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quarta-feira, 14 de março de 2012

Desenvolvimento sustentável será tema do Programa L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência



Agência FAPESP – A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) anunciaram a sétima edição brasileira do Programa L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência. As inscrições poderão ser feitas entre os dias 19 de março e 13 de maio.
Nesta edição, o programa dará prioridade a estudos que contribuam para o desenvolvimento sustentável, em suas vertentes econômica, ambiental e social. O tema remete às discussões que ocorrerão na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).
O objetivo da premiação é incentivar a presença da mulher na linha de frente do conhecimento e garantir visibilidade ao trabalho das pesquisadoras, além de oferecer condições favoráveis para a continuidade de projetos por meio do auxílio financeiro.
Podem se inscrever no programa cientistas das áreas de Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde, Ciências Físicas, Ciências Matemáticas e Ciências Químicas. Cada profissional vencedora recebe bolsa-auxílio no valor equivalente a US$ 20 mil. Lançado em 2006, o programa já beneficiou ao todo 40 jovens cientistas no país, distribuindo mais de R$ 1 milhão em bolsas-auxílio.
Mais informações: http://loreal.abc.org.br 

CIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

Indissociáveis, ciência e sustentabilidade caminham juntas na direção de um mundo que continue ultrapassando as próprias esferas do conhecimento, e possa suportar o bem-estar e as necessidades humanas e ambientais das próximas gerações. Entre os infinitos desafios da ciência enquanto instrumento de desenvolvimento da humanidade, urge um compromisso irrecusável com a descoberta de alternativas que levem à evolução do modo de produzir e consumir dos dias de hoje. Pesquisas de
tecnologias que reduzem o impacto ambiental, descoberta de matérias-primas alternativas, novas soluções para o melhor aproveitamento dos recursos naturais: estas são algumas das buscas incessantes da ciência no caminho de um planeta com mais equilíbrio para todos.
2012 desponta como um ano especial no que tange à sustentabilidade. Pela segunda vez, o país sedia, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que
vai reunir representantes de todas as nações mundiais para discutir o comprometimento político sobre o tema. Na L'Oréal Brasil, este será o ano do lançamento do primeiro Relatório de Sustentabilidade, reunindo todas as iniciativas e compromissos da empresa com o crescimento sustentável.

Incentivo à submissão de pesquisas
ligadas à sustentabilidade

Por tudo isso e para chamar ainda mais atenção para este cenário, em 2012, o Para Mulheres na Ciência terá um olhar especialmente sustentável. Mantendo-se os critérios de qualidade, será dada prioridade a estudos que contribuam para o desenvolvimento da sustentabilidade, seja ela econômica, ambiental ou social. Uma decisão conjunta da L'Oréal Brasil, Academia Brasileira de Ciências e Comissão Nacional da UNESCO para dar ainda mais visibilidade a um tema tão fundamental para o futuro do planeta.

INCREVA SEU PROJETO DE PESQUISA
inscrições abertas de 19/03/2012 a 13/05/2012

Você pode ser selecionada para ganhar uma Bolsa-auxílio Grant no valor, em reais, equivalente a US$ 20.000,00.
Serão Oferecidas 7 Bolsas-auxílio Grant divididas entre as seguintes áreas de pesquisa:
    • Ciências Físicas (1 Bolsa)
    • Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde (4 Bolsas)
    • Ciências Matemáticas (1 Bolsa)
    • Ciências Químicas (1 Bolsa)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

C&T no orçamento do Brasil


Você não ganhou o Universal, está chateado por não haver um edital na sua área e pensa que todos estão contra você.
Veja bem, quem está contra você são os juros e a amortização da dívida.
O gráfico acima representa o orçamento da União para 2012. Impressionantes 47,2% serão para o seu inimigo. A Ciência e Tecnologia terão apenas 0,43%.

