sábado, 3 de abril de 2010

Of Mice and Women



ResearchBlogging.org
Publicado originalmente no SBlogI, o blog da SBI.
O título completo do texto da Science é Of Mice and Women: The Bias in Animal Models e a paródia de Steinbeck se refere ao problema decorrente do uso majoritário de camundongos machos nos estudos experimentais e a preocupação de que os achados não se apliquem igualmente aos dois sexos. 
Segundo as autoras, os machos são mais baratos e mais fáceis de trabalhar que as fêmeas. Provavelmente elas se referiam apenas aos machos de camundongos, mas eu acho que vale para muitas espécies….
"It's cuckoo that for diseases such as asthma, stroke, pain, immune diseases, where there are huge sex differences, people are just studying male animals," says behavioral neuroscientist Irving Zucker, a professor emeritus at the University of California, Berkeley. "It just makes no sense."
Desde 1993, é necessária a inclusão de mulheres e de “minorias” nos ensaios clínicos conduzidos ou financiados pelo National Institutes of Health (NIH) devido à possibilidade dos tratamentos terem efeitos diferentes em diferentes populações. Um documento do Institute of Medicine (IOM) em 2001 chamava a atenção disto para as pesquisas em modelos animais. Apesar disto, a situação não mudou.
Recomendo ler o artigo e pensar no assunto ao planejar os experimentos.
Ilustração: Skewed by sex. A survey of journal articles from 2009 found the strongest bias toward male animals in fields most likely to translate into humans. CREDIT: ADAPTED FROM ANNALIESE K. BEERY AND IRVING ZUCKER.
Wald, C., & Wu, C. (2010). Of Mice and Women: The Bias in Animal Models Science, 327 (5973), 1571-1572 DOI: 10.1126/science.327.5973.1571

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Chocolate reduz stress


ResearchBlogging.org
Continuam as boas notícias sobre o chocolate. O consumo de chocolate escuro reduz o stress, segundo o estudo Metabolic Effects of Dark Chocolate Consumption on Energy, Gut Microbiota, and Stress-Related Metabolism in Free-Living Subjects, do J. Proteome Res. em 2009. A hipótese avaliada foi a de que a dieta influencia o metabolismo basal humano e a atividade da microbiota intestinal. 
Foi realizado um ensaio clínico com 30 indivíduos, classificados como de alta e baixa ansiedade, no qual se avaliou o efeito do consumo de 40 g de chocolate escuro por 14 dias. No início, com uma semana e no final do estudo, foi avaliado o metaboloma (ressonância nuclear magnética e espectrometria de massa), no plasma e na urina, para avaliação de alterações globais. Vejam a sofisticação metodológica empregada para avaliar o efeito do chocolate.
Os indivíduos com alta ansiedade apresentaram perfil de metaboloma em relação à homeostasia energética (lactato, citrato, succinato, trans-aconitato, uréia, prolina), metabolismo hormonal (adrenalina, DOPA, 3-metoxi-tirosine), atividade da microbiota intestinal (metilaminas, p-cresol sulfato, hipurato). distinto dos indivíduos com baixa ansiedade. 
O consumo de chocolate escuro reduziu a excreção urinária de cortisol (hormônio associado a stress), de catecolamina e parcialmente corrigiu as diferenças de metabolismo energético e à atividade da microbiota relacionados ao stress
Eles concluem:
“The study provides strong evidence that a daily consumption of 40 g of dark chocolate during a period of 2 weeks is sufficient to modify the metabolism of free living and healthy human subjects, as per variation of both host and gut microbial metabolism.”
Como os indivíduos testados não estavam reclusos é de esperar uma ampla variação de outros componentes da alimentação, outros hábitos e vários outros fatores. Considerando que a amostra não é muito grande, fiquei surpreso que o estudo tivesse poder para identificar tantas diferenças. Se tudo  está correto (e seria bom ter resultados em outras populações), podemos concluir que o efeito do chocolate é bastante importante. Outro aspecto que me pareceu bastante interessante é o do uso desta metodologia para outros estudos no homem, com avaliações bastante abrangentes. 
O que está acontecendo? Além dos dados discutidos neste artigo, outras boas notícias sobre o consumo (moderado) de álcool e de chocolate foram postadas recentemente. 

