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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ciencia para la prosperidad de la UE


Fonte: El País

Na véspera da reunião que irá discutir o orçamento da UE para 2014-2020, cientistas respeitáveis (ganhadores de Prêmio Nobel ou Medalha Fields) ​decidem ​chamar a atenção dos chefes de Estado e de Governo quanto ao apoio à ciência. Veja a íntegra da carta abaixo:


Transformar conhecimento em inovação, dizem eles, é a única maneira de dar à Europa uma vantagem competitiva.


To the Heads of State or Government of EU Countries, Presidents of EU Institutions,
It is often said that every crisis also presents an opportunity. The current crisis forces us to make choices, and one of those choices is about science and its support. Back in the year 2000, you and your predecessors set yourselves the target of becoming the “world's most dynamic knowledge-based economy by 2010”. The intention was ambitious and noble, but the goal has yet to be achieved.

Science can help us find answers to many of the pressing problems facing us at this time: new ways to harness energy, new forms of production and products, improved ways to understand how societies function and how we might order them better. We are just at the start of a revolutionary new understanding of how our own bodies work with incalculable consequences for our future health and longevity.

Europe is at the forefront of science in many areas. Transforming this knowledge into innovative new products, services and industries is the only way to provide Europe with a competitive edge in today's rapidly changing global landscape and to ensure Europe’s long-term future prosperity.

Knowledge knows no boundaries. The global market for outstanding talent is highly competitive. Europe can ill afford to lose its best researchers and teachers, and would gain greatly by attracting foreign talent. Reducing the funding available for excellent research means a smaller number of trained researchers. In case of a severe reduction in the EU research and innovation budget we risk losing a generation of talented scientists just when Europe needs them most.

In this regard, the European Research Council has achieved global recognition in a remarkably short time. It funds the best researchers anywhere in Europe regardless of nationality: Excellent people, excellent projects. It valuably complements national funding of fundamental research.

Funding research at EU level is a catalyst to make better use of the resources we have and make national budgets more efficient and effective. These EU resources are extremely precious. They have proven to be capable of achieving essential benefits for European science as well as increasing returns to society and increasing international competitiveness.

It is essential that we support, and even more importantly, inspire in a pan-European way the extraordinary wealth of research and innovation potential that exists all over Europe. We are convinced that the younger generation of researchers will also make its voice heard – and you should listen to what they have to say.

Our question to you, the Heads of State or Government and Presidents meeting in Brussels on 22-23 November to discuss the EU budget for 2014-2020, is a simple one: when the deal for Europe’s future budget is announced, what will be the role of science in Europe’s future?

Signed by Nobel Prize and Fields Medal winners
Sidney Altman, Werner Arber, Robert J. Aumann, Francoise Barré-Sinoussi, Günter Blobel, Mario Capecchi, Aaron Ciechanover, Claude Cohen-Tannoudji, Johann Deisenhofer, Richard R.Ernst, Gerhart Ertl, Sir Martin Evans, Albert Fert, Andre Geim, Serge Haroche, Avram Hershko, Jules A. Hoffmann, Roald Hoffmann, Robert Huber, Sir Tim Hunt, Eric R. Kandel, Klaus von Klitzing, Sir Harold Kroto, Finn Kydland, Jean-Marie Lehn, Eric S. Maskin, Dale T. Mortensen, Erwin Neher, Konstantin Novoselov, Sir Paul Nurse, Christiane Nüsslein-Volhard, Venkatraman Ramakrishnan, SIR Richard J. Roberts, Heinrich Rohrer, Bert Sakmann, Bengt I. Samuelsson, John E. Sulston, Jack W. Szostak, Sir John E. Walker, Ada E. Yonath, Rolf Zinkernagel, Harald zur Hausen; Pierre Deligne, Timothy Gowers, Maxim Kontsevich, Stanislav Smirnov, Cedric Villani

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Coma chocolate para ganhar o Nobel


Se fosse tão fácil assim ganhar o prêmio, o Nobel já estaria desmoralizado. Porém também não podemos esquecer a publicação recente que mostra uma correlação entre a média de consumo de chocolate de diferentes países e número de prêmio Nobel. Contudo trata-se de uma publicação na New England Journal of MedicineChocolate Consumption, Cognitive Function, and Nobel Laureates DOI: 10.1056/NEJMon1211064 (aqui;) o que sempre deve ser lido com atenção.
O British Medical Journal publica no final do ano sempre algum artigo “humorísitico”, mas desconhecia isto no New England Journal of Medicine. Os dados são interessantes e podem servir de exemplo para os cuidados que devemos ter ao interpretar correlações.
Quais as principais limitações do estudo? o que pode explicar os dados?

