2010




SLOW SCIENCE ACADEMY · BERLIN, GERMANY · ACADEMY@SLOW-SCIENCE.ORG

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Neutrófilos do pulmão ativam células T naive antígeno-específico durante a infecção por Mycobacterium tuberculosis

Post de Sarah Falcão (LIP-CPqGM/FIOCRUZ)

ResearchBlogging.org
A Mycobacterium tuberculosis infecta via inalação e reside em diversos fagócitos no pulmão onde usa diferentes estratégias tais como evitar a maturação do fagossomo e subverter as rotas de morte celular para poder sobreviver e replicar. A imunidade efetiva contra M. tuberculosis requer uma resposta Th1 CD4+ e linfócitos T CD8+. O pico de proliferação de células T ocorre 4 dias após a infecção, porém o combate das células CD4+ contra M. tuberculosis é retardado até 10-12 dias após a infecção por vias aéreas, dando tempo para a bactéria expandir-se.
Foi mostrado que os neutrófilos contribuem para a proteção inata contra a micobactéria. Entretanto, evidências que os PMNs exercem papel importante na modulação da imunidade adaptativa durante a infecção por M. tuberculosis não foram reportadas. Contudo, já foi observado que o pico do número de PMNs infectados precede ao pico do número de DCs infectadas. Como as DCs são importantes para ativar células T e, aparecem posteriormente aos neutrófilos, o objetivo deste trabalho é caracterizar o papel dos neutrófilos na iniciação da resposta imune adaptativa à M. tuberculosis.
Inicialmente, os PMNs foram depletados de camundongos C57BL/6 mas não houve redução da carga parasitária com 14 a 21 dias após a infecção. Além disso, houve um aumento do número de DCs, MØs e monócitos recrutados. Entretanto, a depleção de PMNs resultou na diminuição das células T CD69+ e na sua proliferação. Além disso, a ausência de PMN atrasou a migração de mDCs para o LN. Ao avaliarem a ativação de células T CD4+, não foi observada diferença quanto à secreção de IFN-g. Este resultado indica que a obtenção de antígenos de M. tuberculosis pelas DCs, através dos PMNs infectados, é tão eficiente quanto na infecção direta das DCs. Já que foi observado que a ausência de PMNs retarda a migração de DCs, a capacidade migratória das DCs foi investigada. Observou-se uma menor migração de DCs em resposta à quimiocina CCL19 e menor expressão de CCR7 (receptor de quimiocina) nas DCs diretamente infectadas do que nas DCs que continham PMNs infectados.
Neste trabalho pode-se concluir que PMNs infectados por M. tuberculosis liberam quimiocinas, que induzem aumento da expressão de CCR7 nas DCs, tornando-se aptas para migrarem para o LN, onde apresentam antígenos para células T, que são ativadas e passam a secretar IFN-g, citocina importante para o controle da infecção. Ou seja, neutrófilos contribuem para inicial ativação antígeno-específica de células T CD4+ pela cooperação com DCs no pulmão.

Blomgran R, & Ernst JD (2011). Lung neutrophils facilitate activation of naive antigen-specific CD4+ T cells during Mycobacterium tuberculosis infection. Journal of immunology (Baltimore, Md. : 1950), 186 (12), 7110-9 PMID: 21555529

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Você sabe elaborar questões de prova?

