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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cool Science Image Contest 2012

A foto abaixo ganhou um a menção honrosa no Cool Scinece Image Contest de 2012.
How cool is that?

Monster Inside Me, Chia-Hung Christine Hsiao
A tropical infectious disease called Leishmaniasis is spread by sand flies. When bitten, the Leishmania parasite is delivered from the saliva of the sand fly into the bloodstream. The parasite is taken up by immune cells and will stay inside the cell to avoid being eliminated by the host. This confocal microscope image shows the interaction between the parasite and the host cell. The intruders are engulfed through a phenomenon termed phagocytosis.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Detecção molecular de Leishmania

Post de Kiyoshi F. Fukutani


Seguem abaixo dois comentários sobre artigos de detecção de leishmania por PCR em tempo real. O primeiro deles foi publicado em marco deste ano, com o título de Molecular diagnosis of Old World Leishmaniasis: Real-time PCR based on tryparedoxin peroxidase gene for the detection and identification of Leishmania spp. Escrito Sharifeh Khosravi e colaboradores, todos provenientes do Irã, e é incrível como o Irã tem aparecido cada vez mais nos periódicos científicos. Segundo a revista Galileu (revista de circulação aberta e popular no brasil). “Qual país teve um "boom" de produção científica entre 1996 e 2008, saltando de 736 artigos publicados para 13.238? A resposta - o Irã - pode surpreender muitas pessoas, especialmente nos países ocidentais acostumados a liderar a maioria das pesquisas científicas. O Irã, no entanto, tem a maior taxa de crescimento na publicação de artigos científicos no mundo”...“E se as relações políticas entre o Irã e os EUA estão tensas, parece que os cientistas dos dois países estão se relacionando sem problemas: o número de trabalhos colaborativos entre eles aumentou quase cinco vezes (de 388 para 1831) no período estudado”... “A rápida ascensão do Oriente Médio, da China, da Índia e do Brasil no campo da ciência se destaca em um relatório publicado nesta semana pela Royal Society do Reino Unido, comparando a publicação global e as taxas de citações entre 1993 e 2003 com as taxas de citação entre 2004 e 2008”. Leia aqui.

Neste artigo cientifico é confirmada mais uma vez pelos autores a alta sensibilidade das técnicas moleculares em se identificar a presença do parasito. Porém, o diferencial deste trabalho é o alvo escolhido, que é o tryparedoxin peroxidase uma enzima presente nos tripanossomátideos que os protegem contra o stress oxidativo (aqui). Este gene está presente na Leishmania major em três cópias, em tandem no cromossomo 15 (Multicopy gene in tandem array, expressed in all life cycle stages (PMID:9632596), (PMID:9851612); Preferentially oxidise the sulphydrl groups on conserved cysteine residues (PMID:8386507). O ponto alto do texto é a adição de mais um gene a grande lista de possíveis marcadores para se detectar a Leishmania spp.

O outro artigo é de Weirather, do grupo da Mary E. Wilson: Serial Quantitative PCR Assay for detection, species discrimination, and quantification of Leishmania spp. in Human Samples. Publicado na Journal of clinical microbiology. Nov. 2011. Este artigo é muito denso e completo, selecionado por mim como um trabalho de cabeceira para implementação de técnicas de PCR para detecção do parasito. Inicialmente os autores descrevem os genes mais utilizados para detecção de Leishmania por PCR em tempo real, “visitando toda a vizinhança” do kDNA (tanto o mini como o max círculos) a polimerase. O texto também explica a variação da sensibilidade das reações a depender do número de cópias do alvo e os autores padronizam uma corrida com o SYBR e com  sondas Taqman para identificação das espécies de Leishmania através da análise da curva de dissociação.
Um ponto importante do artigo é o teste das amostras, mostrando que a metodologia aplicada é sensível o suficiente para trabalhar com as amostra dos pacientes de área endêmica e o experimento de Stage-Conversion, mostrando que estes genes mudam seu número de cópias a depender do estágio em que a Leishmania se encontra. Assim, os alvos de amplificação localizados no minicírculo são constantes, independente de onde se encontre a leishmania (flebotomieo ou dentro do macrófago) enquanto que os alvos do maxicírculo são diferenciáveis (no flebotomieo e no macrófago). O artigo também especula a possibilidade do parasito estar infectando bolsas de sangue, que foi material de estudo do meu mestrado. Ficamos por aqui até a próxima pessoal.




