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sábado, 27 de março de 2010

É o álcool que causa a ressaca?


ResearchBlogging.org
Você não acreditará que alguém publicou um artigo que demonstra que a ressaca se deve à ingestão de álcool. Quem financiou um estudo para saber se o álcool causa ressaca? O artigo Predictors of hangover during a week of heavy drinking on holiday é um forte candidato a Medical News of the Obvious.
Imagine-se examinando uma proposta de projeto nos seguintes termos: Metodologia - Entrevistar 112 jovens dinamarqueses em três ocasiões durante as férias num resort na Bulgária. Eu pensaria que é brincadeira, entender jovens dinamarqueses sóbrios já é uma tarefa sobre-humana, imagine bêbados, ou de ressaca. Não faço um estudo deste nem na maior brodagem! 
Os dinamarqueses têm a respeitável marca de 11,7 litros de consumo de álcool per capita na população acima de 15 anos. São o sétimo lugar no mundo (para os curiosos: o 1o. é Luxemburgo com 15,5, a França o segundo com 14,8 e a Espanha é 6o. com 11,7; Brasil e Bulgária são modestos, com 5,8 e 5,9, respectivamente). Estes dados de consumo médio estão em vários sítios da internet, veja um deles.
Voltando ao trabalho, os sujeitos da pesquisa preenchiam uma escala de ressaca (Acute Hangover Scale) e informavam sobre o consumo de álcool e a duração do repouso. 
Vejam os resultados: a incidência de ressaca foi de 68% após o consumo de 12 unidades padrão de álcool. A intensidade de ressaca aumentou significantemente durante uma semana de consumo elevado de bebida. Houve uma interação tempo e número de doses.
Sinceramente, quem não sabia disto? De todo modo, atente para o fato que quase um terço dos bravos daneses não teve ressaca mesmo havendo ingerido 12 unidades de álcool. Êta povo que aguenta bebida!
Ilustração: World map showing countries by alcohol consumption per capita. WHO 2008.

Hesse, M., & Tutenges, S. (2010). Predictors of hangover during a week of heavy drinking on holiday Addiction, 105 (3), 476-483 DOI: 10.1111/j.1360-0443.2009.02816.x

sexta-feira, 19 de março de 2010

Vantagens do álcool: combate impotência, reduz problemas cardíacos e “ajuda” a perder peso

ResearchBlogging.org
Você acredita que algumas doses de álcool por dia podem combater a impotência (disfunção erétil), reduzir problemas cardíacos (indiretamente pela redução da impotência) e ainda levar à perda de peso?  Há trabalhos mostrando tudo isto. O texto recebido do amigo Rizzo fala sobre os dois primeiros tópicos e ainda acrescentei o da perda de peso. Isto é que é notícia para o final de semana.
Disfunção erétil
Os homens que costumam tomar alguns drinques com regularidade têm melhor desempenho sexual do que aqueles que nunca tomam bebidas alcoólicas. A constatação é de pesquisadores do Keogh Institute for Medical Research, da Austrália, que, no entanto alertam: tomar um porre pode ser um tiro pela culatra. Ou seja, o segredo para ser bom de cama está em consumir bebidas com moderação.
O estudo, realizado com 1.580 homens, evidenciou que aqueles que bebiam até 5 doses por semana (porção considerada moderada) tinham uma vida sexual mais ativa e satisfatória do que os que não bebiam nunca ou aqueles que exageravam. Segundo o médico Kew-Kim Chew, coordenador da pesquisa, a incidência de problemas de ereção era 30% menor naqueles que tinham o hábito de beber alguns drinques por semana.
O médico explica que a bebida alcoólica em doses moderadas pode ajudar a desinibir e também pode melhorar a função circulatória, que está diretamente ligada aos problemas de ereção, uma vez que depende da irrigação sanguínea do pênis.
Foram avaliados na pesquisa alcoólatras, homens que bebiam as doses recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), os abstêmios e aqueles que não bebiam nada durante a semana, mas exageravam no fim de semana. Os que tinham mais risco de disfunções eréteis eram os alcoólatras, seguido dos que exageravam no fim de semana.
Para o cientista, a descoberta é animadora, já que mostra que beber moderadamente pode trazer benefícios para a vida sexual. Também indica que homens com disfunções eréteis não precisam abandonar o álcool completamente. "A vida sedentária e o cigarro têm mais impacto na disfunção erétil do que o álcool", diz.
Problemas cardíacos
Outro estudo, da Alemanha, divulgado esta semana, concluiu que, entre os homens que sofrem de problemas do coração, os que também apresentam quadros de impotência têm chances em dobro de ter ataques cardíacos.
Além disso, a probabilidade de os portadores de disfunção erétil sofrerem um derrame cerebral é 10% maior do que a dos demais pacientes cardíacos. A principal causa da impotência e dos problemas cardíacos é a má circulação.”
“Redução” de peso
Ainda podemos acrescentar que o consumo leve ou moderado de álcool não está relacionado com aumento de peso
“Compared with nondrinkers, initially normal-weight women who consumed a light to moderate amount of alcohol gained less weight and had a lower risk of becoming overweight and/or obese during 12.9 years of follow-up.”
Conclusão:
Álcool, com moderação, parece fazer bem à saúde, mas não abuse… Lembre: se beber, não dirija.
Ilustração: O álcool na pirâmide alimentar.