Li o texto abaixo no post Rebeldia no Morpheus. O título do texto “O barômetro” não chegava a ser muito atrativo. Confiei no discernimento do blogueiro Manellis, devia ser algo interessante. Ao ler o texto além da rebeldia do estudante, pensei nos vários ex-estudantes do laboratório que são professores. É bem verdade que pensei também em mim mesmo, tenho tomado o devido cuidado ao elaborar questões de provas?
O texto é um pouco longo (e poucos lêem post até o fim, aqui). Se você é professor, candidato a professor, um aluno brilhante ou candidato a aluno brilhante, DEVE ler o texto até o final.
“Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova de Meteorologia Física. Tratava-se de avaliar uma questão de física, que recebera nota 'zero'.
O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma 'conspiração do sistema' contra ele.
Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido. Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: 'Mostrar como se pode determinar a altura de um edifício alto com o auxilio de um barômetro'.
A resposta do estudante foi a seguinte: 'Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada; em seguida ice a corda e meça seu comprimento; este comprimento será igual à altura do edifício'. Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado.
Por instantes vacilei quanto ao veredicto. Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma classificação para um curso de Física, mas a resposta não confirmava isso.
Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder à questão. Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar o que eu imaginei seria um bom desafio.
Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão; isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria demonstrar, necessariamente, algum conhecimento de física.
Passados cinco minutos ele não havia escrito nada; apenas olhava pensativamente para o teto da sala.
Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor. Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse.
No momento seguinte ele escreveu esta resposta: 'Vá ao alto do edifício, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a Fórmula h = ½ gt2 calcule a altura do edifício'.
Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente nota máxima à prova.
Meu colega concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo...
Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram estas respostas.
Ah!, sim,' - disse ele - 'há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro'.
Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.
'Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício. Depois, usando uma simples regra de três, determina-se a altura do edifício'.
'Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas, ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas'.
'Um método mais sofisticado seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se 2gs, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença'.
'Finalmente', concluiu, 'se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer, diz-se: Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o Sr. me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente'.
A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta esperada para o Problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e a cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.
O estudante era Niels Bohr, o único dinamarquês que ganhou o Prêmio Nobel da Física em 1922 e o árbitro era Rutherford Prêmio Nobel de Química em 1910.”
Lembre da pergunta: 'Mostrar como se pode determinar a altura de um edifício alto com o auxilio de um barômetro'. Caso o enunciado fosse: 'Mostrar como se pode determinar a altura de um edifício alto utilizando medidas inerentes obtidas de um barômetro' tornaria a pergunta mais precisa e eliminaria algumas possibilidades de resposta.  Porém, pensando bem…. é possível fazer boas perguntas de prova para alunos como Bohr?
Ilustração obtida aqui.

sábado, 13 de agosto de 2011

Experimento Global sobre a Qualidade da Água



O folder anexo contém descrições da atividade ”pH do Planeta”, que é parte do Experimento Global que será realizado em todo o mundo durante o Ano Internacional da Química - AIQ 2011. Integra uma série de atividades e eventos propostos pela UNESCO e pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) para o AIQ 2011. No Brasil, as atividades estão sendo coordenadas e estimuladas pelas entidades representativas da química brasileira e apoiadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pelo MEC e outros órgãos de governo, por universidades e instituições de pesquisa e por várias FAPs e secretarias estaduais e municipais, dentro do lema: QUÍMICA PARA UM MUNDO MELHOR.
Este experimento faz parte de um conjunto de ideias e ações destinadas à melhoria da educação e da pesquisa em química (e em ciências) no país e é uma maneira de se contribuir para uma conscientização coletiva sobre importância da qualidade da água e para a preservação do planeta Terra.
Nesta atividade, os alunos irão coletar, auxiliados pelo professor, uma amostra de água proveniente de uma fonte natural local. Eles irão medir o pH da amostra, através da utilização de soluções indicadoras coloridas. Os valores médios provenientes dos resultados da turma deverão ser lançados no Banco de Dados Nacional do Experimento Global (Global Experiment Database), juntamente com informações sobre a amostra e a escola participante, através de um portal nacional de recebimento dos dados (portal QNInt da Sociedade Brasileira de Química aqui).
A SBQ e o MCT&I estão produzindo 25.000 kits deste experimento para as escolas públicas do país (especialmente para o ensino médio e para os últimos anos do ensino fundamental). A proposta é que o experimento seja realizado intensamente durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 17 a 23 de outubro (mais informações aqui), e também ao longo de todo o ano. Em São Paulo e Bahia, órgãos educacionais e instituições locais também estão produzindo kits para as escolas.
Solicito o favor de divulgarem o folder anexo (aqui para baixar o pdf) e o sites respectivos e de nos ajudarem a estimular a realização deste experimento planetário em pelo menos 1000 municípios brasileiros em 2011.
Obrigado e um abraço
Ildeu de Castro Moreira
Diretor - DEPDI/SECIS/MCT&I
Coordenador da Semana Nacional de CT

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Meta-analyses of Adverse Effects Data Derived from Randomised Controlled Trials as Compared to Observational Studies: Methodological Overview

Golder, S., Loke, Y., & Bland, M. (2011). Meta-analyses of Adverse Effects Data Derived from Randomised Controlled Trials as Compared to Observational Studies: Methodological Overview PLoS Medicine, 8 (5) DOI: 10.1371/journal.pmed.1001026

ResearchBlogging.org

Post de Maurício Cardeal


Ao Blog Sciencia Totum Circumit Orbem ancora una volta, grazie.


