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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

População acha os cientistas “perigosos” (Quem não se comunica se trumbica)


Uma pesquisa do Eurobarometro (em pdf) para a Comissão Européia, em junho, mostrou que mais europeus estavam interessados em descobertas científicas e desenvolvimento tecnológico (80%) que em esportes (65%). A grande maioria reconhece os benefícios da ciência. Além disto, 66% acredita que os governos deveriam se esforçar para interessar mais jovens em ciência. Chega a 75% a cifra dos que acreditam que a ciência criará melhores oportunidades para as futuras gerações.
Nem tudo é tão bom para os cientistas nesta sondagem. Muitos crêem que os cientistas estão olhando para perguntas tão específicas  que perderam a capacidade de ver os problemas com uma perspectiva mais ampla (gráfico acima)
  • 57% dos entrevistados acha que os cientistas deveriam se comunicar melhor com o público em geral;
  • muitos têm medo dos riscos das novas tecnologias;
  • muitos temem o poder dado aos cientistas;
Pior:
58% dos entrevistados concordou com a afirmativa:
“Nós não podemos acreditar que os cientistas digam a verdade em relação aos pontos científicos e tecnológicos que sejam controvertidos pois eles dependem cada vez mais do dinheiro da indústria.” (gráfico abaixo)

Mais de 50% dos entrevistados concordou com:
devido ao seu conhecimento, os cientistas “têm um poder que os torna perigosos.” Somados aos 23% que não tinham opinião ou não concordaram nem discordaram, significa que apenas 24% dos cidadãos europeus acredita que os cientistas não são perigosos.
A maioria (63%) acredita que os cientistas que trabalham nas universidades e no governo são melhor qualificados para explicar os avanços. Os cientistas na indústria foram considerados melhor qualificados por 32% dos entrevistados e os jornalistas por somente 16%.
No levantamento de 2005, 78% da população européia concordava que a ciência torna sua vida mais saudável, mais fácil e mais confortável. Contudo, esta afirmativa só teve apoio de 66% dos entrevistados em 2010. O futuro da ciência passa por reverter este ceticismo. 
Quem tem a responsabilidade de promover esta comunicação? Na Europa, parece claro: os cientistas nas universidades e nos institutos governamentais. Como é esta situação no Brasil?