quarta-feira, 14 de março de 2012

Desenvolvimento sustentável será tema do Programa L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência



Agência FAPESP – A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) anunciaram a sétima edição brasileira do Programa L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência. As inscrições poderão ser feitas entre os dias 19 de março e 13 de maio.
Nesta edição, o programa dará prioridade a estudos que contribuam para o desenvolvimento sustentável, em suas vertentes econômica, ambiental e social. O tema remete às discussões que ocorrerão na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).
O objetivo da premiação é incentivar a presença da mulher na linha de frente do conhecimento e garantir visibilidade ao trabalho das pesquisadoras, além de oferecer condições favoráveis para a continuidade de projetos por meio do auxílio financeiro.
Podem se inscrever no programa cientistas das áreas de Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde, Ciências Físicas, Ciências Matemáticas e Ciências Químicas. Cada profissional vencedora recebe bolsa-auxílio no valor equivalente a US$ 20 mil. Lançado em 2006, o programa já beneficiou ao todo 40 jovens cientistas no país, distribuindo mais de R$ 1 milhão em bolsas-auxílio.
Mais informações: http://loreal.abc.org.br 

CIÊNCIA E SUSTENTABILIDADE

Indissociáveis, ciência e sustentabilidade caminham juntas na direção de um mundo que continue ultrapassando as próprias esferas do conhecimento, e possa suportar o bem-estar e as necessidades humanas e ambientais das próximas gerações. Entre os infinitos desafios da ciência enquanto instrumento de desenvolvimento da humanidade, urge um compromisso irrecusável com a descoberta de alternativas que levem à evolução do modo de produzir e consumir dos dias de hoje. Pesquisas de
tecnologias que reduzem o impacto ambiental, descoberta de matérias-primas alternativas, novas soluções para o melhor aproveitamento dos recursos naturais: estas são algumas das buscas incessantes da ciência no caminho de um planeta com mais equilíbrio para todos.
2012 desponta como um ano especial no que tange à sustentabilidade. Pela segunda vez, o país sedia, no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que
vai reunir representantes de todas as nações mundiais para discutir o comprometimento político sobre o tema. Na L'Oréal Brasil, este será o ano do lançamento do primeiro Relatório de Sustentabilidade, reunindo todas as iniciativas e compromissos da empresa com o crescimento sustentável.

Incentivo à submissão de pesquisas
ligadas à sustentabilidade

Por tudo isso e para chamar ainda mais atenção para este cenário, em 2012, o Para Mulheres na Ciência terá um olhar especialmente sustentável. Mantendo-se os critérios de qualidade, será dada prioridade a estudos que contribuam para o desenvolvimento da sustentabilidade, seja ela econômica, ambiental ou social. Uma decisão conjunta da L'Oréal Brasil, Academia Brasileira de Ciências e Comissão Nacional da UNESCO para dar ainda mais visibilidade a um tema tão fundamental para o futuro do planeta.

INCREVA SEU PROJETO DE PESQUISA
inscrições abertas de 19/03/2012 a 13/05/2012

Você pode ser selecionada para ganhar uma Bolsa-auxílio Grant no valor, em reais, equivalente a US$ 20.000,00.
Serão Oferecidas 7 Bolsas-auxílio Grant divididas entre as seguintes áreas de pesquisa:
    • Ciências Físicas (1 Bolsa)
    • Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde (4 Bolsas)
    • Ciências Matemáticas (1 Bolsa)
    • Ciências Químicas (1 Bolsa)

terça-feira, 13 de março de 2012

Elevated inflammatory markers at preschool age precede persistent wheezing at school age.

