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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Academia Brasileira de Ciências registra o Simpósio realizado na Bahia


Regional Nordeste promove Simpósio na Bahia

Divulgado no site da ABC.
30/03/2010

A Vice-Presidência Regional do Nordeste organizou um Simpósio no dia 8 de março, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), com Membros Afiliados da ABC e palestrantes convidados. O evento foi coordenado pelo Acadêmico Jailson Bittencourt de Andrade, com a colaboração dos Acadêmicos Aldina Barral, Manoel BarralEdgar CarvalhoAroldo Misi e Ana Maria Giulietti.

Manoel Barral, Aldina Barral, Jacob Palis e Jailson de Andrade

Na mesa da cerimônia de abertura estavam Jailson de Andrade, o presidente da ABC Jacob Palis , o reitor da UFBA Naomar Monteiro, o diretor de Inovação da Fapesb Elias Ramos e o diretor da Escola Politécnica da UFBA, Luiz Edmundo Campos.

Jailson Bittencourt, Jacob Palis , Naomar Monteiro, Elias Ramos e Luiz Edmundo Campos

Jailson abriu o evento destacando a criação das seis Vice-Presidências Regionais da ABC, criadas em 2007 pela Diretoria eleita junto com o presidente Jacob Palis. Esclareceu que cada uma delas está organizando seus Simpósios em todo o Brasil, e que a Regional Nordeste havia dividido seu evento em duas etapas. "Hoje serão abordadas aqui as áreas das Ciências Biológicas, da Saúde e Química. Amanhã, em Recife, serão contempladas as áreas das Ciências Matemáticas, Físicas e as Geociências. E como a Bahia sempre inova, convidamos para abrir o Simpósio um expressivo filósofo da nossa Universidade". Ele justificou a ausência do Vice-Presidente Regional, Cid B. de Araújo, por estar ocupado exatamente com a organização do evento do dia seguinte, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), quando os novos Membros Afiliados serão titulados.

O reitor destacou sua satisfação com o crescimento da Ciência no país e especialmente na UFBA. "Tínhamos 17 doutorados em 2004, hoje temos 42. O volume de artigos com inscrição na Web of Science passou de 150 em 2003 para 460 em 2009". Reconheceu e agradeceu, ainda,  a parceria profícua com a ABC que vem ocorrendo nos últimos anos.

O presidente da ABC cumprimentou a todos e agradeceu o empenho dos Acadêmicos da Bahia na organização do evento, já o terceiro a que compareceu nesses últimos meses. Ressaltou a contribuição da Ciência da Bahia ao país, evidenciando a recente criação de um doutorado em Matemática - a sua área -, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

Palis comentou que apresentou ao reitor da UFBA e ao diretor de Inovação da Fapesba a proposta de organização, ainda esse ano, de um Simpósio Academia-Empresa na Bahia. O primeiro evento desse tipo será realizado no Rio de Janeiro nos dias 24 e 25 de março, e a ABC está buscando reproduzi-lo em todo o país, com empresas de cada região. O presidente explicou que a idéia "é estimular a comunicação entre os cientistas e as empresas, visando ao maior aproveitamento da inteligência brasileira na indústria. Esse, claramente, é o caminho que levará à ampliação da pesquisa e desenvolvimento no setor produtivo e, consequentemente, à inovação no Brasil."

Wittgenstein e os limites do significativo
O primeiro palestrante convidado foi o diretor da Faculdade de Filosofia da UFBA, João Carlos Salles. Para ele, a filosofia não é um conjunto de frases edificantes, mas trabalha sobre as condições da significação. "Há um jogo e o filósofo faz as regras. O cientista faz experimentos e o filósofo busca entender o que significa experiência para o cientista, busca o sentido". Salles apontou que com Descartes, a metafísica deu lugar à epistemologia. "Do sujeito, o centro passa a ser a lógica, a linguagem."

Sua palestra tratou de modalidades lógicas e experiência, partindo do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein (1889-1951). Salles falou do programa de investigação que Wittgenstein montou, composto pelos Tractados que demonstravam como fazer uma determinação definitiva dos limites do significativo, separando o que pode ser dito, que seria o campo da Ciência, daquilo que não pode ser dito e que é relevante, que está no campo da filosofia e da ética. "O importante, para mim, é mostrar a dissolução desse programa de investigação, que é o que Wittgenstein faz na segunda parte de sua obra. Ele começa a mostrar que as determinações do que é necessário, do que é possível e do que é existente não são definitivas", explicou Salles.