Adicionado em 18/10/2012
Luis Claudio Correia publicou no seu Medicina Baseada em Evidências um excelente post (Consumo de Chocolate e Conquista de Prêmios Nobel) sobre a "brincadeira" do NEJM (aqui). Assim, quem quiser explorar a pergunta feita ao final do nosso post deve ler o excelente post de Luis Claudio.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O Prêmio Nobel e as mulheres

Post de Aldina Barral

A concessão, em 2009, do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina a duas mulheres, assim como a concessão do Prêmio de Economia a uma mulher, levou-me a uma análise do reconhecimento da capacidade das mulheres pelas comissões do Prêmio Nobel. Este que é o prêmio de maior prestígio no mundo foi estabelecido por Alfred Nobel, em 1895, um ano antes de sua morte. Ele deixou uma parte de sua fortuna dedicada à formação de um fundo de investimento cujos lucros seriam distribuídos anualmente na forma de prêmios a serem concedidos para indivíduos que mais tivessem contribuído para o benefício da humanidade.


Entre 1901 e 2009, o Prêmio foi concedido 537 vezes para 829 indivíduos, com algumas pessoas o recebendo mais de uma vez. Apenas 41 vezes o prêmio foi concedido a mulheres. Marie Curie foi a primeira mulher a ganhar o Nobel e uma das poucas pessoas a recebê-lo duas vezes. Ela recebeu o Nobel de Física em 1903 e repetiu o feito, em Química, em 1911. Considerando a dupla premiação de Marie Curie, apenas 40 mulheres foram reconhecidas, enquanto o prêmio foi concedido a 765 homens. É digno de menção que Pierre, o marido de Marie Curie, assim como sua filha, Irène Joliot-Curie, e genro (Frederic Joliot, dividiu o Prêmio de Química com Irene em 1935) também foram premiados, constituindo a família mais laureada pelo Nobel.


A área de Fisiologia e Medicina teve 10 mulheres laureadas, ficando atrás de áreas de Literatura e da Paz, cada uma delas com 12 premiações femininas. A Química premiou quatro mulheres e a Física apenas duas. A área de Economia, com premiação mais recente, reconheceu a primeira mulher apenas este ano. Das 10 premiações femininas em Fisiologia e Medicina apenas uma é da área de imunologia (Françoise Barré-Sinoussi em 2008).


É importante mencionar que há uma diferença importante entre os primeiros e últimos anos de concessão do prêmio. Nos 70 anos após o início do prêmio (1901 até 1970) apenas 15 vezes as mulheres foram premiadas. De 1971 a 2009 (38 anos) houve 26 premiações a mulheres. Embora ainda bastante desigual, observa-se um reconhecimento crescente do papel feminino na ciência.


A mudança de reconhecimento das mulheres pelas comissões do Prêmio Nobel com a inflexão nos anos 70 é emblemática. Embora a luta pelos direitos femininos seja antiga ela é mais acentuada neste período. O livro “A mulher eunuco”, publicado por Germaine Greer em 1971, é considerado o manifesto mais realista da libertação da mulher.