Chew KK (2009). Alcohol consumption and male erectile dysfunction: an unfounded reputation for risk? The journal of sexual medicine, 6 (8) PMID: 19493284

Böhm M, Baumhäkel M, Teo K, Sleight P, Probstfield J, Gao P, Mann JF, Diaz R, Dagenais GR, Jennings GL, Liu L, Jansky P, Yusuf S, & for the ONTARGET/TRANSCEND Erectile Dysfunction Substudy Investigators (2010). Erectile Dysfunction Predicts Cardiovascular Events in High-Risk Patients Receiving Telmisartan, Ramipril, or Both. The ONgoing Telmisartan Alone and in combination with Ramipril Global Endpoint Trial/Telmisartan Randomized AssessmeNt Study in ACE iNtoler Circulation PMID: 20231536

Wang L, Lee IM, Manson JE, Buring JE, & Sesso HD (2010). Alcohol consumption, weight gain, and risk of becoming overweight in middle-aged and older women. Archives of internal medicine, 170 (5), 453-61 PMID: 20212182

terça-feira, 9 de março de 2010

Consumo de cerveja e atração de mosquitos da malária


ResearchBlogging.org
Post de Petter Entringer
O Anopheles gambiae, possui uma preferência alimentar por humanos, daí sua grande capacidade vetorial da malária na África. Interessantemente, há evidências de que a “escolha” do hospedeiro onde irá se alimentar não é randômica, isto é,  indivíduos apresentam variações que os tornam mais ou menos atrativos para o inseto (Qiu et al, 2006). 
Além da temperatura, cada pessoa tem um odor corporal distinto, resultante da emissão de centenas de compostos orgânicos presentes na respiração e exalados pela pele, que atraem os insetos. Fatores adicionais como a dieta, condição de saúde e até mesmo o status reprodutivo também contribuem para o perfil do odor de um indivíduo. Esse conjunto de pistas odoríferas irá orientar as fêmeas de A. gambiae na busca pela alimentação.
O consumo de álcool é crescente em muitas regiões endêmicas a malária, e pesquisadores têm questionado seus efeitos na dinâmica da doença. 
T. Lefèvere e colaboradores publicaram um trabalho na PLOS ONE onde pela primeira vez é mostrado o efeito do consumo de cerveja na capacidade atrativa de humanos a uma população natural de  A. gambiae Beer consumption increases human attractiveness to malaria mosquitoes, Vol 5, issue 3, e9546, Março de 2010.
O estudo foi desenvolvido com voluntários de uma área endêmica a malária em Burkina Faso, oeste Africano. Nesta região é grande o consumo de uma cerveja artesanal chamada Dolo – com ~ 3% de álcool –  preparada a base de sorgo. A ilustração acima do post mostra um burkinense bebendo dolo e a ilustração abaixo o local de preparo do dolo, denominado “cabaret”.