quarta-feira, 27 de junho de 2012

Peptídeos sintéticos para melhorar o imunodiagnóstico das leishmanioses humana e canina


Post de Rayssa Carvalho
A Leishmaniose Visceral é uma zoonose, causada pela Leishmania infantum, que tem como principal hospedeiro o cão. No Brasil, utiliza-se a Imunofluorescência indireta (RIFI) e o ELISA como principais testes diagnósticos. Entretanto, a especificidade e sensibilidade destas técnicas são comprometidas pelo uso de uma complexa mistura de antígenos, que reduz a acurácia destas favorecendo a manutenção de cães doentes, o que tem comprometido o controle da doença que é baseado na eliminação destes. Neste contexto o uso de combinações de antígenos, previamente definidos, aparece como uma alternativa favorável e que pode gerar melhores resultados. 
Com base nisso, o estudo com o título indicado acima do post (doi:10.1371/journal.pntd.0001622), testou combinações de peptídeos derivados de antígenos já utilizados no diagnóstico de Leishmaniose em soros de 106 cães e 44 pacientes humanos.
Os cães foram divididos em três grupos. O primeiro grupo é constituído por 14 soros negativos para leishmaniose; o segundo grupo é formado por soros de cães doentes, sendo 17 sintomáticos e 13 assintomáticos, oriundos de uma mesma área endêmica. O terceiro grupo é formado por 62 amostras, oriunda de diversas áreas endêmicas. Todos os soros foram testados sorologicamente (RIFI e ELISA) e parasitologicamente (PCR e esfregaço de medula óssea). Os soros positivos foram também divididos de acordo com a reatividade na RIFI em: baixa reatividade (n=20)(<1:320);intermediária (n=20)(>1:320<1:640) e alta reatividade (n=22)(>1:640).Os soros humanos foram obtidos de pacientes com Leishmaniose Visceral ativa.
As proteínas A2 (peptídeo 47), NH (peptídeo 17 e 18), LACK (peptídeo 19) e k39 (peptídeo 13) foram selecionadas de epítopos de células B, através de técnicas de bioinformática, e os peptídeos sintéticos derivados destas foram testados por ELISA nos soros selecionados.
Todos os peptídeos foram capazes de detectar os soros positivos tanto de cães sintomáticos como dos assintomáticos. Uma alta sensibilidade (100%) foi detectada em todos os peptídeos quando foram testados, individualmente, em cães com alta reatividade na RIFI. Entretanto, houve uma diminuição dessa sensibilidade, quando foram testados os soros de intermediaria a baixa reatividade na RIFI.
Para testar a hipótese de que a combinação de peptídeos poderia aumentar a sensibilidade do ELISA na detecção de LV, os autores fizeram combinações de dois peptídeos cada, e testaram nos soros de cães com baixa e intermediaria reatividade.
Nos soros com baixa reatividade, os peptídeos 13 e19, e 47 e 18 apresentaram os melhores resultados, com sensibilidade de 95% e especificidade de 100%.
Nos soros humanos selecionados, os peptídeos 17 e 19, individualmente, obtiveram os melhores resultados com uma sensibilidade de 100% e especificidade de 81% e 94%, respectivamente (Tabela 3). A combinação de peptídeos aumentou a sensibilidade e especificidade entre os peptídeos 13 e 19, 18 e 19, e 13 e 47 com sensibilidade de 100% e especificidade variando de 93% e 100% (Tabela 3)
Portanto, a combinação de peptídeos sintéticos identificados a partir de epítopos de células B, pode ser uma ferramenta útil no desenvolvimento de testes sorológicos com alta sensibilidade e especificidade na leishmaniose visceral humana e canina. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Atividade in vitro e in vivo de um complexo paladaciclo sobre Leishmania (Leishmania) amazonensis