Do que trata o artigo

Revisões sistemáticas de efeitos adversos: ensaio clínico randomizado (ECR) versus estudos observacionais (coorte e caso-controle) (EO).

A estratégia usada

Realização de uma metanálise de metanálises. Hum … Finalmente chegamos a esse ponto ?!

A conclusão

Os autores não encontraram diferença em média no risco estimado de efeitos adversos oriundos de revisões sistemáticas realizadas em ECR do estimado a partir de EO.

A proposição

Revisões sistemáticas de efeitos adversos não devem ser restritas à um desenho de investigação.

Comentários
Ora, se penso em fazer uma metanálise, suponho que o tema ou já foi muito estudado e quero sumarizar efeitos, ou não foi, mas quero sumarizar efeitos assim mesmo. Mas fazer uma metanálise de metanálises só pode ser porque estou diante de um fenômeno de publicação de algum assunto científico em particular e quero sumarizar ainda mais tantas medidas sumárias que devem haver ! É como querer calcular uma média de muitas médias.

Há algo de errado nisso? Não. Quero dizer, assim dito de chofre, não. Afinal, como estou diante de uma miríade de medidas sumarizadas (uma para cada metanálise), e sou um ser que vive da síntese e para a síntese, é razoável, admissível, plausível e comportamental que precise ar¬rancar um número, um só e apenas um número supremo e enxuto para eu me sentir pleno na minha sintética maneira de ser.

Não estou preocupado aqui se o método para fazer uma metanálise de metanálises foi feito corretamente … quero dizer, estou interessado nis¬so também, mas parto do princípio de que ele foi empregado adequadamente.

Em se falando de efeitos adversos, os autores admitem que não confiam muito no top da evidência científica atual (metanálise de ECRs) e eu não discordo.

Um efeito adverso pode pipocar a qualquer momento nos estudos bem realizados, como um fazedor de surpresas, inesperado (esperado com receio e com muita torcida contra). É um “cortador de onda” da industria farmacêutica, é perseguido por vigilantes e sentinelas, e que na maioria das vezes transforma-se em má notícia para quem fabrica uma intervenção e para o usuário desta, mas de vez em quando vira boa notícia e motivo para novas pesquisas e novos tratamentos, e por isso todo cuidado é pouco. Não é novidade que a metodologia científica é confiável, mas só até o ponto da desconfortável relatividade/circularidade da dificuldade interna de lidar com os seus produtos que dependem de como foram medidos, do próprio método, e por isso, todo o cuidado é pouco também. Ah, Heidegger, tudo isso não é uma coisa só ?

Quando penso em efeito adverso, acredito que devo expandir a sua captação apesar do risco da obtenção de falso positivo e para isso preciso ser sensível no sentido duplo do termo. Mas será mesmo que devo juntar matematicamente resultados de desenhos de investigação diferentes ? Os autores me lembram de que os ECR possuem tempos protocolares pequenos e efeitos adversos imediatos podem surgir aí, mas os efeitos tardios, apenas outras estratégias poderiam detectá-los e os estudos observacionais seriam uma clara opção.

É razoável imaginar que as contribuições dos diversos formatos investigativos podem me passar uma ideia geral sobre efeitos adversos. Faço uma síntese que mais se parece com uma ampliação do problema (big picture). Não sou capaz de ter certeza matemática sobre o fato, porém me aproprio intuitivamente de alguma quantificação porque cada estudo quantifica possibilidades. Termino ficando então com possibilidades de ocorrência de efeitos adversos e isso não é boa coisa ao se preconizar uma intervenção (para quem intervêm e para quem a utiliza).

