O blog Science blogging in theory and practice relembrou há pouco (aqui) o livro de Rae Goodell "The Visible Scientists", de 1977, sobre o que torna um cientista famoso.
Brevemente, na época, os pontos fundamentais foram:
- Reputação com credibilidade;
- Pertencer a uma instituição conhecida;
- Trabalhar num assunto em voga;
- Ser controverso;
- Ter uma imagem pouco usual;
- Ser articulado e “citável”.
Há que se distinguir entre “fama” no sentido usado aqui, de reconhecimento pela imprensa e grande público, do reconhecimento e valorização pelos pares.
Como é a situação hoje e no Brasil? Não há dados, que eu conheça.
Quanto à reputação, creio que permanece como fator importante. O ponto crítico é se a reputação tem realmente elementos que lhe dêem crédito. Temos muitos “cientistas” com grande reputação na imprensa e no público que não poderiam ser denominados cientistas, se alguma evidência para tal fosse avaliada.
No Brasil, a instituição ajuda, para um círculo restrito, mas não para o público ou imprensa. Alguém sabe onde trabalham os “cientistas” factotum da imprensa brasileira? Á época do livro, os tópicos de aumento da população, o espaço e a antropologia faziam sucesso. Hoje temos o aquecimento global e as células tronco. Na verdade, um “cientista” bom para a imprensa fala com autoridade sobre qualquer destes tópicos.
O extravagante continua a fazer sucesso em vários campos, mas creio que não tem sido muito valorizado no tema da ciência. Os nossos “cientistas” midiáticos até parecem bem “normalzinhos”
Eu listaria como pontos fortes para que um cientista faça sucesso com a imprensa brasileira:
- Não fazer ciência;
- Falar sobre qualquer tema;
- Falar com “autoridade”, ou seja, sem dúvidas, embora a dúvida seja ponto fundamental da ciência.
Infelizmente, estas características são buscadas pela imprensa não somente na ciência.
Ilustração. O Salvarsan de Paul Ehrlich (um grande cientista, polêmico e com vida bastante rocambolesca).