Padrões espaciais da assembléias bentônicas nos estuários da Baia de Todos os Santos
O oceanógrafo da UFBA Francisco Barros apresentou seu trabalho sobre
assembléias bentônicas em ambientes estuarinos, ou seja, grupos de animais invertebrados que vivem no fundo de estuários, ambientes onde ocorre o encontro da água doce com a água salgada. "São ambientes que no mundo inteiro são bastante impactados pela ação do homem".

Barros abordou especialmente os estuários da Baía de Todos os Santos, onde
identificou e estudou os padrões de distribuição das espécies mais
abundantes e mais frequentes de invertebrados bentônicos. Seu grupo vem buscando entender os fatores entrópicos que podem influenciar na estrutura dessas assembléias, visando partir para modelos preditivos, em colaboração com matemáticos e físicos. "A ideia é conseguir prever as consequências das ações humanas, saber o que aconteceria se um estuário fosse dragado, o que ocorreria se houvesse um aumento de temperatura anormal, e assim por diante."

Em busca de novos fármacos

A médica veterinária e neurocientista do Instituto de Ciências da Saúde da UFBA, Silvia Lima Costa, apresentou resultados do Laboratório de Neuroquímica e Biologia Celular, composto atualmente por mais de 35 pesquisadores e estudantes de pós-graduação. O grupo busca o desenvolvimento de novos fármacos em todas as suas linhas de pesquisa.
Na ocasião, Silvia apresentou resultados sobre a ação de flavonóides extraídos de plantas regionais, sob uma orientação etnofarmacológica. "Essas drogas foram estudadas porque as plantas de onde provieram são usadas na medicina popular", explicou a pesquisadora. Com a colaboração de pesquisadores das áreas de Farmácia e de Química, que obtiveram esses flavonóides, os testaram como agentes antitumorais e como regeneradores ou diferenciadores, numa perspectiva terapêutica para tumores cerebrais ou para regeneração de neurônios. Ela explicou que a célula tumoral é desdiferenciada, e sob a ação de um fármaco agente diferenciador ela pode ou morrer por morte programada, ou parar de proliferar e diferenciar, o que seria ideal para um tratamento antitumoral. "As células que sobreviverem tem um fenótipo normal, diferenciado. Essa é uma terapia inovadora e temos resultados muito interessantes".

Além disso, o grupo vem trabalhado com células precursoras de córtex de rato, e em colaboração com o Acadêmico Stevens Rehen, da UFRJ, com precursores de células-tronco de camundongos embrionárias, visando verificar o potencial dessas drogas em induzir a maturação de neurônios e mesmo aumentar a população de neurônios, já em uma perspectiva de terapia de regeneração.

Anemia falciforme: doença de grande incidência na Bahia

Marilda Gonçalves, pesquisadora da Fiocruz e professora da Faculdade de Farmácia da UFBA, falou sobre alguns biomarcadores de prognóstico na anemia falciforme uma doença genética autossômica recessiva que tem uma incidência muito elevada no Brasil, principalmente no Estado da Bahia. Os pacientes costumam apresentar um processo inflamatório crônico, percebidos no acompanhamento desses indivíduos com marcadores laboratoriais comuns mas que têm um valor prognóstico importante, como o leucograma, que é um exame de rotina, e as dosagens de colesterol, que estão associadas à inflamação.

Os portadores da anemia falciforme apresentam também um processo de oclusão das veias que provocam crises de dor muito intensas. É uma patologia muito complexa que envolve várias sintomatologias clínicas. Vários órgãos são envolvidos nessa patogênese da doença e o paciente realmente tem uma qualidade de vida muito baixa. Marilda estuda os diferentes marcadores exatamente porque existe uma heterogeneidade clínica muito grande entre os pacientes, apesar da origem da doença ser a mesma. "Hoje, existe a tentativa de se subfenotipar esses pacientes, isto é, identificar tipos de pacientes que têm doenças de prognósticos diferentes, em função dos marcadores que eles apresentam."

Estudando a imunidade nata na leishmaniose
A biomédica da Fiocruz e professora da UFBA, Claudia Brodskyn, procura entender os mecanismos da imunopatogênese na leishmaniose. Ela explicou que existem dois tipos de imunidade: a adaptativa, que é bastante estudada, e a imunidade inata. Seu grupo estuda atualmente a imunidade inata, especialmente os neutrófilos. "As Leishmanias vivem dentro de outra célula, chamadas macrófagos, e a interação entre esse tipo celular macrófago e o neutrófilo parece ser muito importante no início da infecção."
Claudia observou que essa interação leva a reforços inflamatórios que, por um lado, podem diminuir a quantidade de parasitas e com isso levar a uma proteção posterior mas, por outro lado, pode também levar a um processo inflamatório bastante intenso, responsável pela lesão cutânea. "Estamos procurando entender um pouco dos mecanismos dessas interações, principalmente no modelo humano, que tem poucas referências a esse respeito."