Essa dificuldade é algo próprio dos efeitos adversos, porque, são antes de tudo adversos efeitos, coisa complicada de se averiguar, mesmo quando há alguma expectativa ou antecipação de algum em particular. Depois, há uma forte ponderação subjetiva, há efeitos visivelmente observáveis, outros não, há efeitos visivelmente observáveis que são outra coisa e não um efeito adverso: há portanto, muitos confundidores. Mas eu não me intimido com isso, prefiro encarar como um desafio. O problema é que não sei se conseguirei financiamento para tais desafios de minha parte.

Bom, mas os autores foram além e tentaram responder à questão do uso de diferentes desenhos para a mensuração dos efeitos adversos através da estatística (matemática).

Recorreram à velha-nova teoria da probabilidade para decidir sobre a concordância entre os desenhos e disseram categoricamente que “In almost all instances, the estimates of harm obtained from meta-analyses of RCTs and observational studies had overlapping 95% confidence intervals.” Ora, isso é o que se faz, não é ? Quero dizer, quando os intervalos de confiança se sobrepõe significa que podemos aceitar com, no caso, 95 % de confiança de que não houve diferença entre as estimativas dos desenhos ou mais ou menos isso. Obtiveram ainda uma medida sumária da coisa: “The overall ROR from meta-analysis using the data from all the studies that compared RCTs with either cohort studies or case-control studies, or that grouped studies under the umbrella of “observational” studies was estimated to be 1.03 (95% CI 0.93–1.15) with moderate heterogeneity (I2 = 56%, 95% CI 38%–67%).” e concluíram sobre a não diferença das estratégias investigativas sobre efeitos adversos.

Fico olhando a razão de odds-ratios (ROR) com o seu valor 1,03, observo atentamente o forest plot apresentado no artigo e … ao contrário de me sentir tranquilo …

Percorro lentamente todo o artigo e questiono se ao fazer médias das médias mesmo que ponderadas não estaria também por causa disso obtendo uma ROR próxima a 1 ? Talvez não, porque se a maioria das metanálises esti¬vesse longe de 1, a medida sumária também estaria ! Para estar em torno de 1 seria preciso que ou todos os artigos originais não demostrassem diferença e consequentemente as metanálises originais não mostrariam diferença também e é claro a metanálise das metanálise só poderia produzir uma medida sumária próxima a 1 com baixíssima heterogeneidade ou, os artigos originais seriam contraditórios simetricamente, de modo que as metanálises originais não demostrariam diferença na medida sumária (mas apresentariam heterogeneidade) e consequentemente a metanálise das metanálises também resultaria em não diferença entre as metanálises com uma medida sumária próxima a 1, mas a heterogeneidade seria necessariamente menor do que as heterogeneidades das metanálises individuais devido ao efeito de homogenização do processo ! Então, só apareceria alguma diferença na metanálise das metanálises se houvesse uma forte assimetria nas metanálises originais. Mas não é isso que ocorre com as metanálises incluídas no artigo. Não percebo forte assimetria, mas uma simetria em torno de 1 a partir de resultados contraditórios das metanálises originais que aparecem na Figura 2 do artigo e reproduzida abaixo.



Figure 2. Meta-analysis of RORs from RCTs versus all observational studies.



Daí volto a me perguntar se a lista das metanálises originais já não me dá o quadro geral, realizar a metanálise das metanálises o que me acrescenta ? Entendo que é um número sintético … mas preciso mesmo dele nesse caso ? Volto a imaginar que haverá um tempo em que serão tantas as metanálises das metanálises que será preciso fazer uma metanálise das metanálises das metanálises para obter O número sumarizador ! Alguém vai ter que achar um nome para isso. O cachorro não estaria correndo atrás do rabo ? Talvez não houvesse mais rabo de tão encurtado que foi, mas o cachorro persistiria em correr atrás do membro fantasma !

Maurício Cardeal
Médico
Epidemiologista
Especialista em Estatística Aplicada
UFBA

Nota: Comentário escrito no BrOffice Writer do BrOffice 3.3.2
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