Post de Kiyoshi Fukutani

ResearchBlogging.orgO resfriado é um dos sintomas clássicos da infecção respiratória e cerca de 30% das crianças que adquirem um resfriado persistente evoluem para asma. O estudo de Martinez e colaboradores em 1995 identificou em sua coorte quatro fenótipos de resfriado: Early transient, late onset, persistent e Non-wheezing, levando em consideração os mediadores inflamatórios e a função pulmonar.
Medir a função pulmonar e os marcadores inflamatórios do pulmão em crianças sem a sua cooperação é uma tarefa difícil. A criação de novos métodos mais confortáveis e menos invasivos é uma necessidade tanto no diagnóstico das enfermidades como para se manter a continuidade de uma pesquisa. Para isso os autores utilizaram o EBC (Exhaled Breath Condensate): “Exhaled breath condensate (EBC) is the exhalate from breath, that has been condensed, typically via cooling using a collection device (commonly to 4°C or subzero temperatures using a refrigerating device). EBC reflects changes in the respiratory fluid that lines the airways and is an inexpensive, non-invasive tool that has potential for scientific research, screening or diagnosing diseases of the lung and other conditions. It has long been appreciated that the exhaled breath is saturated by water vapour (e.g. by wind musical instrument players), but using it for studies of the lung was probably first described in the Russian scientific literature)”.
O esquema da técnica pode ser observado no paper de McCafferty e colaboradores 2004 (Effects of breathing pattern and inspired air conditions on breath condensate volume, pH, nitrite, and protein concentrations) ou na página.
Com este ar condensado exalado é possível, através do Luminex, se identificar uma gama de moléculas que podem ser desde receptores a quantidade de ácidos nucléicos. A técnica consiste na hibridização de um peptídeo, um anticorpo, um receptor ou uma ácido nucléico (RNA, DNA ou cDNA) em uma bead fluorescente que será lida pelo aparelho, caso o seu template seja encontrado na amostra.
Com esta metodologia os autores conseguiram através de um método não invasivo quantificar os marcadores inflamatórios (IL-2, IL-4, IL-8, IL-10) e o ICAM (Intercellular Adhesion Molecule 1) em 97% das amostras. Observando diferenças estatísticas nas citocinas IL-4, IL-8 e IL-10 entre as crianças com resfriado transiente, resfriado persistente e sem resfriado. A concentração do IL-2 foi significante entre as crianças com resfriado e sem resfriado, porém não houve diferenças entre o tipo de resfriado (transiente e persistente). Esta técnica não invasiva se mostrou, portanto, uma opção para se estudar esta população.

van de Kant, K., Jansen, M., Klaassen, E., van der Grinten, C., Rijkers, G., Muris, J., van Schayck, O., Jöbsis, Q., & Dompeling, E. (2011). Elevated inflammatory markers at preschool age precede persistent wheezing at school age Pediatric Allergy and Immunology DOI: 10.1111/j.1399-3038.2011.01244.x

segunda-feira, 12 de março de 2012

A Idolamina 2,3 dioxigenase




Post de Rômulo Santiago

A Idolamina 2,3 dioxigenase (IDO) oxida o triptofano (TRP), um aminoácido essencial, à N-formilquinurenina que é rapidamente deformilado a quinurenina (QUIN). Além disso, a IDO atua como um fator de transdução de sinal intracelular, conferindo um fenótipo tolerogênico estável às células dendríticas em reposta ao TGF-b, o que leva a maior expressão de IDO e TGF-b (1).

Esta enzima é expressa em locais específicos de diferentes tecidos, como no trato gastrointestinal, sistema reprodutor masculino e sistema urinário. Observa-se IDO em células dendríticas, macrófagos, monócitos, eosinófilos, epiteliais, fibroblastos, músculo vascular liso, endoteliais e algumas linhagens de tumores.

Alguns trabalhos demonstraram o papel da IDO na tolerância e imunossupressão (2, 3), uma vez que, ela foi considerada uma proteína fundamental na caracterização de células dendríticas com função regulatória (4) e macrófagos com atividade supressora (5). A expressão da IDO em células dendrítica está ligada a interação desta célula com linfócitos Treg através dos receptores de membrana B7/CTLA-4 e pela citocina INF-g (6). A IDO ativa as células T reguladoras (Treg) e impede sua conversão em T auxiliar 17 (Th17) (7)

A IDO leva à supressão das células do sistema imune, principalmente linfócitos T efetores (Teff), através de três mecanismos principais: (I) privação do triptofano, (II) ação direta do QUIN sobre células efetoras e, (III) indução da enzima hemoxigenase (HO) em células Treg. A HO metaboliza o heme e um dos subprodutos da reação, o monóxido de carbono, inibe a transcrição da quimiocina IL-2 em células Teff, inibindo a proliferação (8, 9).