A reivindicação de plena igualdade ainda não foi alcançada, mas houve progresso considerável. Durante o ImmunoRio 2007, tive oportunidade de rever alguns dados sobre a participação da mulher na ciência brasileira. Os dados da apresentação “Brazilian Society for Immunology: How much of an old boy´s club?” (veja abaixo) mostraram que a SBI tem uma maioria de mulheres entre seus associados, contudo há mais palestrantes masculinos (principalmente entre os convidados estrangeiros) nos congressos da SBI. As diretorias da SBI também apresentam historicamente uma participação feminina muito menor que a percentagem de mulheres entre os associados. A atual diretoria é uma exceção nesta regra. Considerando outras instituições no Brasil, como a Academia Brasileira de Ciências, vemos que as mulheres aumentaram bastante a sua participação, mas ainda são pouco numerosas nos comitês e nos cargos de direção.


No conjunto, observamos progresso no reconhecimento do papel da mulher mas ainda há muito a fazer. As mulheres não devem buscar privilégios indevidos, mas não devem se conformar com o preconceito.


Ilustração: Françoise Barré-Sinoussi recebe o Prêmio Nobel do Rei da Suécia.

Concedidos os Prêmios Ig Nobel

No mesmo mês da concessão dos prêmios Nobel acontece a cerimônia de concessão dos Prêmio Ig Nobel. Tudo começou como uma pequena brincadeira, mas tem assumido proporções maiores. Muitos dos “premiados” comparecem e alguns nobelistas também participam. Veja abaixo alguns dos prêmios concedidos em 2009 e os trabalhos que motivaram as premiações. Para a lista completa consulte o site Improbable Research.

“The 2009 Ig Nobel Prize Winners

The 2009 Ig Nobel Prizes were awarded on Thursday night, October 1, at the 19th First Annual Ig Nobel Prize Ceremony, at Harvard's Sanders Theatre.

VETERINARY MEDICINE PRIZE: Catherine Douglas and Peter Rowlinson of Newcastle University, Newcastle-Upon-Tyne, UK, for showing that cows who have names give more milk than cows that are nameless.
REFERENCE: "
Exploring Stock Managers' Perceptions of the Human-Animal Relationship on Dairy Farms and an Association with Milk Production," Catherine Bertenshaw [Douglas] and Peter Rowlinson, Anthrozoos, vol. 22, no. 1, March 2009, pp. 59-69. DOI: 10.2752/175303708X390473.

PEACE PRIZE: Stephan Bolliger, Steffen Ross, Lars Oesterhelweg, Michael Thali and Beat Kneubuehl of the University of Bern, Switzerland, for determining — by experiment — whether it is better to be smashed over the head with a full bottle of beer or with an empty bottle.
REFERENCE: "
Are Full or Empty Beer Bottles Sturdier and Does Their Fracture-Threshold Suffice to Break the Human Skull?" Stephan A. Bolliger, Steffen Ross, Lars Oesterhelweg, Michael J. Thali and Beat P. Kneubuehl, Journal of Forensic and Legal Medicine, vol. 16, no. 3, April 2009, pp. 138-42. DOI:10.1016/j.jflm.2008.07.013.


ECONOMICS PRIZE: The directors, executives, and auditors of four Icelandic banks — Kaupthing Bank, Landsbanki, Glitnir Bank, and Central Bank of Iceland — for demonstrating that tiny banks can be rapidly transformed into huge banks, and vice versa — and for demonstrating that similar things can be done to an entire national economy.


MEDICINE PRIZE: Donald L. Unger, of Thousand Oaks, California, USA, for investigating a possible cause of arthritis of the fingers, by diligently cracking the knuckles of his left hand — but never cracking the knuckles of his right hand — every day for more than sixty (60) years.
REFERENCE: "
Does Knuckle Cracking Lead to Arthritis of the Fingers?", Donald L. Unger, Arthritis and Rheumatism, vol. 41, no. 5, 1998, pp. 949-50.