Os autores avaliaram atração a indivíduos antes e após o consumo de água ou cerveja, avaliando a ativação e a orientação dos insetos frente aos estímulos oferecidos, em um sistema de caixas e ductos em formato de Y. Os efeitos dos odores provenientes dos indivíduos eram comparados com os dos odores do próprio ambiente. Figura abaixo.
Observaram que antes do consumo de qualquer das bebidas não havia diferença na atração. No entanto, após o consumo de água ou cerveja, os que consumiram esta última ativaram mais insetos, além deles se orientarem preferencialmente para o local de onde vinha o odor dos indivíduos que haviam consumido a bebida alcoólica. E esta maior atração não foi devido a diferenças na produção de CO2 ou variações na temperatura dos voluntários. Os autores verificaram variações na capacidade individual de atrair os insetos, isto é, aqueles que atraiam mais antes também atraiam maior quantidade de mosquitos após o consumo das bebidas.
Embora não tenham evidências para as razões pelas quais após consumir cerveja os indivíduos são mais atrativos ao A. gambiae, os autores postulam que o metabolismo do álcool induz mudanças na respiração e marcadores do odor, como os kairomones por exemplo, tornando-os mais atrativos. Ou ainda, que os insetos tenham desenvolvido preferência por pessoas que consumiram cerveja recentemente, possivelmente devido à diminuição dos comportamentos defensivos desses indivíduos ou por representarem um repasto sanguíneo mais nutritivo.
O estudo não avaliou a possibilidade de outros ingredientes ativos do Dolo além do álcool, serem os responsáveis pelo efeito da maior atração. Apesar disso chama atenção para um fator de risco para transmissão da malária, que é o consumo de bebidas alcoólicas. Isso ganha maior relevância, pois mostra a convergência de dois grandes problemas de saúde pública de alcance mundial, a malária e o consumo descontrolado de álcool.
E a observação pode ser mais alarmante se for levado em conta que o consumo de álcool pode contribuir para a quadro geral de doenças, especialmente pelo comprometimento do sistema imune do hospedeiro, no combate a parasitas.

Lefèvre, T., Gouagna, L., Dabiré, K., Elguero, E., Fontenille, D., Renaud, F., Costantini, C., & Thomas, F. (2010). Beer Consumption Increases Human Attractiveness to Malaria Mosquitoes PLoS ONE, 5 (3) DOI: 10.1371/journal.pone.0009546

Qiu YT, Smallegange RC, Van Loon JJ, Ter Braak CJ, & Takken W (2006). Interindividual variation in the attractiveness of human odours to the malaria mosquito Anopheles gambiae s. s. Medical and veterinary entomology, 20 (3), 280-7 PMID: 17044878

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Ressaca IV Servare atque curare


Este post foi originalmente publicado em 20.fev.2009 no antigo site do LIMI e LIP.

Último post sobre o tema antes do carnaval (no caso da Bahia em pleno carnaval). As bases imunológicasextra-imunológicas e os outros fatores além do álcool envolvidos na ressaca já foram discutidos. Este post é compilação de recomendações com algum bom senso para prevenir e curar (Servare atque curare) a ressaca. Nenhuma delas tem embasamento científico seguro:

Prevenir:
• Alimentar-se adequadamente antes de beber;
• Ingerir alimentos gordurosos;
• Ingerir bebida de qualidade;
• Bom senso na quantidade e no ritmo de ingestão;
• Ingerir água e/ou sucos juntamente com a bebida alcóolica (o gosto não é tão bom, mas é necessário algum sacrifício);
• Aspirina e outras antiinflamatórios não esteróides antes de dormir reduzem a  dor de cabeça e dores musculares - mas podem fazer muito mal ao estômago. Melhor evitar! Pelo anúncio de Cafiaspirina acima se vê que a aspirina é usada há longo tempo;
• Acetaminofen irrita menos o estômago, mas NÃO deve ser ingerido na ressaca porque o metabolismo do álcool aumenta a toxicidade hepática do acetaminofen;
• Ingerir MUITA água antes de dormir;
• Durma bem e bastante tempo;
• Não tenha sentimento de culpa por ter bebido.