Também se aborreceu com afigura pequena? Esta é fácil, veja maior aqui.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cálculos científicos para a viagem de Papai Noel


Na noite do dia 24, enquanto Papai Noel atravessa o mundo todo para entregar presentes a todas as crianças, você pesquisador deve se fazer certas perguntas difíceis de responder.
Não pense que estas perguntas ficam sem uma adequada análise científica:

Pergunta
Resposta
Quantas horas tem Papai Noel para fazer todas as entregas?

39 (31 usando as diferenças de horário ao voar de leste para oeste e consideradas mais 8 hs de sono das crianças)
Quantas crianças ele visita?
700.000.000 (35% dos 2 bilhões de crianças; assumindo que ele não visita as crianças muçulmanas, indus, judias etc).
Qual a distância a ser percorrida?
342.510.000km (assumindo 233 milhões de residências cristãs distribuídas igualmente na área do planeta (510 milhões de km, assumindo o mundo como um quadrado para facilitar o cálculo) e com 1.47 km entre as casas.
Velocidade do trenó?
Fácil considerando as respostas acima: 342.510.000km/32h = 10.703.437.5km/hr
Peso da carga?
461.300 toneladas (assumindo um presente médio de 660g). Para comparação: um Boeing747 transporta 237,5 (sem contar o aumento relativo da massa. Com a velocidade calculada, haveria um aumento substancial). O super trenó equivale a 1.942 Boeing747!!!
As super-renas aguentam
tudo isto???
Devem ser 5,6 milhões de renas geneticamente modificadas, mas este segredo ainda não foi desvendado.
Como sabemos que são renas geneticamente modificas?
Você já viu uma rena normal voar???
Estes e outros cálculos pertinentes estão detalhados em reportagens interessantes do Telegraph:

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Livros do ano em C&T, segundo o The Economist



Do The Economist (aqui)

Books of the Year

Page-turners



"Science and technology
The Quantum Universe: Everything That Can Happen Does Happen. By Brian Cox and Jeff Forshaw. Allen Lane; 255 pages; £20. To be published in America in January by Da Capo Press; $25A book that breaks all the rules of popular science-writing, by two of Britain’s best known physicists.
Thinking, Fast and Slow. By Daniel Kahneman. Farrar, Straus and Giroux; 512 pages; $30. Allen Lane; £25The Nobel prize-winning father of behavioural economics and one of the world’s most influential psychologists, Daniel Kahneman shows how we are not at all the paragons of reason that we so often believe ourselves to be.
Global Warming Gridlock: Creating More Effective Strategies for Protecting the Planet. By David Victor. Cambridge University Press; 392 pages; $40 and £25A sophisticated analysis of the effects of global warming which shows that the current approach to the problem of climate change is a mostly ineffective mess and that alternative approaches will be hard and time-consuming to get up and running—but worth it in the end.
The God Species: Saving the Planet in the Age of Humans. By Mark Lynas. National Geographic; 280 pages; $25. Fourth Estate; £14.99A highly readable account of how we came to be living in the Anthropocene age and what we can do about it.
The Information: A History, a Theory, a Flood. By James Gleick. Pantheon; 544 pages; $29.95. Fourth Estate; £25A sprawling yet fascinating book by an acclaimed American science writer, “The Information” ranges from biology to particle physics and explores the links between information, communications, data and meaning from earliest times to the present day.
The Beginning of Infinity: Explanations That Transform the World. By David Deutsch. Viking; 487 pages; $30. Allen Lane; £25The long-awaited survey of humanity’s quest for explanation and understanding by an Oxford University quantum physicist who believes that science is as infinite as the human thirst for knowledge.
Revolutions that Made the Earth. By Tim Lenton and Andrew Watson. Oxford University Press; 440 pages; $52.95 and £29.95An analysis of the evolutionary changes that took place on Earth in response to sudden changes in temperature or atmospheric conditions, by two followers of James Lovelock, the father of the popular theory of Gaia, the self-regulating planetary system."
Ilustração (do site da Pinacoteca de SP aqui)
Título da Obra: Leitura, 1892
Data de Aquisição: 1905
Técnicas e Dimensões: óleo sobre tela, 95 X 141
Procedência: Transferência, Museu Paulista

sábado, 10 de dezembro de 2011

Ciência da poesia, poesia da ciência


Keats
"A filosofia cortaria as asas do anjo."  Filosofia significando ciência.