Evolução das energias renováveis: o biodiesel
O engenheiro Ednildo Andrade Torres, pesquisador do Laboratório de Energia e Gás da Escola Politécnica da UFBA, apresentou sua visão da questão energética, focando principalmente as energias renováveis, entre elas o biodiesel.

Torres esclareceu que o uso do biodiesel tem relação tanto com a questão ambiental como com a econômica. Compartilhou com os presentes um pouco de sua trajetória ao longo desses trinta anos, em que se ocupou de transformar ciência em tecnologia, sempre voltado para a questão energética. "Desenvolvi diversos produtos, entre eles biodigestores, e processos como a mudança da fonte energética de indústrias, passando da petroquímica para outras mais sustentáveis."
O professor apresentou três patentes que desenvolveu com seu grupo: uma de um software e outra de energia solar, voltada para a questão energética e social. Mostrou a implantação de energia solar realizada por seu grupo numa creche que atende a 200 crianças e numa igreja que cuida de aidéticos, prostitutas e outras pessoas marginalizadas. "Isso não é ciência, mas é a tecnologia ajudando o social". Falou também da patente de uma técnica para extração de mel de abelha sem ferrão. "No Brasil existem muitas dessas abelhas e seu mel costuma ser desprezado ou consumido de forma fermentada. Nossa técnica extrai esse mel e possibilita ao pequeno agricultor melhorar o seu produto e, consequentemente, vendê-lo melhor."
Torres também atua no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Energia Ambiente e no Centro Interdisciplinar de Energia Ambiente, espaços que estão em processo de construção da estrutura física, laboratorial e de treinamento de recursos humanos, em nível de doutorado.

Aplicações para nanoestruturas de carbono

O professor do Instituto de Física da UFBA Roberto Rivelino, indicado para Membro Afiliado da ABC no período de 2007 a 2012, falou de algumas aplicações de nanoestruturas de carbono. Apresentou inicialmente um breve histórico dos trabalhos que identificaram essas estruturas, focando as mais conhecidas, que são as do diamante e do grafite.

Rivelino mostrou, em imagens microscópicas, folhas muito finas originadas do grafite que podem ser dobradas, dando origem a tubos; podem ser recortadas e enroladas, gerando esferóides. "Estendidas, elas têm propriedades muito distintas das que a gente conhece."
A folha é uma membrana bidimensional que pode ser utilizada para separar dois líquidos, sejam eles iguais ou diferentes. "Podemos colocar água de um lado, água do outro e, fazendo modificações em um lado em relação ao outro, perceber e quantificar as variações das propriedades. Esse processo pode levar a resultados bem interessantes, de estruturação de líquidos, de cristalização de materiais etc.", exemplificou Rivelino.

Outra aplicação diz respeito à solubilidade das nanoestruturas. "A energia livre dessas nanoestruturas pode aumentar em até 100 vezes se dopada com determinadas substâncias. Procuramos determinar teoricamente a estabilidade, a energia de hidratação desse sistema de solubilização e as suas propriedades eletrônicas, interessantes para o desenvolvimento de dispositivos. Estamos investigando também as propriedades eletrônicas e de transporte de fios carbônicos muito finos. Essas são algumas das aplicações nas quais estamos trabalhando", concluiu o físico.

Contribuição para técnicas espectrométricas de análise de amostras
O químico da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Valfredo Azevedo Lemos, foi indicado para Membro Afiliado da ABC no período de 2008 a 2011. Suas pesquisas atuais estão voltadas para o aumento de sensibilidade de técnicas espectrométricas, especialmente para a espectrometria de absorção atômica com chama com atomização eletrotérmica.

"Alguns tipos de amostras, como alimentos, apresentam teores de elementos, que não são facilmente detectáveis. O equipamento que estamos desenvolvendo vai ajudar na análise  de amostras de alimentos, de fluidos biológicos, ambientais, como água, que são de interesse das mais variadas áreas", explicou o pesquisador. Seu grupo partiu de tubos de quartzo ou de aço e estão estudando ainda diferentes materiais. "Esse material vai prender o vapor atômico na direção do feixe ótico, auxiliando em um aumento na sensibilidade da técnica.

Compostos detetores de radiações infravermelha

A professora de Química da UFBA Luciana Almeida Silva é uma das mais novas afiliadas da ABC, indicada em 2009. Ela falou sobre os compostos em que trabalhou para sua tese de doutorado. "Embora eu já tenha mudado o foco de minha linha de pesquisa, essa é uma boa oportunidade para se falar sobre esse tema, porque estamos publicando um artigo que deve sair nos próximos números do Journal of Chemical Education, que é a proposição de uma disciplina experimental utilizando os conhecimentos adquiridos durante o período de doutorado e logo após", destacou a pesquisadora.