Este é um ciclo de retroalimentação positiva. A diminuição de triptofano e aumento de compostos como QUIN, atua inibindo células efetoras, e o aumento do TGF-b ativa Treg e células dendríticas supressoras. As células Treg são capazes de suprimir a atividade de células Teff e também podem induzir à expressão de IDO em células dendríticas, tornando-as supressora. Esse processo é importante aos antígenos de feto alogênico, e em células ou tecidos transplantados, diminuindo a rejeição de tecido doado (10). Da mesma forma, a IDO se torna importante no controle da infecção por Toxoplasma gondii (11)

Esta ação pode ser patogênica em algumas situações, como em alguns tipos tumorais (12, 13), e durante a infecção por L major (14). A IDO, desta forma, favorece o escape das células tumorais e da Leishmania do sistema imunológico, uma vez que, a presença de células dendríticas IDO+ em linfonodos de drenagem tumoral e da lesão, silencia as células T efetoras e, converte células T naive à Treg, favorecendo o crescimento tumoral e a persistência do parasita.

A IDO induzida pela infecção por Leishmania atenua a resposta imunológica inata e adquirida, atuando como um interruptor molecular, regulando a resposta imunológica do hospedeiro. Assim, as drogas inibidoras de IDO poderiam melhorar a resposta imunológica do hospedeiro em uma infecção já estabelecida por Leishmania (15).

1. Pallota, M.T. et al (2011) Indoleamine 2,3-dioxygenase is a signaling protein in long-term tolerance by dendritic cells. Nat. Immunol. 12, 870–878.

2. Munn, D.H. et al (1998) Prevention of allogeneic fetal rejection by tryptophan catabolism. Science. 1998 Aug 21;281(5380):1191-3.

3. Mellor A.L., Munn D.H. (1999) Tryptophan catabolism and T-cell tolerance: immunosuppression by starvation? Immunol Today. Oct;20(10):469-73.

4. Popov A, Schultze J.L. (2008) IDO-expressing regulatory dendritic cells in cancer and chronic infection. J Mol Med (Berl). Feb;86(2):145-60.

5. Yeh K. et al (2007) Complementary suppression of T cell activation by peritoneal macrophages and CTLA-4-Ig. Immunobiology. 2007;212(1):1-10.

6. Fallarino, F.et al (2003) Modulation of tryptophan catabolism by regulatory T cells. Nat. Immunol. 4:1206.

7. Baban, B. et al (2009) IDO activates regulatory T cells and blocks their conversion into Th17-like T cells. J Immunol. Aug 15;183(4):2475-83. Epub 2009 Jul 27.

8. Brusko, T.M. et al (2005) An Integral Role for Heme Oxygenase-1 and Carbon Monoxide in Maintaining Peripheral Tolerance by CD4+CD25+ Regulatory T Cells. J Immunol. 174: 5181-5186.

9. Chen W et al (2008) The indoleamine 2,3-dioxygenase pathway is essential for human plasmacytoid dendritic cell-induced adaptive T regulatory cell generation. J Immunol. Oct 15;181(8):5396-404.

10. Jia L. et al (2009) Immunoregulatory effects of indoleamine 2, 3-dioxygenase in transplantation. Transpl Immunol. May;21(1):18-22.

11. Divanovic S. et al (2011) Opposing Biological Functions of Tryptophan Catabolizing Enzymes During Intracellular Infection. J Infect Dis. Oct 11.

12. Fallarino F. et al (2006) The combined effects of tryptophan starvation and tryptophan catabolites down-regulate T cell receptor zeta-chain and induce a regulatory phenotype in naive T cells. J Immunol. Jun 1;176(11):6752-61.

13. Muller A.J. et al (2005) Inhibition of indoleamine 2,3-dioxygenase, an immunoregulatory target of the cancer suppression gene Bin1, potentiates cancer chemotherapy. Nat Med. Mar;11(3):312-9.