Edgard Allen Poe
"Conquiste todos os mistérios pelas regras e linhas / Esvazie o ar assombrado e cheio de gnomos/ desfie o arco-iris ..."


"I think this over-romanticises both poetry and science, which have got on fine for two millennia and today are enriching their dialogue. " leia o artigo de Ruth Padel no Guardian com o título acima se você se interessa por ciência, poesia, ou ambas (aqui).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Por que não temos vacinas contra parasitas?

A convite do Prof. Erney Camargo, falei no Memorial da América Latina, em São Paulo, sobre tema que ninguém pode saber com exatidão: a causa de não conseguirmos vacinas eficientes contra parasitas. Iniciei dizendo que se alguém soubesse bem o porque, provavelmente o assunto estaria resolvido.
Com esta ressalva, tentei apresentar vários aspectos que provavelmente estão envolvidos nesta incapacidade.
Vejam a apresentação feita lá:

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Amanhã, o WORLD SCIENCE DAY FOR PEACE AND DEVELOPMENT 2010


The WSDPD is celebrated on 10 November each year. The Day is an occasion to remind the UNESCO's mandate and commitment on science. (veja na página da UNESCO - aqui)
The WSDPD's objectives are:
  • To strengthen public awareness on the role of science for peaceful and sustainable societies
  • To promote national and international solidarity for a shared science between countries
  • To renew national and international commitment for the use of science for the benefit of societies
  • To draw attention to the challenges faced by science and raise support for the scientific endeavor
WHAT CAN YOU DO

The success of the WSDPD will depend on the active involvement of many partners such as intergovernmental and non-governmental organizations, scientific and research institutions, professional associations, the media, science teachers and schools.
Different activities will be undertaken to mobilize support for the objectives of the WSDPD. We invite you and your organization to celebrate this Day with some special events or action. Next, you can find a list of potential actions that can be undertaken by you and your organization:
  • DIFFUSE the WSDPD in your institution or in your town, city or local community, through municipal and state government channels.
  • ORGANISE an 'Open Day' in your institution to highlight the importance of science for peace and development.
  • INCORPORATE the messages of WSDPD into official speeches, publications and other activities taking place on 10 November.
  • ORGANIZE classroom discussions to emphasize the many different ways science and technology touch our daily lives.
  • CONTACT national and local media (TV, radio, print, electronic) to highlight the importance of celebrating WSDPD at national and local level.
  • WRITE articles and letters about the importance of science for sustainable societies to the media, including industry trade journals, organization newsletters, and school newspapers.
  • DISTRIBUTE the WSDPD's poster to schools (based on material downloaded from websites); scientific institutions, local communities.
  • VISIT local schools to speak about careers in science, deliver scientific presentations or demonstrations to young students.
  • BUILD classroom-to-classroom connections between schools via the Internet to talk about science projects that will interest young people.
  • ORGANIZE conferences and forums.
  • FIND a sister institution and carry out a joint activity highlighting the importance of science.
  • INVITE university faculty to join with community organizations and schools to celebrate the Day.
  • ARRANGE a science museum visit
Please feel free to contact us if you would like more suggestions and information on how you and your organization can celebrate this day. We would be grateful if you could keep us informed on the activities you will organize in order to include your events in a special section of our website.
If you have a website and wish to link it to ours, please send your request to Ms. Diana Malpede. We will add yours to our list of related websites and you will help us reach, inform and involve as many people as possible.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pesquisa em Saúde no Brasil e na Espanha