Luciana resumiu os fundamentos e aplicações dessa série de compostos - os sulfitos duplos de valência mista. "Esses compostos podem ser utilizados como semicondutores de banda estreita, o que significa que usam energia baixa para serem ativados e podem ser aplicados como detetores de radiações infravermelhas. Então, têm uma aplicação tecnológica interessante", explicou. Além disso, um desses compostos pode ser usado como um filtro ótico, por ser capaz de selecionar uma faixa do espectro muito estreita, a luz vermelha. Seu grupo já depositou uma patente para uso desse material como filtro ótico específico para passagem de luz vermelha. Portanto, além do interesse acadêmico, que explora a parte conceitual, o grupo está explorando possibilidades de aplicação tecnológica.
Todas as matérias deste site podem ser reproduzidas, desde que citada a fonte.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Midia e Meningite


Texto de Edson Miranda, recebido via Vitor Sarno.
Dados do Ministério da Saúde apontam que sete estados tiveram incidência de meningite meningocócica em 2009 maior que 1 caso para cada 100.00 habitantes. A maior incidência foi registrada no estado de São Paulo, com 2,8 casos por 100.000 habitantes. No Distrito Federal os números apontam 2,1 casos por 100.000 habitantes, seguido pelo Amazonas com 1,8 e Rio de Janeiro com 1,4. No estado de Goiás a incidência é de 1,2 casos por 100.000 habitantes. A taxa na Bahia registra 1,1 casos por 100.000, o mesmo do Rio Grande do Norte.

Mesmo sem liderar o ranking de incidência da doença, o governo da Bahia adotou a decisão inédita de investir cerca de R$30milhões para vacinar sua população na faixa etária de até 5 anos de idade, buscando com isso minimizar a capacidade de transmissão do meningococo C no nosso estado. E ainda esse ano, o Ministério da Saúde deve introduzir no calendário a vacina contra o pneumococo, uma forma mais grave e letal de ocorrência de meningite.


Nota-se com isso que diferenciado na Bahia foi a atitude determinada do governo baiano na compra da vacina e não a ocorrência da doença que tem amplitude nacional. Entretanto, percebe-se que parte da midia da Bahia tem adotado uma atitude no sentido de hiperdimensionar o problema da doença no nosso estado, particularmente ao tentar, com dados muitas vezes mal apurados ou mesmo desinformação, estender o tema na sua agenda e, consequentemente, na agenda da política; diferentemente do comportamento da midia do sudeste do país em relação à incidência da doença nos estados da sua região. Taí um bom caso para estudos.

DIREÇÃO DO HOSPITAL COUTO MAIA ESCLARECE SOBRE OS CASOS DE MENINGITES


Nos últimos dias, a população baiana foi informada através dos veículos de comunicação, sobre o total de pacientes internados no Hospital Couto Maia (HCM), com o quadro de meningite. Esta informação, apesar das ressalvas existentes nas diversas matérias jornalísticas, terminou por ocasionar um ruído de comunicação e levando as pessoas a imaginar que o total destas internações foi motivado, especificamente, pela meningite meningocócica C.
Este fato, levou a direção do HCM a emitir esta nota de esclarecimento, na tentativa de corrigir as interpretações equivocadas da referida informação e restabelecer a exatidão das informações prestadas, evitando o pânico na população.
Desta forma, informamos que nesta sexta-feira, no HCM existem 25 pacientes internados por vários tipos de meningites, deste total, quatro pacientes por meningite meningocócica C, sendo três procedentes de Salvador e um do município de Tancredo Neves. A diretora Geral da unidade, Ceuci Nunes, esclarece que o número de internações registradas na unidade não apresenta alteração acentuada, "as ocorrências registradas estão dentro da média histórica da doença e esse tipo de ruído acaba ocasionando na população uma sensação de pânico que precisa ser evitada". Os internados no HCM por meningites apresentam a seguinte distribuição por agente causador: viral (7); meningocócica C (4); fúngica (3); demais bactérias (11).
A direção da unidade também informa que o HCM é referência na Bahia e que recebe pacientes de todos os municípios baianos. Das 25 pessoas internadas, 11 procedentes de cidades do interior e 14 de Salvador, admitidos no hospital nos meses de fevereiro e março. Sobre as afirmações da existência de um surto da doença na Bahia, Ceuci Nunes descarta veementemente, "não existi nenhum critério que dê sustentação a esta informação", afirmou a infectologista.
Ascom - Sesab

sábado, 19 de dezembro de 2009

Mudança na direção da FAPESB

Este post foi divulgado 26.11.2009 em

http://web.me.com/mbarralnetto/LIMI/Blog/Entries/2009/11/26_Mudança_da_direção_da_FAPESB.html

Em dezembro, foi também substituído o Prof. Robert Verhine.