Curar:
• Paciência. Tempo é o único remédio garantido, os sintomas duram de 8 a 24 horas, após o que a vida retorna ao normal e é só esperar esquecer as promessas vãs (Não bebo mais!);
• Consuma suco de frutas contendo frutose além de comidas brandas contendo carbohidratos complexos (torradas e crackers). Elas ajudam a corrigir a hipoglicemia e melhorar a náusea;
• Antiácidos para melhorar a gastrite e a náusea;
• Propanolol, um beta-bloqueador usado para hipertensão e enxaqueca tem sido recomendado por reduzir a reatividade simpática, mas não há evidência para suportar esta recomendação;
• Antagonistas do receptor da serotonina (como ondansetron ou tropisetron) como anti-eméticos poderiam controlar náusea e vômito, mas um ensaio clínico realizado não demonstrou sua eficácia na ressaca alcóolica;
• Cafeína também não tem embasamento demonstrado mas a ingestão de café para combater a fadiga é uma das mais antigas recomendações contra ressaca. Cuidado com o estômago!
• Vitaminas, especialmente a B6, parece ter um efeito placebo bom. Pode tentar.
• Voltar a ingerir álcool. Esta recomendação parece recuperar muitos sintomas, lembre que a ressaca começa quando o nível alcóolico sangüíneo é zero. Provavelmente você está apenas adiando a ressaca.  Além do mais, com esta medida você não para mais de beber e muda o seu problema de ressaca para alcoolismo. 

Contribua com as suas receitas, crenças, benzedeiras.....
blog vai entrar em recesso, visando testar algumas das recomendações acima.
Ilustração.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Ressaca III Personalidade para beber




Publicado originalmente em 15.fev.2009 no antigo site do LIMI e LIP 
(feitas pequenas alterações).
Além dos efeitos do álcool, outros fatores influenciam na ressaca. Outros produtos, além do álcool, presentes nas bebidas alcóolicas, designados como congêneres, contribuem para o cheiro e a cor das bebidas.  Há uma relação clara entre a concentração de congêneres nas bebidas e gravidade da ressaca.  O etanol diluído em suco de laranja praticamente não causa ressaca. Daí em diante quanto mais complexas as bebidas, maior o risco da ressaca. Os campeões dos congêneres (e da ressaca) são o whisky, o vinho tinto e o conhaque (claro, os melhores!).  Esta informação deve ser usada judiciosamente. Nem lhe passe pela cabeça trocar o conhaque por suco de laranja com álcool.  Melhor ter ressaca que perder o juízo. As bebidas de baixa qualidade possuem congêneres em quantidade elevada. Assim, evite bebida de baixa qualidade mas não comprometa a sua escolha por bebidas mais complexas. O prazer de tomar um bom conhaque é sublime Aliás, se o conhaque for bom mesmo, o preço impedirá que se beba o suficiente para dar ressaca.
O mais perigoso congênere é o metanol. Ela é similar ao etanol e também metabolizado por ADH e ALDH (veja Ressaca II) porém produz formaldeído e ácido fórmico como produtos intermediários. Estes produtos são bastante tóxicos. Há afirmações que ADH e ALDH teriam maior afinidade pelo etanol que pelo metanol. Assim, a metabolização do metanol se iniciaria após a do etanol. Isto explicaria porque a ressaca se inicia quando não há mais etanol circulante.  Explicaria, ainda, porque o álcool de manhã seguinte reduz a ressaca, pois desvia de novo a ação das enzimas para o etanol, inibindo a produção dos produtos tóxicos do metanol.
Outro fator importante é a duração e qualidade do sono. A ressaca aparece com maior intensidade quando o sono é pouco e superficial. O cansaço prévio à noite perdida também é importante. Além de outras drogas consumidas, como o cigarro.
Entre os aspectos curiosos está a relação entre a ressaca e traços da personalidade.  Características como neurose, raiva e atitude defensiva são correlacionados com maior freqüência de ressaca. Eventos negativos de ocorrência recente e sentimento de culpa sobre a bebida também se associam com maior risco de ressaca.
Por isto, beba pouco para evitar a ressaca. Se você não pode beber uma bebida de melhor qualidade e não quer ter ressaca, pelo menos durma bem e sem sentimento de culpa.
Ilustração.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Ressaca II, extra immunologiam