ResearchBlogging.org
Post de Gabriela B. C. Garcia
A Organização Mundial de Saúde estima que 1,5 milhões de pessoas sejam infectadas com leishmaniose cutânea e 500.000 sejam diagnosticadas com leishmaniose visceral a cada ano. As formas de tratamento atualmente disponíveis são limitadas pela toxicidade para o hospedeiro, aliada ao desenvolvimento da resistência pelos parasitas (Goto et al, 2010 e Polonio et al, 2008). Em consequência, esta doença caracteriza-se como um grave problema de saúde pública. 
A busca por novas drogas leishmanicidas é um objetivo que tem mobilizado a comunidade científica. Pesquisadores (Maekawa et al, 1998; Ponte-Sucre et al, 2006 e Selzer et al, 1999) demonstraram in vitro e in vivo que inibidores de proteases de cisteína são capazes de comprometer a viabilidade dos parasitas do gênero Leishmania. Além disso, foi registrado que drogas antitumorais podem exibir atividade leishmanicida (Fuertes et al, 2008).  
Complexos ciclopaladados apresentaram atividade antitumoral in vitro e in vivo, além de baixa toxicidade em animais (Caires et al, 2007). A ação leishmanicida e tripanocida desses complexos também foi registrada (Fricker et al, 2008; Matsuo et al, 2010 e Navarro et al, 2008). Existem evidências de que complexos paladaciclos são capazes de destruir células tumorais através da suspensão da atividade da catepsina B e efeito inibitório sobre as proteases de cisteína de Leishmania (Bincoletto, 2005). Estes resultados motivaram Paladi e colaboradores (2012) a investigar os efeitos de um composto paladaciclo, DPPE 1.2, em promastigotas e amastigotas presentes em lesões cutâneas de camundongos infectados com L. (L.) amazonensis
Experimentos com promastigotas submetidos a 75 e 150 nM do DPPE 1.2 indicaram atividade inibidora de crescimento durante o primeiro dia de tratamento. Após 2 e 3 dias em contato com a droga, cerca de 100% dos parasitas foram eliminados. 
Em macrófagos infectados com L. (L.) amazonensis, a taxa de eficácia leishmanicida do DPPE 1.2 foi dependente da dose. Taxas similares de eliminação do parasita foram obtidas com o uso do Glucantime. No entanto, o presente antimonial agiu em concentrações significativamente mais elevadas (200x mais) em relação às concentrações do DPPE 1.2 utilizadas.
Camundongos BALB/c infectados receberam injeções de DPPE 1.2 em suas lesões no pé durante um mês. Após 24 dias de tratamento, esses animais apresentaram redução significativa do tamanho da lesão em comparação aos animais controle. Camundongos que receberam injeções de Glucantime exibiram melhora similar da lesão, após 16 dias de tratamento.  A diminuição da carga parasitária nos animais submetidos aos dois tratamentos foi considerável (97% - DPPE 1.2 e 99% - Glucantime).
Os resultados alcançados comprovam a ação leishmanicida do complexo paladaciclo DPPE 1.2 em L. (L.) amazonensis. São vantagens da referida droga em relação às outras:
  1. O DPPE 1.2 destrói promastigotas em concentrações muito baixas; 
  2. A atividade leishmanicida contra amastigotas apresenta toxicidade 10x menor aos macrófagos;
  3. A eficácia na eliminação do L. (L.) amazonensis é semelhante à de outros compostos testados, entretanto, maiores concentrações desses compostos são necessárias;  
  4. Ensaios da atividade hepática e renal foram feitos após o tratamento e indicaram que o DPPE 1.2 é aparentemente ausente de toxicidade para os camundongos BALB/c.
O DPPE 1.2 também exerceu influência na atividade proteolítica do parasita, através da inibição da ação das proteases de cisteína em amastigotas, mais significativamente, a redução na atividade da catepsina B. No entanto, as proteases de cisteína dos macrófagos não foram inibidas. No presente estudo, este complexo inibiu a catepsina B de L. (L.) amazonensis em concentrações acima das necessárias para matar o parasita. Estes resultados sugerem que não há uma relação direta entre o efeito leishmanicida do DPPE 1.2 e a inibição da catepsina B do L. (L.) amazonensis. Outros alvos justificam o efeito leishmanicida do DPPE 1.2. 
Complexos ciclopaladados têm sido relacionados com efeitos organela-específicos nas células tumorais. Eles podem induzir a permeabilidade lisossomal e mitocondrial, o que ocasiona apoptose celular (Barbosa et al, 2006; Santana et al, 2009). A indução de apoptose por DPPE 1.2 ainda não foi investigada.
Os protozoários Leishmania são eliminados através da ativação de macrófagos por INF-γ  e TNF-α e da produção de óxido nítrico (Bogdan et al, 1998), enquanto TGF-β é uma citocina imunossupressora conhecida por agravar a leishmaniose visceral e cutânea (Barral-Netto et al, 1992). A catepsina B de Leishmania está envolvida na conversão da forma latente de TGF-β à sua forma biologicamente ativa (Somanna et al, 2002). Assim, a inibição da catepsina B do parasita pelo DPPE 1.2, que contribui para a sua morte, pode estar relacionada a respostas protetoras decorrentes de uma menor expressão da forma ativa de TGF-β. 
A partir dos resultados obtidos conclui-se que o complexo paladaciclo DPPE 1.2 pode ser uma alternativa de tratamento contra a leishmaniose cutânea. Em vista da sua eficácia na eliminação do parasita e baixa toxicidade na administração intralesional in vivo, é interessante o desenvolvimento de novos estudos que auxiliem esse avanço. 