Martin, F., Rezzi, S., Peré-Trepat, E., Kamlage, B., Collino, S., Leibold, E., Kastler, J., Rein, D., Fay, L., & Kochhar, S. (2009). Metabolic Effects of Dark Chocolate Consumption on Energy, Gut Microbiota, and Stress-Related Metabolism in Free-Living Subjects Journal of Proteome Research, 8 (12), 5568-5579 DOI: 10.1021/pr900607v

Obesidade e Santa Ceia


ResearchBlogging.org
Quando a gente pensa que já viu tudo e nada mais surpreenderá, aparece algo novo. Alguém avaliar o aumento das porções de comida ao longo do tempo medindo o tamanho da comida e dos pratos em diversas representações da Santa Ceia é insólito. Estes dados constam do trabalho The largest Last Supper: depictions of food portions and plate size increased over the millennium publicado no International Journal of Obesity em 23 de março de 2010. Como o artigo aparece na época da Semana Santa, chamou mais ainda a atenção. 
Para os hereges, esclareço: o que tem a ver a Santa Ceia com a Semana Santa? A Santa Ceia foi a última refeição feita por Jesus com os seus 12 apóstolos. A Semana Santa, por sua vez, relembra a Paixão de Cristo. Ou seja, a Última Ceia aconteceu na 5a-f que precede a sua paixão na Sexta Feira Santa. 
Os irmãos Wansink (do Applied Economics and Management Department, Cornell University e do Religious Studies Department, Virginia Wesleyan College) resolveram examinar 52 das mais conhecidas representações artísticas da Santa Ceia feitas ao longo do último milênio. Eles incluíram a L’Ultima Cena de Leonardo (para os pouco ligados à arte: o quadro da Santa Ceia de Leonardo da Vinci, do sec. XV e copiado acima do post).
Eles mediram nos 52 quadros escolhidos ao longo dos anos 1.000 a 2.000 AD (bem, o AD você sabe que significa Anno Domini, Ano do Senhor ou seja depois de Cristo) o tamanho dos pratos, da refeição e do pão. Como há uma variação importante nas dimensões dos quadros, eles normalizaram em relação ao tamanho das cabeças representadas em cada quadro. Os elementos foram escanerizados, rodados (rotated é traduzido assim?), e calculados (independentemente da sua orientação no quadro) com uso de um programa de CAD-CAM. 
As porções do prato principal tiveram um aumento de 69% (r=0.52, P=0.002) ao longo do milênio analisado. O prato cresceu 66% (r=0.46, P=0.02) e o pão 23% (r=0.30, P=0.04), no mesmo período.
O quadro reproduzido abaixo você acha que foi pintado antes ou depois do de Leonardo?


Como este artigo pode deprimir um pouco, achei interessante animar os leitores. Veja a piada (também de época) enviada pelo colega Isaac Roitman:


"Glossário:
Pessah - Pascoa judia
Shüll - Escola
Yidisshe mame - Mãe judia
Ingale - Menino
Moishe Rabeinu - Moisés (10 mandamentos)
Rebetzzer - Mulher do rabino
Mame - Mãe
Chabad - Judeus religiosos

Quando Shloimale, de 9 anos chegou em casa, vindo do Shüll, sua santa yidisshe mame perguntou– lhe :
- Ingale, o que vc. aprendeu hoje



- O Rav. Waitberg contou que Moishe Rabeinu pulou de paraquedas detrás das linhas inimigas, a fim de resgatar os judeus do Egito. Aí, quando chegaram ao Mar Vermelho, Moishe ordenou aos seus engenheiros que construíssem rapidamente um ponte. Quando finalmente todos os judeus atravessaram a ponte, a fim de evitar que o exército egípcio pudesse ainda alcançar o nosso povo, Moishe pegou o seu celular e ordenou que a nossa aviação bombardeasse a ponte, e assim, milagrosamente – como dizem os nossos sábios – os judeus se salvaram para poder comemorar Pessach !

A rebetzzer, incrédula voltou a perguntar:
- Você tem certeza que foi isso mesmo que o Rabino ensinou ?


- Para falar a verdade, mame, se eu reproduzir a versão que os rabinos do Chabad contaram, aí é que você não iria acreditar mesmo..."


Wansink, B., & Wansink, C. (2010). The largest Last Supper: depictions of food portions and plate size increased over the millennium International Journal of Obesity DOI: 10.1038/ijo.2010.37

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Anunciada revista conjunta da Science e da Nature


Apareceu no Twitter o anuncio de publicação conjunta da Science e da Nature.
O link leva para a capa da publicação:

Atente para a data da publicação e
aproveite o sofisticado Primeiro de Abril!


Adicionado posteriormente:
Até a Science fazendo Primeiro de Abril.
Happy Fool's Day.

Ciencia, Tecnologia e Inovação: Universidades e Centros de Pesquisa

Coloco abaixo minha apresentação, dia 31.03.2010, na Mesa Redonda: Ciencia, Tecnologia e Inovação: Universidades e Centros de Pesquisa do evento "Pensar a Bahia", promovido pela Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia.



Para ver diretamente no YouTube, clique aqui.