Havíamos informado em post anterior que a direção da FAPESB estava mantida, mesmo com a mudança de Secretário de C&T na Bahia. Vários segmentos da comunidade científica haviam expressado, ao governo, o desejo na manutenção da direção da FAPESB. Isto se devia ao trabalho sério, dedicado e competente realizado por Dora Rosa e sua equipe.

Apesar do desejo da comunidade, Dora foi substituída. Não conhecemos o novo diretor (veja abaixo o seu perfil, divulgado pela FAPESB), pelo que seria precipitado e pouco responsável falar sobre expectativas do seu trabalho. Adicionalmente, este texto não pretende analisar pessoas e cargos. Gostaríamos de tratar sobre o processo de escolha da direção da agência estadual de fomento à C&T.

Alterar a direção de uma agência de fomento no último ano de governo só se explicaria pelo insuficiente desempenho da sua direção. Este não era o caso da FAPESB, por qualquer critério que se analise. Os editais e seus julgamentos demonstravam uma atuação bastante profícua. As parcerias com órgãos federais se consolidaram, o aumento do volume de recursos dedicados ao PRONEX, é um exemplo disto. O funcionamento das câmaras técnicas foi aperfeiçoado. Não sendo a substituição motivada por razões técnicas, qual é a sua causa?

A alteração se deu por razões políticas. As razões políticas são legítimas, uma agência de fomento à C&T não está à margem da política. O problema é que C&T devem se inserir numa política de Estado e não numa política de governo. Pela primeira vez na pequena história da FAPESB, o seu cargo foi clara e explicitamente entregue à escolha de um partido político. Independente de partidos e nomes, isto resulta em que o indicado tem mais compromissos com o seu partido que com a comunidade científica e tecnológica.

Lamentamos que isto ocorra num governo que deu claras manifestações de apoio à C&T. O Governador Wagner esteve presente em várias solenidades da FAPESB, algo não observado anteriormente, e o próprio aumento dos recursos do PRONEX, já citado, decorreu de negociação direta sua com o MCT.

Salientamos que esta manifestação não contém crítica ao novo Diretor Geral nem ao partido que o indicou. Qualquer crítica neste sentido seria açodada e leviana. Ele poderá, e assim esperamos, fazer um trabalho digno de elogios. A crítica se dirige ao processo de mudança da direção. Tememos seriamente que o exemplo de colocar a direção da FAPESB entre os cargos disputados pelos partidos leve ao comprometimento da atuação da agência. O que desejamos é que o compromisso da FAPESB seja com uma política de Estado, com o benefício da população através do apoio à comunidade científico-tecnológica.


Perfil do novo Diretor Geral

Roberto Paulo Machado Lopes possui graduação em Ciências Econômicas – Economia pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (1988), mestrado em Economia pela Universidade Federal da Bahia (2001) e doutorando em Planificación Territorial y Gestión Ambiental pela Universidade de Barcelona – Espanha (2008). Até o presente momento atuou como Assessor Especial de Finanças e Planejamento e professor assistente da Universidade do Sudoeste da Bahia – UESB, professor das Faculdades Integradas Jequié – FIJ e professor da Faculdade Independente do Nordeste – FAINOR. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Macroeconomia Keynesiana, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento local, serviços de educação, desigualdade e pobreza, cluster e crescimento econômico. Tem um livro publicado, além de diversos trabalhos publicados em revistas especializadas.

Ilustração: Casarão Lazareto, sede da FAPESB

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mantida direção da FAPESB

No dia 20 de setembro o jornalista Paixão Barbosa registrou no se blog Política e Cidadania, no jornal A Tarde, que o movimento do meio acadêmico levou o Gov. Jaques Wagner a manter a atual direção da FAPESB. O post está transcrito abaixo.
É de grande importância que o Governador tenha aceito critérios acadêmicos para a escolha da direção da agência de financiamento à pesquisa no Estado. A manutenção da atual equipe possibilitará a continuidade do trabalho sério que tem sido feito na FAPESB.

