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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Festas de final da ano: como escolher?

O PhDComics fez uma excelente contribuição científica para a escolha de qual das festas de fim de ano escolher para comparecer (aqui). O gráfico abaixo, baseado no Survey of Doctoral Finances, Experiences and Achievements, apresenta um elemento importante na decisão:

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Mulheres ainda encontram dificuldade na ciência

O período está terrível e estou sem tempo de colocar posts mais elaborados. Para  a notícia não ficar velha, vejam um comentário sobre uma enquete da American Association for the Advancement of Science (AAAS) sobre as mulheres na ciência. Lembrem que as mulheres já são a maioria  dos novos doutores nos EEUU e no Brasil, divulgada há pouco aqui no Totum (Mais Doutoras que Doutores).

Veja alguns trechos da notícia dada pela AAAS:
"A survey conducted by AAAS and Science at the request of L’Oréal USA suggests that “gender still matters with regard to women’s being able to be successful and to move ahead in science,” said Shirley Malcom, director of education and human resources at AAAS."
"According to the National Science Board’s 2010 Science & Engineering Indicators, women with doctoral degrees in science and engineering held a third of all faculty positions in academia as of 2006. Women’s representation was significantly lower in key fields, however. Women represented only about 11% of all full-time faculty researchers in engineering, for example, and less than one-fourth of those in computer sciences."



sábado, 27 de fevereiro de 2010

Quem compra mais? homens ou mulheres?


ResearchBlogging.org
Para mim há pouca dúvida que, em geral, as mulheres compram mais ou, pelo menos, gostam mais de comprar que os homens. Há um prazer na atitude de comprar das mulheres raramente visto nos homens.  Sei que esta visão é compartilhada por muitos, de ambos os sexos. Mas quanto disto é preconceito ou humor e quanto é real? Uma pesquisa sobre diferenças de gênero nas atitudes de compra revelou resultados inesperados. Os dados estão relatados no estudo “Exploring gender differences in online shopping attitude” publicado em 2010 no Computers in Human Behavior (DOI: 10.1016/j.chb.2009.12.012. Bem, talvez não tão surpreendentes assim, se prestarem atenção que o estudo é sobre atitudes em compras online.
Segundo o artigo, os homens são mais inclinados a compras on line que as mulheres. As mulheres têm uma atitude mais positiva para compras convencionais e os homens a têm maior para compras online. 
No nível cognitivo, as mulheres são mais sépticas cépticas sobre compras online, elas temem riscos e ameaças relacionadas com esta modalidade.  No nível afetivo, as mulheres não gostam das compras online devido à falta de interação social.  O design do website também é bastante importante para as mulheres. 
As principais diferenças entre homens e mulheres para compras online são:
  • Os homens gastam mais tempo e dinheiro em compras online;
  • Os homens têm percepção mais favorável do desenho do site, da segurança,  da confiança e satisfação do site;
  • Os homens têm atitudes semelhantes nas compras online ou presenciais, já as mulheres gostam muito menos das compras online;
  • As mulheres preferem a avaliação física dos produtos;
  • Os homens preferem a facilidade da compra enquanto as mulheres valorizam mais a interação social.
Mesmo antes da evidências científicas, os vendedores tinham uma percepção disto. Na venda online, há mais produtos voltados para o público masculino, como como computadores e eletrônicos que produtos mais comprados por mulheres (decoração, roupas e sapatos).
Respondendo a pergunta do título: Depende, presencial ou online? 

Hasan, B. (2010). Exploring gender differences in online shopping attitude Computers in Human Behavior DOI: 10.1016/j.chb.2009.12.012

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Prêmio Nobel e as mulheres

Post de Aldina Barral

A concessão, em 2009, do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina a duas mulheres, assim como a concessão do Prêmio de Economia a uma mulher, levou-me a uma análise do reconhecimento da capacidade das mulheres pelas comissões do Prêmio Nobel. Este que é o prêmio de maior prestígio no mundo foi estabelecido por Alfred Nobel, em 1895, um ano antes de sua morte. Ele deixou uma parte de sua fortuna dedicada à formação de um fundo de investimento cujos lucros seriam distribuídos anualmente na forma de prêmios a serem concedidos para indivíduos que mais tivessem contribuído para o benefício da humanidade.


Entre 1901 e 2009, o Prêmio foi concedido 537 vezes para 829 indivíduos, com algumas pessoas o recebendo mais de uma vez. Apenas 41 vezes o prêmio foi concedido a mulheres. Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar o Nobel e uma das poucas pessoas a recebê-lo duas vezes. Ela recebeu o Nobel de Física em 1903 e repetiu o feito, em Química, em 1911. Considerando a dupla premiação de Marie Curie, apenas 40 mulheres foram reconhecidas, enquanto o prêmio foi concedido a 765 homens. É digno de menção que Pierre, o marido de Marie Curie, assim como sua filha, Irène Joliot-Curie, e genro (Frederic Joliot, dividiu o Prêmio de Química com Irene em 1935) também foram premiados, constituindo a família mais laureada pelo Nobel.


A área de Fisiologia e Medicina teve 10 mulheres laureadas, ficando atrás de áreas de Literatura e da Paz, cada uma delas com 12 premiações femininas. A Química premiou quatro mulheres e a Física apenas duas. A área de Economia, com premiação mais recente, reconheceu a primeira mulher apenas este ano. Das 10 premiações femininas em Fisiologia e Medicina apenas uma é da área de imunologia (Françoise Barré-Sinoussi em 2008).


É importante mencionar que há uma diferença importante entre os primeiros e últimos anos de concessão do prêmio. Nos 70 anos após o início do prêmio (1901 até 1970) apenas 15 vezes as mulheres foram premiadas. De 1971 a 2009 (38 anos) houve 26 premiações a mulheres. Embora ainda bastante desigual, observa-se um reconhecimento crescente do papel feminino na ciência.


A mudança de reconhecimento das mulheres pelas comissões do Prêmio Nobel com a inflexão nos anos 70 é emblemática. Embora a luta pelos direitos femininos seja antiga ela é mais acentuada neste período. O livro “A mulher eunuco”, publicado por Germaine Greer em 1971, é considerado o manifesto mais realista da libertação da mulher.


A reivindicação de plena igualdade ainda não foi alcançada, mas houve progresso considerável. Durante o ImmunoRio 2007, tive oportunidade de rever alguns dados sobre a participação da mulher na ciência brasileira. Os dados da apresentação “Brazilian Society for Immunology: How much of an old boy´s club?” (veja abaixo) mostraram que a SBI tem uma maioria de mulheres entre seus associados, contudo há mais palestrantes masculinos (principalmente entre os convidados estrangeiros) nos congressos da SBI. As diretorias da SBI também apresentam historicamente uma participação feminina muito menor que a percentagem de mulheres entre os associados. A atual diretoria é uma exceção nesta regra. Considerando outras instituições no Brasil, como a Academia Brasileira de Ciências, vemos que as mulheres aumentaram bastante a sua participação, mas ainda são pouco numerosas nos comitês e nos cargos de direção.


No conjunto, observamos progresso no reconhecimento do papel da mulher mas ainda há muito a fazer. As mulheres não devem buscar privilégios indevidos, mas não devem se conformar com o preconceito.


Ilustração: Françoise Barré-Sinoussi recebe o Prêmio Nobel do Rei da Suécia.