Este post foi originalmente publicado em 14.fev.2009 no antigo site do LIMI e LIP.

A patogenia da ressaca não é bem conhecida. O envolvimento do sistema imune já foi discutido neste blog. Como salientado naquele post, há diversas limitações metodológicas para esta investigação. 
Um aspecto importante resulta do metabolismo do etanol.


A álcool desidrogenase (ADH) transforma o álcool em acetaldeído. O acetaldeído é bastante tóxico e precisa ser transformado em acetato pela aldeído desidrogenase (ALDH). Em concentração elevada o acetaldeído tem efeitos muito parecidos aos da ressaca. O problema para explicar a ressaca pela concentração de acetaldeído é que a ressaca acontece quando não há mais álcool na circulação, e assim sem acetaldeído livre.
A verdade é que sabemos muito pouco. Apesar disto afirma-se que:
A fadiga se explica pelas alterações do metabolismo hepático levando a hipoglicemia. Por isto são recomendados bebidas e alimentos doces.
A falta de apetite se deve aos agravos estomacais e gastrintestinais. Daí advém o conselho para ingerir alimentos gordurosos antes ou durante a bebida. Além de proteger o estômago, a lípida tornaria mais lenta a absorção alcóolica. Tenho colegas que quando jovens tomavam duas colheres de azeite doce (de oliva) antes de sair para a noite. Eu nunca testei.
A sensação terrível de sede, resultante de desidratação, é explicada pela ação anti-diurética do álcool. Sob efeito do álcool, eliminamos mais líquidos que ingerimos. A ingestão de 50 mL de álcool mesmo diluídos em mais 200 ml, ou seja num total de 250 mL, leva a uma perda de 600 a 1.000 mL. 
É possível calcular quantas gramas de etanol uma bebida possui. Para isso basta multiplicar o volume de álcool etílico indicado pela graduação da bebida pela densidade do etanol (aproximadamente 0,8 g/cm³) (19). Assim, 1L de cerveja a 6% (60 mL de álcool etílico) possui 48 gramas de etanol (60 mL x 0,8 g/cm³). Por outro lado, 1L de vodka a 40% (400 ml de álcool etílico) possui 320 gramas de etanol (400 ml x 0,8 g/cm³). Por isto mesmo, a dose usual de destilados é de 50 mL 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o consumo aceitável de álcool é de até 15 doses/semana para homens e 10 doses/semana para mulheres, sendo que uma dose contém de 8 a 13 gramas de etanol. Os homens não devem ultrapassar o consumo de três doses diárias de álcool e as mulheres, duas doses diárias. No caso da ressaca, o problema é ingerir as suas 15 doses da semana em uma noite. 
E a dor de cabeça? É possível que e a desidratação esteja envolvida. Não há nada comprovado. De todo modo, beber água é recomendável.
As citocinas podem estar envolvidas em todo o processo. É possível que seja a base da antiga recomendação da aspirina para a ressaca.
Voltamos à idéia do projeto. Será que um anti-inflamatório seria a panacéia para a ressaca?

Este post tem a contribuição de Antonio Reis Filho e Bruno Andrade. Esclareço, contribuição profissional, pois num projeto em que estão envolvidos precisam aferir o consumo de álcool pelos voluntários.
Muitas informações foram obtidas do artigo Alcohol Hangover Mechanisms and Mediators, de Robert Swift, & Dena Davidson na Alcohol Health & Research World: 22,:54-60, 1998.