“MEIO ACADÊMICO EVITOU PDT NA FAPESB
Paixão Barbosa 09.20.09
Nas negociações em torno da adesão do PDT à base aliada do governo estadual, a Secretaria de Ciência e Tecnologia foi oferecida “de porteira fechada”, ou seja, o partido indicaria também o presidente da Fapesb (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia), exigência, aliás, que foi feita pelo ex-presidente regional pedetista, Severiano Alves. O assunto, porém, morreu ao longo do tempo e parece que a Fapesb continuará sendo administrada com base em critérios técnicos.
Neste fim de semana fiquei sabendo que, por trás do “esquecimento”, esteve a reação negativa de segmentos acadêmicos baianos à possibilidade de que a fundação, muito importante para o desenvolvimento de projetos científicos, virasse objeto da negociação política. Sensibilizado pelos argumentos que ouviu, o governador Jaques Wagner discretamente limou o nome da Fapesb do acordo, mantendo as indicações pedetistas para os demais cargos.
Uma boa iniciativa e conduzida de forma competente pelo governador, que conseguiu superar a resistência do PDT com tranquilidade. E ponto para os acadêmicos, que tiveram a coragem de se posicionar.”

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Eduardo Ramos: Novo secretário de C&T da Bahia

Eduardo Ramos assume pasta da Secti nesta quinta
O novo secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Eduardo Lacerda Ramos, toma posse nesta quinta-feira (10), às 10h. A cerimônia, na Fundação Luís Eduardo Magalhães (Flem), terá a presença do governador Jaques Wagner, do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e outras autoridades.

Graduado em Agronomia pela UFBA, Mestre, PhD e Pós-Doutorado em Economia Rural por universidades norte-americanas, Eduardo Ramos, 66 anos, foi professor da UFBA e atualmente é do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).

Fundador e presidente do PDT em Cruz das Almas (BA) por três vezes, a última de março de 2008 a agosto deste ano de 2009, o novo titular da Secti foi candidato a deputado estadual e a prefeito pelo partido, em 1986 e 1988, respectivamente.

A nomeação de Eduardo Lacerda Ramos foi publicada na edição do Diário Oficial do Estado desta quarta-feira (9).

Do CV Lattes:

Eduardo Lacerda Ramos

possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal da Bahia (1965) , mestrado em Agricultural Economics pela University of Florida (1968) , doutorado em Development pela University of Wisconsin - Madison (1980) e pós-doutorado pela Pennsylvania State University (1992) . Atualmente é Professor Adjunto da Universidade Estadual de Feira de Santana. Atuando principalmente nos seguintes temas: coffee industry, economic impact, Northeast Brazil, regional development.
(Texto gerado automaticamente pela aplicação CVLattes)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Conto e Dois de Julho

Marina me havia estimulado a colocar no blog o meu conto relacionado (sem compromisso histórico) com as lutas do Dois de Julho.

O comentário de Leonardo no post Independência da Bahia se refere a um conto que conheço. A figura histórica livremente referenciada no Tanto Monta é o Corneteiro Lopes, na batalha de Pirajá (novembro de 1822) e não João das Botas (o comandante da frota de saveiros).

O relato de Tobias Monteiro sobre Luis Lopes diz: “Já galgavam os atacantes as encostas dos montes, certos de levar de vencida o inimigo, quando ouviram o toque sinistro de avançar cavalaria e degolar. O corneta, a quem o major Barros Falcão, que comandava a ação naquele ponto, dera ordem de tocar retirada, trocara, por conta própria, o toque destinado a anunciar a derrota dos irmãos de armas, pelo do ataque inesperado, donde veio a desordem e o pânico dos portugueses.

O estratagema providencial de Luís Lopes, que assim se chamava esse lusitano aderente à causa do Brasil, transformou subitamente a ação. Espantados da presença dessa cavalaria imaginária, com que não contavam, os portugueses estremeceram indecisos e, por fim, recuaram“.


Este conto foi publicado no livro o Outro Lado da Ciência, editado por Leopoldo de Meis, mas creio que não há problema de repeti-lo aqui.

Aliás vale a pena ver o livro, que contem contos e relatos muito interessantes, feitos por vários colegas, como o de George dos Reis.


Tanto Monta

Manoel Barral-Netto


Nem Lopes mesmo podia compreender as mudanças tão rápidas ocorridas em sua vida. Decidira permanecer vivendo na Bahia, mais precisamente vivendo com uma baiana, já que o atrativo era mais humano que geográfico. Continuara o seu ofício de corneteiro, mas se questionava sobre as outras grandes mudanças de sua vida.

Apenas dois anos da vinda, e não se lembrava bem da mulher em Portugal. Vivia bem e sofrera com a separação forçada pela convocação de servir no Brasil. Agora, até o calor não lhe parecia a provação experimentada no início. Tão bem acolhido pela família de Esmeralda, já não afloravam os estranhamentos iniciais entre maroto e mulatos. Continuava sem perceber bem os laços familiares dos locais. Família numerosa a garantir casa sempre cheia, demasiadamente povoada. O amontoado de parentes, longe de inibir, atraía outros tão numerosos aderentes.