14. Makala L.H. et al (2011) Leishmania major attenuates host immunity by stimulating local indoleamine 2,3-dioxygenase expression. J Infect Dis. Mar 1;203(5):715-25.

15. Makala H.C. (2012) The role of indoleamine 2, 3 dioxygenase in regulating host immunity to Leishmania infection. J Biomed Sci. 2012 Jan 9;19:5.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Cationic liposomes containing soluble Leishmania antigens (SLA) plus CpG ODNs induce protection against murine model of leishmaniasis


Post de Fabiana Celes

ResearchBlogging.orgA leishmaniose é grupo de doenças com espectro clínico distinto, que varia desde lesões cutâneas com cura espontânea até a forma visceral, mais grave e potencialmente fatal. O desenvolvimento de uma vacina efetiva contra a leishmaniose é factível, uma vez que os indivíduos acometidos pela leishmaniose cutânea (LC) desenvolvem uma proteção de longa duração após a cura. Esta proteção é observada tanto em indivíduos naturalmente infectados, quanto naqueles submetidos à leishmanização.

As vacinas de primeira geração contra leishmaniose consistiram em parasitas inteiros mortos ou frações destes associados ou não a moléculas adjuvantes. Algumas pesquisas avançaram até ensaios clínicos de fase 3, entretanto algumas destas demonstraram eficiência profilática limitada, fato que foi associado à ausência de moléculas adjuvantes adequadas.

Os oligodeoxinucleotídeos não metilados contendo CpG (ODNs-CPG) possuem ação adjuvante quando utilizados em vacinas, melhorando a função das células apresentadoras de antígeno e impulsionando o desenvolvimento de uma resposta imune humoral e celular específica contra o antígeno vacinal. Esta ação pode ser aprimorada quando ODNs-CpG são mantidos em proximidade com as moléculas antigênicas da vacina [1], o que pode ser feito através do encapsulamento destes compostos em lipossomas, por exemplo.

No presente trabalho, Sharg e colaboradores (2012) avaliaram o efeito protetor do antígeno solúvel de Leishmania major (SLA) encapsulado ou não em lipossomas (Lip), na presença ou ausência de ODNs-CpG. Para isso, camundongos BALB/c foram imunizados na pata esquerda (via subcutânea) com uma das seguintes formulações: Lip-SLA-CpG; Lip- SLA; SLA- CpG; SLA; ou tampão HEPES (CTR). O esquema de imunização consistiu em 3 doses com intervalos de 2 semanas entre elas.

Duas semanas após a última imunização os animais foram desafiados com L. major e verificou-se que o SLA sozinho não foi capaz inibir o desenvolvimento de lesão na pata nem de reduzir a carga parasitária no baço. A estimulação de esplenócitos destes animais demonstrou elevada produção de IL-4 e razão IgG2a/ IgG1 menor que 0,8, o que sugere o desenvolvimento de uma resposta do tipo Th2.

Em contrapartida, as imunizações com Lip-SLA-CpG, Lip-SLA e SLA-CpG foram capazes de controlar a lesão e reduzir a carga parasitária no baço, com baixa produção de IL-4. Quanto as subclasses de IgG, demonstrou-se que o CpG sozinho foi capaz de induzir uma resposta Th1 conferindo proteção parcial, mas o encapsulamento do SLA e CpG com lipossoma (Lip-SLA-CpG) elevou ainda mais esta resposta, apresentando maior razão IgG2a/IgG1.

Este trabalho ressalta que as moléculas adjuvantes e de delivery de antígenos tem um papel muito importante na eficácia de vacinas e estudos que contemplem estas moléculas podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de uma vacina contra a leishmaniose.

Referências:

Heravi Shargh V, Jaafari MR, Khamesipour A, Jalali SA, Firouzmand H, Abbasi A, & Badiee A (2012). Cationic liposomes containing soluble Leishmania antigens (SLA) plus CpG ODNs induce protection against murine model of leishmaniasis. Parasitology research PMID: 22223037

[1] Bode C, Zhao G, Steinhagen F, Kinjo T, Klinman DM. CpG DNA as a vaccine adjuvant. Expert Rev Vaccines. 2011 Apr;10(4):499-511.