Apresentação feita em 19.10.2010 na inauguração do Centro de Estudos e Pesquisas Ramon y Cajal do Hospital Espanhol de Salvador-Bahia.
A convite do colega Fabio Vilas-Boas, falei sobre a situação da pesquisa médica na Espanha e no Brasil, na solenidade de início das atividades do Centro. 
Na mesa de abertura estavam D. Manuel Antas, presidente da Real Sociedade Espanhola de Beneficência;  D. Jacobo González-Arnao Campos, Consul Geral da Espanha na Bahia e os colegas Andrés Alonso, representando o Gov. Jaques Wagner;  Angelo Castro Lima, Superintendente Médico do Hosp. Espanhol; Carlos Marcílio, Diretor Científico do Hospital, além de Fábio Villas-Boas, coordenador do Serviço de Cardiologia e empossado Diretor do Centro de Estudos e Pesquisas.



Foi um grande prazer encontrar vários colegas e sentir o clima positivo sobre as perspectivas do Hospital.
Votos de sucesso ao Centro.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eleições no Brasil: como fica a ciência?

A ciência e tecnologia não chegam a chamar a atenção durante a campanha eleitoral no Brasil.
Hoje  a Nature News traz um artigo, intitulado Science safe in Brazil election, no  qual demonstra confiança que não haverá alteração no suporte recebido nos últimos anos:
"Like many other Brazilians, the nation's scientists are hoping that the presidential elections of 3 October will bring as little change as possible. After nearly a decade of solid support for science from President Luiz Inácio Lula da Silva, his likely successor, Dilma Rousseff, has much to live up to."
"Lula's own formal education may have been meagre, but during his seven years as president he has raised the status of science in Brazil by steadily increasing research funding (see chart) as a percentage of gross domestic product (GDP) — which itself has grown impressively (see Nature 465, 674–675; 2010). He has also elevated Brazil's scientific profile by writing numerous editorials on its science-development initiatives, including one in Scientific American in 2008, and his science minister of five years, Sérgio Rezende, has published research about spin-wave theory in Physical Review Letters while in office.
"The Lula government brought a very important increase in funding and did very important work in terms of policy-making and agenda setting," says Paulo Gadelha, president of the Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) biomedical research institute in Rio de Janeiro. "It was the first time that we brought together the traditional areas related to industrial policy with those related to science funding, health and agriculture."

Neste tema vejam também:
Documento da Academia Brasileira de Ciências e da SBPC para o futuro governo. Divulgado no blog da Sociedade Brasileira de Imunologia (aqui);

Promessas políticas para ciência e o ano eleitoral brasileiro, divulgado em fevereiro aqui no Totum;


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O crescimento sustentável da ciência, artigo de Wanderley de Souza e Eloi Garcia

Artigo dos Drs. Wanderley de Souza e Eloi Garcia, originalmente publicado no Jornal do Brasil (12/08) e divulgado no mesmo dia no JC online.
"É sempre bom celebrar as grandes vitórias conquistadas. Tem crescido de forma expressiva a participação brasileira no cenário internacional no campo da ciência e tecnologia, área que assegura uma posição de relevância no Brasil nos próximos anos entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Estamos hoje entre os principais produtores de conhecimento no mundo.
Isto se deve a dois fatores principais: primeiro, o apoio crescente e constante das agências de fomento do governo federal, sobretudo a Capes e o CNPq e das fundações estaduais de Apoio à Pesquisa, na formação de recursos humanos em cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado).
O crescimento significativo na área da pós-graduação, da ordem de 270% nos últimos dez anos, levou ao credenciamento de 1.421 programas de doutorados e 2.435 de mestrado, considerando-se somente as áreas de ciências biológicas e medicina. Em todas as áreas da Capes, formamos mais de 10 mil doutores/ano e ainda temos que crescer muito mais.
O segundo fator é o aumento crescente nos recursos disponibilizados pelo sistema de C&T, que inclui os governos federal e estaduais, permitindo a organização de uma infraestrutura laboratorial invejável, como nunca conseguida anteriormente.
A junção destes dois fatores tem levado a uma ampliação do prestígio da ciência brasileira em nível internacional - que pode ser avaliada de várias maneiras, como a participação de pesquisadores brasileiros em comitês editoriais de importantes revistas editadas no exterior - e ao aumento inquestionável no número de artigos publicados em revistas de impacto internacional bem como convites para palestras em congressos internacionais relevantes.
No Brasil, apesar do crescimento acima mencionado ainda existe um grande déficit na formação de pessoal qualificado. Precisamos formar mais doutores e procurar alcançar nossa relação doutor/população com aquelas encontradas em países como os EUA, Inglaterra, Alemanha e outros.