Paladi, C., Pimentel, I., Katz, S., Cunha, R., Judice, W., Caires, A., & Barbiéri, C. (2012). In Vitro and In Vivo Activity of a Palladacycle Complex on Leishmania (Leishmania) amazonensis PLoS Neglected Tropical Diseases, 6 (5) DOI: 10.1371/journal.pntd.0001626

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Proteomica para escolha de novos antígenos para vacina e diagnóstico na leishmaniose


Legenda: Superior esquerdo – extrato de promastigotas (Verde)
Superior direito – Amastigotas (Vermelho)
Inferior esquerdo – Padrão / Controle
Inferior direito – Sobreposição de amastigotas e promastigotas (amarelo para sobreposições)

Post de Leonardo Arruda
Com objetivo de identificar novos antígenos, foi publicadono ano passado um trabalho (Analysis of Leishmania chagasi by 2-D Difference Gel Eletrophoresis (2-D DIGE) and Immunoproteomic: Identification of Novel Candidate Antigens for Diagnostic Tests and Vaccine; DOI: 10.1021/pr101286y) que comparou o perfil proteômico de Leishmania chagasi entre proteínas de amastigotas contra promastigotas.
Para isso, os autores utilizaram uma combinação de poderosas ferramentas, como DIGE-2D, Western Blot 2D e MaldiTof, seguidas por uma análise através de softwares. 
Foram visualizados 900 spots, entre amastigotas e promastigotas (figura 1 DIGE-2D). Dentre eles, foram retirados 113 spots para identificação da proteína por Maldi-Tof. Cinco proteínas foram especificamente identificadas como pertencentes a fase amastigota, 25 únicas para a fase promastigota e 10 proteínas identificadas como presentes tanto nas fases amastigota quanto promastigota. Além disso, 41 proteínas foram identificadas usando soro de cães infectados por Western blot 2D, que entre elas, 3 foram reativas a IgM e 38 reativas a IgG total. Os autores também mapearam os epítopos para células B utilizando um arranjo de peptídios com soro de cães. O mapeamento de 180 epítopos para células T CD8+ foi realizado in silico para todas as proteínas reconhecidas por Western blot, e ao final, os autores encontraram 25 peptídios que poderão ser utilizados para diagnóstico ou desenvolvimento de vacinas para cães, baseados em sua reatividade com células B e T.
Mais ainda, entre as proteínas com o maior escore de imunogenicidade havia 19 proteínas com função hipotética e outras 7 com função putativa, o que agregou importantes informações para o conhecimento da função destas proteínas, já que não havia prévia descrição no que se refere a relação  hospedeiro X Leishmania.
O artigo poderá ser encontrado na íntegra aqui.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Leishmania mexicana inibe a produção de IL-12 via TLR-4, o que está ligado ao aumento da expressão de COX-2, iNOS e arginase-1.

Post de Rômulo Santiago

ResearchBlogging.org


Shweash, M., Adrienne McGachy, H., Schroeder, J., Neamatallah, T., Bryant, C., Millington, O., Mottram, J., Alexander, J., & Plevin, R. (2011). Leishmania mexicana promastigotes inhibit macrophage IL-12 production via TLR-4 dependent COX-2, iNOS and arginase-1 expression Molecular Immunology, 48 (15-16), 1800-1808 DOI: 10.1016/j.molimm.2011.05.013