Ilustração.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Champagne faz bem à saúde

Final de ano sempre aparece uma boa notícia. A divulgação de que a champagne faz bem à saúde bem na época de final de ano tem um apelo comercial tão forte que chega a ser preocupante. Contudo, a notícia é tão boa que acreditarei assim mesmo.

Pesquisadores de universidades do Reino Unido e da França publicaram no Bristish Journal of Nutrition que o consumo moderado de champagne tem um efeito cardioprotetor (leia o abstract abaixo).

Em entrevista sobre o artigo, os autores dizem que provavelmente os espumantes preparados de maneira similar (cava, proseco etc.) devem ter o mesmo efeito benéfico. Falam, ainda, que a mesma quantidade de polifenois está presente no chocolate. Com o calor que faz no final de ano, acho melhor deixar o chocolate para o São João e se tratar com espumante por enquanto. Tem gente que vai aproveitar para tomar champagne com chocolate.

“Moderate Champagne consumption promotes an acute improvement in acute endothelial-independent vascular function in healthy human volunteers

David Vauzour, Emily J. Houseman, Trevor W. George, Giulia Corona, Roselyne Garnotel, Kim G. Jackson, Christelle Sellier, Philippe Gillery, Orla B. Kennedy, Julie A. Lovegrove and Jeremy P. E. Spencer

British Journal of Nutrition,

doi:10.1017/S0007114509992959


Epidemiological studies have suggested an inverse correlation between red wine consumption and the incidence of CVD. However, Champagne wine has not been fully investigated for its cardioprotective potential. In order to assess whether acute and moderate Champagne wine consumption is capable of modulating vascular function, we performed a randomised, placebo-controlled, cross-over intervention trial. We show that consumption of Champagne wine, but not a control matched for alcohol, carbohydrate and fruit-derived acid content, induced an acute change in endothelium-independent vasodilatation at 4 and 8 h post-consumption. Although both Champagne wine and the control also induced an increase in endothelium-dependent vascular reactivity at 4 h, there was no significant difference between the vascular effects induced by Champagne or the control at any time point. These effects were accompanied by an acute decrease in the concentration of matrix metalloproteinase (MMP-9), a significant decrease in plasma levels of oxidising species and an increase in urinary excretion of a number of phenolic metabolites. In particular, the mean total excretion of hippuric acid, protocatechuic acid and isoferulic acid were all significantly greater following the Champagne wine intervention compared with the control intervention. Our data suggest that a daily moderate consumption of Champagne wine may improve vascular performance via the delivery of phenolic constituents capable of improving NO bioavailability and reducing matrix metalloproteinase activity.”


terça-feira, 2 de junho de 2009

Maiores bebedores e fumantes

Não se trata de dedurar alguém individualmente. São duas notícias em publicações inglesas. O Guardian (24.05.2009) revelou que o pessoal de imprensa é, como categoria profissional, a de maior consumo de álcool na Inglaterra “consuming the equivalent of more than four bottles of wine or more than 19 pints of beer a week, according to government research.

People in the profession drink an average of 44 units a week, around double the recommended limit, a Department of Health survey finds.

The NHS recommended maximum alcohol consumption for men is 21 to 28 units a week – three to four units a day. For women, the maximum is 14-21 units a week – two to three units a day.”

Só por curiosidade, as áreas de educação, viagem e transporte (ainda bem...) são os com menor consumo (média de 24 unidades por semana). Ou seja as categoria de menor consumo, têm uma média acima do máximo recomendado para mulheres e muito próximo do máximo para homens. Êta povo valente!

O Economist de hoje apresenta uma pesquisa sobre o consumo de cigarros em 123 países. A Grécia tem o maior consumo (mais de 8 cigarros por pessoa por dia!). Os europeus ocupam 17 dos 20 primeiros postos. O Brasil ficou no 75o (média de quase dois cigarros/pessoa/dia). Pensei que nosso consumo fosse menor. A Espanha ficou em 9o. com 6 cigarros/pessoa/dia, pela amosyragem do laboratório, pensei até que o consumo espanhol fosse maior.

Ilustração do Economist.