A análise dos dados disponíveis deixa claro que o crescimento da ciência brasileira decorre fundamentalmente da participação dos alunos de pós-graduação nas atividades científicas. Nas melhores instituições universitárias e de pesquisa do país, aproximadamente 85% dos artigos publicados contam com a ativa participação dos alunos de pós-graduação. Os doutores que temos formado estão sendo disputados, como nunca, pelos laboratórios internacionais, para realizarem estágios de pós-doutorado ou mesmo como bolsistas de doutorados-sanduíche.
Ao longo dos 35 anos em que temos exercido atividade científica em universidades e institutos de pesquisa brasileiros nunca recebemos tantas solicitações de colegas do exterior para enviar nossos doutores para estágio pós-doutoral bem como para colaborações através de programas financiados pela Capes e CNPq. Também temos recebido inúmeras mensagens de jovens doutores chineses e indianos manifestando interesse em fazer estágio de pós-doutoramento no Brasil.
Países asiáticos como a Coreia, China, Índia e Cingapura procuram aproximar-se das instituições brasileiras e buscam nossos doutores bem como trabalhos em colaboração. Por isto, temos todos os motivos para nos orgulharmos dos doutores que estamos formando. A ampliação no número de universidades federais pelo Reuni e da atividade científica em várias instituições de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico cria uma demanda crescente que exige uma ampliação da nossa capacidade de formação de doutores.
Em áreas dinâmicas da ciência e tecnologia brasileira, como ocorre nas instituições em que trabalhamos, ou com as quais interagimos, praticamente todos os doutores contam com bolsas de pós-doutoramento ou estão sendo aprovados em concursos públicos.
O clássico anúncio "procura-se pós-doutores interessados em participar de um projeto de pesquisa" é crescente nos quadros de aviso de nossas instituições. Àqueles que têm levantado dúvidas sobre a qualidade dos alunos que as Universidades vêm formando em seus programas de graduação, gostaríamos de dizer que, a julgar pela nossa experiência, tal preocupação não procede.
Pelo contrário, podemos mesmo dizer que estamos formando discípulos que estão nos superando nos avanços científicos. E isto é ótimo, pois esta é a garantia de um futuro promissor para a ciência & tecnologia e inovação e para as universidades e institutos de pesquisa brasileiros. Para confirmar esta observação, sugerimos que sejam analisados os currículos das jovens doutoras recentemente anunciados como ganhadores do prêmio L'Oreal coordenado pela Academia Brasileira de Ciências. Vamos encontrar jovens doutoras com mais de 30 artigos publicados em revistas internacionais de grande impacto e com atividades de pesquisa expressivas.
Contrariamente ao que tem sido dito por alguns, nos concursos públicos das universidades e institutos de pesquisa de que participamos, temos encontrado enormes dificuldades na avaliação e classificação devido ao alto nível dos candidatos apresentados. Tudo isto nos motiva a continuar trabalhando no sentido de formar ainda mais recursos humanos de alto padrão, bem como aumentar o número de estudantes no ensino fundamental, médio e técnico de qualidade, para incrementar ainda mais o nível das universidades e da pesquisa brasileira."
(Jornal do Brasil, 12/8)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quais os maiores mistérios científicos?