A leishmaniose é um sério problema de saúde pública. A infecção pela Leishmania segue dois padrões de respostas, protetora ou não. A resposta protetora geralmente está associada a uma resposta do tipo Th1, a qual geralmente é iniciada pela IL-12 e que apresenta altas concentrações de IFN-γ. A incapacidade de cura tem sido associada com diminuição na produção de IL-12 ou uma falta de resposta a esta quimiocina.
A Leishmania é capaz de inibir a produção de IL-12. Contudo, os mecanismos intracelulares utilizados pela Leishmania para regular as respostas celulares ainda não estão claros. O aumento na concentração de PGE2, em parte pela COX-2 induzida pela Leishmania, tem sido relacionado à diminuição de IL-12. Da mesma forma, a produção de NO está associado à diminuição de IL-12.
Os toll-like receptors (TLRs) tem sido implicado nas ações de algumas espécies de Leishmania, como por exemplo, o TLR-2 e MyD88 no controle da infecção por L. major e L. braziliensis. No entanto, as consequências celulares da ligação da Leishmania ao TLR não foram avaliadas. Então, Muhannad Shweash e colaboradores resolveram investigar estas consequências durante a infecção de macrófagos por L. mexicana.
Os autores demonstraram que promastigotas de L. mexicana, na proporção de 5:1, aumenta a fosforilação das três principais MAP quinases: ERK, p38 e JNK em macrófagos. A sinalização via MAP quinase encontrou-se reduzida em macrófagos deficiente para o TLR-4, mas não para TLR-2, e completamente abolida em macrófagos deficiente para ambos TLR (TLR-2 e 4), o que também foi observado durante a infecção com amastigotas deficientes em cisteína peptidase B.
Foi observado também que o TLR-4 leva à indução de iNOS e COX-2, o que prolonga a produção de PGE2 e NO, com diminuição na expressão de IL-12, uma vez que, o bloqueio do PGE2 ou NO com indometacina ou L-NAME, respectivamente, reverteu a inibição da produção de IL-12 induzida pelo LPS.
Da mesma forma, promastigotas de L. mexicana aumentou a expressão e atividade da arginase-1, as quais foram substancialmente reduzidas em macrófagos deficientes para TLR-4, mas não TLR-2. A inibição de arginase com Nor-NOHA também causou reversão da inibição na produção de IL-12 em macrófagos infectados.
Nessa seara, o parasita L. mexicana, através de TLR-4, é capaz de prolongar a e aumentar produção de PGE2, NO e expressão de arginase em macrófagos, os quais limitam a produção de IL-12, caracterizando uma forma de subversão a uma resposta imunes protetoras do tipo Th1.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Qual TLR induz uma resposta Th1 para antígenos amastigota-específicos?


ResearchBlogging.org
Post de Leonardo Arruda
Um grupo de trabalho da Índia está com um paper no Mol Cell Biochem, no qual identifica quais receptores do tipo Toll (TLR) estariam sendo estimulados por frações do extrato protéico de culturas amastigostas axênicas de L. donovani. 
Para isso, os autores aplicaram o extrato protéico em gel. Após corrida, as proteínas foram divididas em quatro frações de acordo com seu peso molecular. Cada fração foi recuperada isoladamente (Fig 1A).
As frações protéicas foram utilizadas para estimular macrófagos de linhagem e analisar os seguintes parâmetros: Estresse oxidativo, produção de NO, citocinas (IL-12, TNF e IFN-γ) e expressão dos TLRs.
Baseado nos dados obtidos pela estimulação por cada fração, os autores se concentraram na fração Fa, correspondente as proteínas de maior peso molecular. Para isso, aplicaram novo gel apenas com esta fração. Logo, recuperaram frações proteínas com peso molecular mais específico. (Fig 1B)
Os autores concluem o trabalho com a descrição de que duas proteínas deste grupo, uma com 65kDa e outra com 98kDa, quando administradas concomitantemente promovem funções efetoras nos macrófagos.
O que faltou neste trabalho foi a descrição destas proteínas. Entre os métodos para esse fim, seria resolver essas proteínas em gel 2-D, e identificá-las por espectrometria de massa.
Apesar dos autores afirmarem que as duas proteínas quando administradas concomitantemente produzem ação efetora, eles não podem garantir que em sua amostra havia apenas essas duas proteínas. Todas as proteínas de pesos moleculares semelhantes também foram obtidas por esse método. O efeito efetor observado pode ser resultado de antígenos pouco abundantes na amostra. Sendo assim, a identificação destas proteínas, a obtenção de recombinantes e a prova de estimulação, com apenas estas duas proteínas purificadas seria muito mais elegante e útil.
Outro aspecto interessante que não foi abordado seria comparar a estimulação de macrófagos com o extrato protéico de promastigotas. Os autores apenas utilizaram o extrato de amastigotas axênicas, e enriqueceria mais o trabalho verificar se  as faixas protéicas analisadas nas amastigotas também também são expressas e antigênicas em promastigotas. Sendo assim, recomendo a leitura deste paper por abordar um método pouco convencional para identificar grupos de antígenos com atividade imunogênica.