Com o soldo de corneta, decidira manter casa com Esmeralda, apartada da parentela. Acolheram ainda Mário, o irmão alienado, sem qualquer exigência ou resistência da família. Lopes já se afeiçoara dele. Quase da mesma idade, muitos até reconheciam-lhes parecidos. Ajudou na aproximação o interesse de Mário em aprender os toques da corneta. Além de Esmeralda, a vida tranqüila e os banhos na água morna da praia o foram tornando mansamente baiano.

Corria setembro tão leve, não percebeu logo quanto transtorno lhe causaria a Independência. Imaginou estaria bem como português antigo, não vingasse a bravata, ou como brasileiro novo, prosperasse o reino recém-criado. As virulentas quadrinhas esgrimidas entre marotos e mulatos mostraram-lhe rápido o engano. “Maroto pé de chumbo, calcanhar de frigideira, quem te deu ousadia de casar com brasileira.” A ele dirigida, certamente. Quantos mais, consigo, nesta condição?

Começadas as escaramuças, já via não poder retardar a escolha da nacionalidade. Arrastando-se os embates, acirrando-se os ânimos, arriscava-se ser tido por traidor do antigo e do novo país. Mesmo premido, não lhe acudiam razões para ver um lado mais próprio. Sempre houvera sido assim, mascarava a indecisão com a multiplicidade de argumentos conflitantes. Brasil ou Portugal, tanto monta. Fartou-se deste exercício e aliou-se aos locais. Continuava sem atinar porque, mas isto não lhe causou dúvida ou arrependimento.

Sem pena ou glória, participou de uns quantos embates. Nada merecedor de um termo mais denso. Embates, combates talvez, nenhuma batalha. Estas primeiras refregas, na sua curta carreira militar, pouco ajudaram a moldá-lo herói, nem mesmo valoroso guerreiro. Pouco a distinguir entre valente corneta militar e alegre fanfarra folgazã. Por vezes, esquecia de que lado pelejava. Nenhum arrependimento, nenhum regozijo. Brava faina, valioso repouso, não os distinguia.

Os esparsos embates permitiam voltas freqüentes à casa, que nos domingos nenhum dos contendores combatia. Tementes a Deus, os dois lados respeitavam os dias de guarda. Nestes entrecombates, Esmeralda, sem intenção, o tornava mais brasileiro. Mário, mais belicoso que ele, enlevado pela campanha libertadora, que nem tão alienado assim parecia, aprimorava-se na corneta.

O mesmo alheamento dos humores da guerra o afastou das dores dos poucos ferimentos. Por vezes acidentou-se durante as lutas. Pouca coisa, nenhum tiro direto. Um que outro estilhaço, uma pequena úlcera. Esmeralda os tratava com alguma mesinha ou punha uma colher de pólvora sobre um cancro tardo no curar. Nada carecedor da atenção de facultativo. Aproveitou-se desta indiferença um espinho para causar infecção. Durante uma pescaria, num período de trégua, feriu-se ao alçar uma arraia. Como valorizar mais acidente no lazer que lesão no campo de combate? Nada fez no início, embora fosse a lesão mais dorida que as de estilhaço. Febre e dores o retiveram no leito, levaram-no a refletir. A doença e os calafrios o livraram de umas quantas escaramuças. Ignorantes da causa da febre, receavam os superiores que ela se espalhasse. Sabiam eles da inferioridade de suas tropas, em número e preparo, mas temiam que uma epidemia os deixasse ainda mais desvalidos. Virem buscá-lo, sabendo-o enfermo, anúncio de grande batalha. Quase intimação. Qualquer ausência, que doença se cria fácil, malvista quando se aquece a guerra. Num trânsfuga, motivo de cadafalso. A tenebrosa perspectiva não lhe devolveu forças para levantar. Distante, impossível mesmo, qualquer possibilidade de guerrear. Angustiou-se Esmeralda, desvelou-se, mas lhe faleciam meios para repor as energias que a febre roubava.

Com o prolongar da doença, esvaiu-se a consciência, que basto de força não era. Mais vigor tivera, alistar-se-ia por melhor soldo. Mais brilho, por oficial. Ser corneteiro falava por força e brilho não sobrados. Um ou vários dias, não sabia quanto tempo de ausência.