A revista Quo perguntou a 15 autores de blog espanhóis o que consideravam os maiores mistérios científicos. Deve ter pedido três, mas o último enviou 12. Sempre tem gente exagerada.
Não conheço a maioria destes blogs. Acompanho regularmente o de Pere Estupinya, que mantém o excelente Apuntes Científicos no El País. Ocasionalmente, vejo La Pizarra de Yuri e o Microsiervos.
 
Eu colocaria:
Origem da vida;
Origem da consciência e da inteligência humanas;
Origem da linguagem matemática.
 
O que você considera os principais mistérios?
Veja o que eles indicaram! 

PERE STUPINYÀ

MANUEL NIEVES
3. De qué está hecho el Universo

WICHO (JAVIER PEDREIRA)

AMBROSIO LICEAGA

MARTIN CAGLIANI

SERGIO PARRA

JAVIER PELÁEZ

SERGIO PALACIOS

MANUEL HERMAN

FERNANDO DEL ALAMO

LA PIZARRA DE YURI

PEPE CERVERA


terça-feira, 25 de maio de 2010

Incêndios científicos sucedem incêndios em instituições científicas


Teve grande repercussão, inclusive na imprensa científica internacional, o incêndio ocorrido recentemente no Instituto Butantan. Uma grande coleção de ofídios e aracnídeos foi consumida pelas chamas. No ano passado, um grande incêndio ocorreu no Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia. O Prof. Caio Castilho no JC online registrava: “O Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (IQ-UFBA) sofreu na tarde do último sábado, dia 21 de março, um incêndio de significativas proporções. Vários laboratórios, notadamente os situados no último andar do prédio, foram severamente afetados.” texto completo aqui. No caso do Butantan os comentários foram numerosos.
Há vários aspectos técnicos a considerar. Porque os nossos prédios de instituições científicas não têm uma adequada infraestrutura para prevenção contra incêndio? Porque a manutenção é deficiente? Etc., e isto tem sido bastante tratado. Não abordarei estes aspectos. O que pretendo comentar é a reação da própria comunidade acadêmica após os incêndios físicos. Nos dois casos, há também um incêndio de atitudes por aflorarem problemas subjacentes de diferentes posturas em relação à visão de como realizar e promover a ciência.
As convulsões intestinas da UFBA fizeram que o processo de recuperação do Instituto de Química se prolongasse muito mais que o razoável. Dois meses após o incêndio do prédio, o Prof. Caio Castilho em outro texto no JC denunciava: Desde então, poucas providências práticas foram tomadas: ... escoramento de porções da estrutura do quarto e quinto andares, recuperação das calhas para águas pluviais que haviam sido parcialmente danificadas e uma ainda não concluída limpeza dos restos da queima. …Nada ainda foi sequer iniciado visando restabelecer o funcionamento da rede elétrica. … “O absurdo da circunstância remete à pergunta sugerida mais acima: A quem interessa este estado de coisas? A que serve este absurdo ou, talvez melhor, a quem serve?” … A única resposta plausível a tanta insensatez e irresponsabilidade é que tudo isto, pelo seu absurdo, interessa a alguém ou a alguns. Candidatos a coveiros no caso abundam.” texto completo aqui.
Pouco após o incêndio do Instituto Butantan o Dr. Érico Vital Brazil, presidente da Casa de Vital Brazil, publicou no 'Globo'.um artigo logo reproduzido no JC e-mail intitulado: A lógica reducionista da fábrica de soros. O artigo continha críticas à ênfase do Butantan na produção de vacinas e críticas à gestão do instituto. “Não se pode dar valor ao que não se conhece. Basta se observar a notória preocupação da imprensa em divulgar que a produção de vacinas não foi atingida por este trágico incêndio.” ... “Perguntamo-nos a quantas andam os indiciamentos dos responsáveis e as investigações sobre o desfalque de cerca de R$ 150 milhões da Fundação Butantan que veio à tona em setembro último. (...) Lamentavelmente (...), é impossível conter a indignação diante do descaso e do descuido da atual administração do Butantan em relação ao patrimônio histórico e científico que lhes foi entregue para gerir. Fez-se definitivamente o vazio inquietante. … Arderam vitoriosas as chamas das vaidades e das mesquinharias daqueles que tiveram até pouco e ainda têm o poder de decisão no Butantan, mais uma vez rejubilou-se a lógica reducionista da fábrica de soros e vacinas contra a qual Vital Brazil tanto lutou e resistiu.”