Srivastava A, Singh N, Mishra M, Kumar V, Gour JK, Bajpai S, Singh S, Pandey HP, & Singh RK (2012). Identification of TLR inducing Th1-responsive Leishmania donovani amastigote-specific antigens. Molecular and cellular biochemistry, 359 (1-2), 359-68 PMID: 21858498

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aula de leishmaniose com Norma Andrews



Indicação de Kiyoshi Fukutani:
"Uploaded by on Apr 1, 2010
In the second part of this lecture, I will present background material on Leishmania, the intracellular protozoan parasites responsible for severe human pathology in several parts of the world. I will discuss the main disease forms, the history of identification of the causative agent and form of transmission, and recent discoveries that established important concepts in our understanding of this increasingly serious infectious disease. 
See more at http://www.ibioseminars.org"

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Leishmania Promotes its own virulence by inducing expression of the host immune inhibitory ligand CD200

Post de Marcia Weber Carneiro

ResearchBlogging.orgA L. amazonensis causa a forma grave da leishmaniose, enquanto L. major causa a forma mais branda. Porém, os mecanismos que determinam uma alta taxa de infecção ou não da Leishmania ainda não estão bem compreendidos. Já foi demonstrado que respostas imunológicas podem ser controladas por receptores inibitórios, como o CD200, presente em células mielóides.

Assim, neste trabalho publicado no Cell Host & Microbe, Cortez e colaboradores buscam identificar os mecanismos de virulência do parasita. Para isso, eles infectam camundongos C57BL/6 WT e deficientes para CD200 (CD200-/-) com ambas as espécies de Leishmania. Eles também avaliaram os níveis de expressão gênica de macrófagos infectados ou não, utilizando o Affymetrix Gene Chip.


Os autores demonstraram que a L. amazonensis induz a expressão de CD200 no macrófago do hospedeiro e que, assim, eles se replicam com maior eficiência. A expressão de CD200 inibe a produção de ROS nos macrófagos infectados o que contribui para sobrevivência do parasita. Além disso, em animais deficientes em CD200, a carga parasitária foi menor do que em animais WT. Para verificar o efeito in vivo do CD200, o mesmo foi administrado, na forma solúvel, em animais infectados com L. major. Estes animais desenvolveram lesões mais severas e que não curaram, além de possuir maior replicação parasitária, similar à infecção com L. amazonensis.

Portanto, os autores concluem que a L. amazonensis possui a capacidade de induzir a expressão de CD200 em macrófagos, resultando em uma incapacidade de resposta microbicidas nas células hospedeiras e no aumento da sobrevivência e virulência intracelular do parasita. Porém, os mecanismos de ação de CD200 ainda não foram elucidados.


Cortez M, Huynh C, Fernandes MC, Kennedy KA, Aderem A, & Andrews NW (2011). Leishmania promotes its own virulence by inducing expression of the host immune inhibitory ligand CD200. Cell host & microbe, 9 (6), 463-71 PMID: 21669395

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Análise do transcriptoma de leishmanias por seqüenciamento do RNAm


Comentários do Congresso da SBPz - 19 a 21 de setembro de 2011, Foz do Iguaçu



Post de Leonardo Arruda

Sobre a palestra de Myler PJ
A disponibilização do genoma de várias espécies de Leishmania revolucionou a habilidade para investigar a biologia e fisiopatologia destes parasitas. Entretanto, nem todos os mecanismos para regulação da expressão gênica foram elucidados.