Continuava sem entender bem porque tanta atenção. Atendido por médicos eminentes do Collegio. Visitado por autoridades. Recém-saído do torpor da febre, não conseguia atinar os porquês. Poderia mesmo ser levado à audiência com o Imperador? Temia que tudo resultasse dos delírios da febre. Tudo indicava agravamento da enfermidade. Provavelmente não escaparia. A atenção redobrada de Esmeralda e a presença alegre de Mário, com demais parentalha em visita constante, o conduziram para o reconhecimento de sua consciência. Cada dia mais claro, falavam verdadeiramente de homenagem e audiência com autoridades.

Antes de partir para a reunião com o governador, soube Lopes, pela gazeta, que era responsável pela mudança do curso da portentosa batalha de Pirajá. Desesperado, o comandante brasileiro ordenara soar retirada, após sustentar dura batalha em franca inferioridade numérica. Tendo-lhe Lopes obedecido ao primeiro impulso, retrocederam os baianos. Transtornado pelo espectro do opróbrio, impulsionado por valoroso brio, Lopes, por sua conta e risco, ressoa furiosamente um “Avançar, Degolando”. Reconheceram os portugueses a engenhosa manobra, desconhecedores que só na mente de Lopes existia. Temendo o ataque pelos flancos, após o fácil e temerário avanço motivado pela ardilosa retirada, os lusos apavorados abandonam a lide. Agora receberia Lopes os louvores, autoridades e povo a homenagearem-lhe o descortino guerreiro.

Calou-se Lopes de revelar que a sua coragem e heroísmo foram mitigados pela inconsciência. Febril, de nada lembrava. Por vezes, maquinava que a febre levara a uma inconsciência parcial, liberando-lhe o espírito para atos que a plena consciência inibiria. Pensava latejar em si um herói a ser libertado, que da auto-indulgência poucos escapam.

Alternavam-se têmpera guerreira e inspiração religiosa. O espírito de algum santo guerreiro ter-lhe-ia inspirado, forte ainda a mística infância portuguesa. Tão potente a ajuda celeste, tudo lhe borrara da lembrança. Ou teria sido Xangô? Que de vitória bahiense se tratava. Talvez assim pensasse Esmeralda. Não saberia. Nem mesmo a ela contava da ausência de lembranças da batalha.

Grande heroísmo e perda de memória não eram inéditos. Assim também ocorrera com Alexandre. De nada lembrava após as batalhas. Tanto se envolvia, tão decidido, tão bravo, ninguém imaginaria transe tão absoluto capaz de malbaratar a sua lembrança. Esta ausência de recordações, frente a um grande desafio, não era apanágio dos hereges, que disto se tratava Alexandre. Assim também ocorrera a Jeanne d'Arc, que jamais soube de ciência certa de todos os seus destemidos atos. Era o que, por vezes, pensava Lopes. Nisto seguia o mau exemplo de autores descuidados que demonstram desmedido descaso pela história. Menos dano causava Lopes, destes delírios não falava.

Por vezes narrava cena ouvida de algum combatente, já que muitos desejavam a amizade do herói. A insegurança por nada lembrar, o temor de descrever impropriamente o glorioso episódio, o fazia falar muito parcimoniosamente sobre Pirajá. Este recato todos exaltavam como modéstia, enriquecendo-lhe a imagem pública.

Tão plenamente feliz esteve Lopes desde quando se lhe reconheceram e exaltaram o heroísmo, resolveu Esmeralda jamais lhe contar que Mário o substituíra em Pirajá e sua glória nascera da insegurança do corneta noviço.




Ilustração acima: Combate de Pirajá Campanha de Independência para libertação da Bahia Episódio do Corneteiro Luis Lopes "Monumento à Independência" Ettore Ximenes - Praça Monumento da Independência. Confesso que não vi nada parecido a uma corneta e nem a um corneteiro, mas é o que está escrito no site.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Dois de Julho, Independência da Bahia

Muita gente não sabe da independência da Bahia. A Bahia já estava agitada pela independência. Em fevereiro de 1821 houve uma conspiração constitucionalista:

"Os nossos irmãos europeus derrotaram o despotismo em Portugal e restabeleceram a boa ordem da nação portuguesa (...) Soldados! A Bahia é nossa pátria e nós não somos menos valorosos que os Cabreiras e Sepúlvedas! Nós somos os salvadores do nosso país; a demora é prejudicial, o despotismo e a traição do Rio de Janeiro maquinam contra nós, não devemos consentir que o Brasil fique nos ferros da escravidão."

Durante 1821 e 1822 houve várias escaramuças pela cidade. As forças portuguesas não aceitaram a independência declarada em 7 de setembro de 1822 e as lutas continuaram até julho de 1823.

Assim, a Bahia ficou independente quase um ano após o Brasil. Ao contrário da independência de setembro, na da Bahia houve luta.

Ouça o hino da Bahia, todo dedicado à independência.