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domingo, 24 de janeiro de 2010

Vale a pena reduzir o sal da dieta?

Vale a pena reduzir 3 g de sal por dia na dieta? Em primeiro lugar, pouca gente deve ter idéia do que equivale a 3 g de sal na hora de preparar a comida. Equivalem, aproximadamente, a meia colher de chá. As receitas expressam as quantidades de colheres, mas imagino que cada pessoa enche a colher de uma maneira, mas vamos imaginar que todos medem corretamente a colher de chá (lógico que mais difícil ainda tingir uniformidade na meia de colher de chá).
Um estudo do New England Journal of Medicine (20.01.2010) prevê que se cada americano reduzisse 3g de sal diários na sua dieta haveria entre 60.000 e 120.000 menos novos casos de doença cardíaca coronoriana e até 99.000 novos infartos do miocárdio. Seriam entre 44.000 e 92.000 menos mortes por ano.
A metodologia do trabalho foi:
We used the Coronary Heart Disease (CHD) Policy Model to quantify the benefits of potentially achievable, population-wide reductions in dietary salt of up to 3 g per day (1200 mg of sodium per day). We estimated the rates and costs of cardiovascular disease in subgroups defined by age, sex, and race; compared the effects of salt reduction with those of other interventions intended to reduce the risk of cardiovascular disease; and determined the cost-effectiveness of salt reduction as compared with the treatment of hypertension with medications.
Temos que considerar que 3g de sal (de cozinha) equivalem a cerca de 1.200 mg de sódio. As atuais recomendações dietéticas nos EEUU são de no máximo 2.400 mg de sódio por dia para um adulto.
Os autores concluem que uma redução modesta do consumo de sal terá muito benefícios para a saúde. Um dos problemas é como tornar prática esta recomendação. Grande parte do sal da dieta não é adicionado na cozinha e sim já está contido na comida. Alguns alimentos, como carne e peixe, já contém naturalmente sal, em outros o sal é adicionado durante o preparo industrial.  A comida contém, sem adição extra, cerca de 10% do sal da nossa dieta, outros 15% são adicionados na cozinha e cerca de 75% o são pela indústria de alimentos.
A American Heart Association tem várias recomendações a respeito (não somente para o consumo de sal) que incluem atitudes e cuidados desde a compra dos ingredientes, o seu preparo e também para quando se come fora de casa. Estes folhetos estão disponíveis na internet. A Sociedade Brasileira de Cardiologia tem algumas recomendações e até algumas receitas.
Para se obter uma redução consistente no consumo de sal, além de uma reeducação alimentar e da alterações de práticas na cozinha doméstica, serão necessárias medidas da indústria de alimentos e dos restaurantes. Alguns países já implementaram controles mais restritos na indústria e os EEUU discutem algo nesta linha.



Bibbins-Domingo, K., Chertow, G., Coxson, P., Moran, A., Lightwood, J., Pletcher, M., & Goldman, L. (2010). Projected Effect of Dietary Salt Reductions on Future Cardiovascular Disease New England Journal of Medicine DOI: 10.1056/NEJMoa0907355
ResearchBlogging.org

domingo, 13 de dezembro de 2009

Cuidado, a metionina pode encurtar sua vida

O envelhecimento e sua relação com a dieta é um assunto recurrente neste blog. Já tivemos vários tópicos: Idade se vê na cara?, Envelhecimento e sirtuínas, Dieta de baixa caloria, Uma mulher admirável, Magrinhos tremei!, Dieta mediterrânea, A chocolate a day keeps the doctor away.

O conhecimento indicava que a restrição calórica aumenta a vida, em várias espécies, incluindo os macacos. No homem, os dados também sugeriam algo parecido, embora as conclusões sejam menos firmes. A restrição calórica retarda o aparecimento das enfermidades que se relacionam com a velhice. Na verdade doenças como diabetes, câncer e doenças neurogegenerativas parecem causar o envelhecimento. Uma dieta de fome retarda o aparecimento de todas elas. A triste alternativa parecia ser passar fome para ter uma vida saudável mais longa.

Um artigo da Nature do dia 02 de dezembro “Amino-acid imbalance explains extension of lifespan by dietary restriction…”(doi:10.1038/nature08619) contribui bastante para o entendimento da questão. É possível envelhecer bem sem passar fome. O segredo é um ajuste muito equilibrado dos aminoácidos essenciais.

“Adding essential amino acids to the dietary restriction condition increased fecundity and decreased lifespan, similar to the effects of full feeding, with other nutrients having little or no effect. However, methionine alone was necessary and sufficient to increase fecundity as much as did full feeding, but without reducing lifespan. … Lifespan was decreased by the addition of amino acids, with an interaction between methionine and other essential amino acids having a key role. Hence, an imbalance in dietary amino acids away from the ratio optimal for reproduction shortens lifespan during full feeding and limits fecundity during dietary restriction.”

A metionina aumenta a fecundidade, mas a combinação de metionina com outros aminoácidos essenciais encurta a vida. O estudo foi feito na Drosophila, a mosca de fruta, mas os mecanismos que regulam a longevidade estão conservados desde os invertebrados até os mamíferos. Assim, é bastante possível que algo semelhante ocorra no homem. O tipo de proteína consumida seria muito importante para obter um balanço equilibrado de aminoácidos essenciais.

Qual seria uma dieta pobre em metionina, ou normal em metionina e baixa nos outros aminoácidos essenciais? O balanço é complexo. A composição de proteínas dos alimentos varia muito e a composição de aminoácidos também é muito variável entre as proteínas.

Um pouco mais fácil é saber onde há muita metionina: carnes, peixes, castanha do Pará, sementes de sésamo e germén de trigo, por exemplo.

O que fazer? Também não sei, mas parece que comer menos e principalmente menos metionina pode ajudar. O Daily Telegraph parece já saber: “A vegetarian diet could be the key to a long life,” ... extreme diets “just above malnutrition levels” might add an extra 25 years to UK life expectancy.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Dieta mediterrânea, esta é a escolha!

Manellis divulgou há pouco um interessante estudo do British Medical Journal sobre dieta. “O estudo clipado e com o link para o texto completo em pdf que coloquei abaixo é um dos maiores já feitos recentemente; propõe um escore de mediterraneidade dietética e o associa à longevidade.
Vale a pena conferir e meditar sobre seus hábitos.
Afinal, se vc privilegia a qualidade do combustível do seu carro, por que não prestar mais atenção ao que come e bebe?” veja no
Morpheus.


Vou cuidar melhor do meu combustível. Ainda bem que a tecnologia flex já está disponível.