Buscando contribuir neste campo, os autores analisaram todo transcriptoma de diferentes espécies de leishmania (L. major, donovani, amazonensis, braziliensis e tarentolae), utilizando uma nova tecnologia denominada seqüenciamento de RNA de alto rendimento (RNA-seq), com a finalidade de analisar os níveis dos RNAm e suas sequências nas diferentes fases do ciclo celular.
Foram desenvolvidas diferentes formas para a construção de bibliotecas para RNA-seq. Entre elas, aquela com resultados mais surpreendentes foi o mapeamento da região final 5’ dos mRNAs. Esta abordagem foi tão sensível, que foi possível a utilização do RNA total oriundo de extração de macrófagos infectados ou diretamente do RNA extraído da lesão de animal. Além disso, foram obtidas informações sobre o local de adição da SL (Sequencia Líder – lembrar que no trans-splicing ocorre a adição da SL na porção 5’ e a poli-adenilação na porção 3’ em cada gene) bem como abundância do mRNA para cada espécie / fase do ciclo.

Os resultados obtidos foram impressionantes, pois foi observado uma mudança no sítio de adição da SL durante a diferenciação celular. Por precisamente definir as terminações 5’ e 3’ dos mRNAs, estes resultados permitiram redefinir anotações estruturais no genoma destas espécies. Sendo assim, muitos genes anteriormente ditos como ortólogos tiveram sua função designada.
Os resultados deste estudo permitirão o melhor entendimento sobre a biologia da leishmania, como início e término da transcrição. Os autores ainda estão comparando os sítios de adição da SL bem como a abundância do mRNA entre as espécies. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A fagocitose de neutrófilos apoptóticos induz a diferenciação fenotípica de macrófagos em M2b


Post de Claire Santos

Comentários do Congresso da SBPz - 19 a 21 de setembro de 2011, Foz do Iguaçu 


Fonte: http://www.ucl.ac.uk/~ucbpeal/work.html



Os neutrófilos são a primeira linha de defesa em resposta a infecções. Durante a resposta imune os macrófagos desempenham um importante papel na fagocitose dos neutrófilos apoptóticos, um fenômeno conhecido como eferocitose. Essa fagocitose pode ter características tanto pró quanto anti-inflamatória. 

Nessa palestra, Alessandra Filardy demonstrou como a eferocitose pode induzir a diferenciação fenotípica dos macrófagos. Os macrófagos podem se subdividir fenotipicamente em 3 grupos. O M1 ou classicamente ativado, induzidos pelo IFN-g e associados com a resposta Th1, o M2a ou ativado de forma alternativa, induzidos por citocinas como IL-4 e IL-13 e associados com uma resposta Th2 e o M2b conhecidos como macrófagos regulatórios. Os macrófagos M2b produzem TNF, NO e possuem uma alta expressão de IL-10. A presença desses macrófagos está associada à supressão da resposta pró-inflamatória. 

Foi demonstrado que macrófagos de camundongos C57BL/6, mas não de Balb/c, quando cultivados na presença de neutrófilos apoptóticos se diferenciavam no subtipo M2b, o que se caracterizava pela baixa produção de IL-12 e alta produção de IL-10 e NO. Observou-se também que a presença de NE e a sinalização por TLR4 eram fatores importantes na diferenciação desses macrófagos e que a co-cultivo desses macrófagos M2b com células T CD4+ induzia uma alta produção de IL-4 e IL-10 e uma baixa produção de IFN-g por essas células, caracterizando uma resposta Th2. Uma característica importante da fagocitose de neutrófilos apoptóticos em camundongos C57BL/6 é que ela induz uma resposta pro-inflamatória, o que já foi demonstrado, por exemplo, com a infecção do camundongo na presença de leishmania e neutrófilos apoptóticos, o que resultou na destruição do parasita. No entanto, nesse trabalho foi observado que quando os macrófagos de camundongos C57BL/6 eram cultivados previamente com neutrófilos apoptóticos e posteriormente infectados com L. major, eles se tornavam permissivos a infecção. 

Desta forma, a presença dos neutrófilos apoptóticos poderia influenciar diretamente a resposta imune a leishmania, e a sobrevida do parasita no macrófago estaria associada ao tempo entre a infecção e a fagocitose dos neutrófilos.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Role of chemokines in regulation of immunity against leishmaniasis



Post de Marcia Weber Carneiro (LIP-CPqGM/FIOCRUZ)



ResearchBlogging.orgA imunidade para Leishmania depende do recrutamento celular e uma resposta celular efetiva no sítio de infecção para seu sucesso. As quimiocinas têm papel essencial neste processo. A revisão de Oghumu et al. destaca os conhecimentos obtidos, até o momento, sobre o papel das quimiocinas e seus receptores na modulação da leishmaniose, tanto em modelo experimental quanto no homem. Já se sabe que o protozoário é capaz de alterar o perfil de quimiocinas no seu hospedeiro com o objetivo de facilitar o seu estabelecimento.