A resposta, também no JC, do Prof. Isaias Raw foi duríssima, como se pode depreender de alguns trechos, do artigo de Ricardo Mioto e Reinaldo José Lopes na FSP: "Aquilo [o acervo] é uma bobagem medieval. Você acha que a função do Butantan é cuidar de cobra guardada em álcool ou fazer a vacina para as crianças?", disse. Para ele, "não dá para cuidar das duas coisas".... "Se eles não receberam dinheiro é porque não mereciam. Eu recebo todo dinheiro que eu peço. A Fapesp deu aquele prédio. Eles fizeram uma merda naquele prédio. Nem compraram o alarme para incêndio, alarme para incêndio você compra na esquina hoje." Outros cientistas famosos apoiaram Isaias: "Não quero falar mal de colega, mas [o que Raw diz] é verdade. Desde o começo é uma herpetologia [estudo de répteis e anfíbios] de segundo grau", diz Paulo Vanzolini, 86, o mais importante zoólogo brasileiro vivo. "O Butantan nunca foi vanguarda cientificamente."
Se tomarmos o tom da discussão pós incêndio como um marcador da gravidade do acidente, o episódio do Inst. Butantan foi mais grave que o do Instituto de Química. Aproveitando o tom da crítica de Isaias, sobre a ciência de quinta, Herton Escobar escreveu um texto muito equilibrado no Estadão sobre como avaliar os cientistas e de que profissionais de ciência precisamos. Creio que ele acaba chegando no foco do incêndios verbais pós incêndios físicos. Como temos pouco apoio para ciência, a comunidade científica vive sempre “al borde de un ataque de nervios”. O desenvolvimento equilibrado da ciência necessita de vários perfis de profissionais e não somente de cientistas. Segundo Escobar: “A resposta “correta”, claro, é que precisamos de todos os tipos de cientistas. Precisamos de pesquisadores audaciosos, empreendedores, do tipo Craig Venter, que buscam descobertas revolucionárias e não perdem tempo com “picuinhas”. Precisamos de pesquisadores-professores inteligentes, que se dediquem a formar jovens cientistas competentes e fazer boas pesquisas, sem se preocupar necessariamente em ganhar um Prêmio Nobel. Precisamos também de bons cientistas curadores, educadores, expositores, oradores, escritores, divulgadores, que talvez nunca publicaram um trabalho de impacto, mas que sabem transmitir o conhecimento da ciência para o grande público de maneira inteligente, seja na forma de um livro ou de uma exposição, fazendo com que as pessoas entendam, apoiem e se entusiasmem pela ciência etc.” Discordo da denominação de cientistas que Escobar para outros perfis pertencentes ao campo científico, mas concordo com a análise.
Os incêndios físicos precisam ser prevenidos e evitados através de boa administração patrimonial, capacitação etc. Já os incêndios verbais na comunidade científica necessitam ser prevenidos através da compreensão de cada um dos diferentes perfis necessários para o progresso da ciência no país e através do financiamento adequado que reduza tensões desnecessárias.
Ilustração. A figura ilustra incêndios de instalações, para representar os da comunidade científica é necessário alterar a escala do eixo do x. A linha amarela pode representar o incêndio da instalação e a azul o da comunidade.




Adicionado no dia 26.V.2010
Para esclarecer um ponto não detalhado acima: A existência de um volume mais adequado de recursos não deve levar ao financiamento de atividades sem mérito. Mais recursos são necessários para financiar adequadamente as diversas atividades do campo científico, desde que atendidos os critérios de qualidade característicos de cada uma das atividades.