As quimiocinas são citocinas quimiotáticas que coordenam o recrutamento de leucócitos envolvidos na homeostase e na resposta imune inata e adaptativa. São polipeptídios de 67 a 127 resíduos de aminoácidos (1). Elas agem através da ligação com seu receptor, que são proteínas G acopladas com sete domínios transmembrana, desencadeando vários caminhos de sinalização intracelular como ativação de integrina e migração celular, além de regular a diferenciação celular (2,3).

No modelo experimental de Leishmaniose Cutânea Localizada, foi demonstrado um aumento na expressão de CCL7, que atrai células do tipo Th2 (4); além de CXCL8, MIP-2 e KC, que atraem neutrófilos (5,6). Já na LCL humana, que pode curar espontaneamente, é observada, nas lesões, a presença de CCL2, CXCL9 e CXCL10. Estas quimiocinas estão associadas com infiltrado de macrófagos e células T CD4+. Por outro lado, nas lesões pacientes com Leishmania Cutânea Difusa, há predomínio de uma resposta Th2 devido ao aumento da expressão de CCL3 (7). Na figura abaixo, autores fizeram um resumo das principais quimiocinas que atuam na pele e no linfonodo do hospedeiro, após a infecção por Leishmania.

Assim, os autores concluem que a complexa resposta imunológica para esta doença inclui papel importante das quimiocinas e seus receptores. As novas abordagens terapêuticas que levam em conta estas moléculas tornaram-se um campo promissor.

Referências

  1. Moser, B., Willimann, K., 2004. Chemokines: role in inflammation and immune surveillance. Annals of the Rheumatic Diseases 63 (Suppl. 2), ii84–ii89.
  2. Viola, A., Luster, A.D., 2008. Chemokines and their receptors: drug targets in immunity and inammation. Annual Review of Pharmacology and Toxicology 48, 171–197.
  3. Gu, L., Tseng, S., Horner, R.M., Tam, C., Loda, M., Rollins, B.J., 2000. Control of TH2 polarization by the chemokine monocyte chemoattractant protein-1. Nature 404, 407–411.
  4. Katzman, S.D., Fowell, D.J., 2008. Pathogen-imposed skewing of mouse chemokine and cytokine expression at the infected tissue site. The Journal of Clinical Investigation 118, 801–811.
  5. Badolato, R., Sacks, D.L., Savoia, D., Musso, T., 1996. Leishmania major: infection of human monocytes induces expression of IL-8 and MCAF. Experimental Parasitology 82, 21–26.
  6. Muller, K., van Zandbergen, G., Hansen, B., Laufs, H., Jahnke, N., Solbach, W., Laskay, T., 2001. Chemokines, natural killer cells and granulocytes in the early course of Leishmania major infection in mice. Medical Microbiology and Immunology 190, 73–76.
  7. Ritter, U., Korner, H., 2002. Divergent expression of inflammatory dermal chemokines in cutaneous leishmaniasis. Parasite Immunology 24, 295–301.




Oghumu, S., Lezama-Dávila, C., Isaac-Márquez, A., & Satoskar, A. (2010). Role of chemokines in regulation of immunity against leishmaniasis Experimental Parasitology, 126 (3), 389-396 DOI: 10.1016/j.exppara.2010.02.010

terça-feira, 26 de julho de 2011

Leishvaccine.net


Para quem trabalha em vacinas para a Leishmaniose, segue o endereço da rede Leishvaccines.net, criada durante o "International Symposium on Leishmaniasis Vaccines". O usuário pode consultar os ensaios de vacinação já realizados, quais obtiveram proteção, em qual modelo foram testados e assim por diante. Para aqueles com pouco tempo (ou paciência), é uma boa ferramenta para procurar as inúmeras publicações no tema, de maneira mais objetiva.

Sugiro ainda a leitura do artigo resultante do referido simpósio.

PLoS Negl Trop Dis. 2011 Mar 29;5(3):e943.

Vaccines for the leishmaniases: proposals for a research agenda.