BIOLOGY PRIZE: Fumiaki Taguchi, Song Guofu, and Zhang Guanglei of Kitasato University Graduate School of Medical Sciences in Sagamihara, Japan, for demonstrating that kitchen refuse can be reduced more than 90% in mass by using bacteria extracted from the feces of giant pandas.
REFERENCE: "
Microbial Treatment of Kitchen Refuse With Enzyme-Producing Thermophilic Bacteria From Giant Panda Feces," Fumiaki Taguchia, Song Guofua, and Zhang Guanglei, Seibutsu-kogaku Kaishi, vol. 79, no 12, 2001, pp. 463-9. [and abstracted in Journal of Bioscience and Bioengineering, vol. 92, no. 6, 2001, p. 602.]
REFERENCE: "
Microbial Treatment of Food-Production Waste with Thermopile Enzyme-Producing Bacterial Flora from a Giant Panda" [in Japanese], Fumiaki Taguchi, Song Guofu, Yasunori Sugai, Hiroyasu Kudo and Akira Koikeda, Journal of the Japan Society of Waste Management Experts, vol. 14, no. 2, 2003, pp. , 76-82.”

sábado, 10 de outubro de 2009

Obama, Prêmio Nobel da Paz


Post de Sérgio Arruda

Barack Obama foi o escolhido deste ano para o prêmio Nobel da Paz. Ele mesmo ficou surpreso. A escolha de Obama gerou uma grande controvérsia incluindo críticas de alguns premiados anteriormente. Veja reportagem do Times de Londres.

Todos parecem concordar que Obama foi eleito pelos americanos e para o prêmio como uma esperança de paz, mas muitos concordam que até o momento ainda são apenas promessas e que o prêmio foi concedido precocemente .

Mas para decidir se Obama era mesmo a melhor indicação é preciso saber quem eram os demais candidatos. Abaixo alguns dos indicados. Se você estivesse no comite do Nobel, qual seria sua escolha?

Denis Mukwege, Congo-Médico, Médico ginecologista que atende mulheres vítimas de estupro no Congo. Ele construiu um hospital com essa finalidade, que depois de destruído pela guerra. Sempre se dedicou a essa causa e sua clinica já atendeu cerca de 21000 mulheres. Saiba mais.


Greg Mortenson, Estados Unidos - Escritor, Muito premiado pelo esforço educational e pela PAZ. Mora no Afeganistão e apesar da Guerra e das ameaças do Talibã constroi escolas para crianças no Afeganistão. Escreveu o livro “ Three cups of tea”. Já pertenceu ao corpo medico militar americano. Saiba mais.


Morgan Tsvangirai, Zimbave-Politico, Depois de perder a eleição para Mugabe aceitou dividir o poder no Zimbave após um acordo. Pode ser essa uma atitude que merece o prêmio

Saiba mais.


Piedad Córdoba, Colombia- Politica, Senadora e mediadora das negociações de paz entre as FARC e governo Colombiano. Neste contexto de mediadora Piedad parece a que mais preenche os critérios. Saiba mais.

Veja a lista de todos os premiados com o Nobel da Paz desde 1901.


Ilustração: Charge de Forges, no El Pais, sobre o Nobel para Obama.

Sairam os Premio Nobel de Medicina

Duas mulheres e um homem ganharam o Premio Nobel de Medicina e Fisiologia "for the discovery of how chromosomes are protected by telomeres and the enzyme telomerase". Veja mais detalhes no site do Nobel Prize.

O NY TImes fala dos três americanos, já que eles trabalham nos EEUU e têm cidadania americana.

“STOCKHOLM (AP) -- Americans Elizabeth Blackburn, Carol Greider and Jack Szostak were named winners of the 2009 Nobel Prize in medicine on Monday for research that has implications for cancer and aging research.

The trio solved a big problem in biology: how chromosomes can be "copied in a complete way during cell divisions and how they are protected against degradation," the citation said.

It said the laureates have shown that the solution is to be found in the ends of the chromosomes -- the telomeres -- and in an enzyme that forms them. Telomeres are often compared to the plastic tips at the end of shoe laces that keep those laces from unraveling.

"The discoveries by Blackburn, Greider and Szostak have added a new dimension to our understanding of the cell, shed light on disease mechanisms, and stimulated the development of potential new therapies," the prize committee said in its citation.

Blackburn, who holds U.S. and Australian citizenship, is a professor of biology and physiology at the University of California, San Francisco.

Greider is a professor in the department of molecular biology and genetics at Johns Hopkins University School of Medicine in Baltimore.

London-born Szostak has been at Harvard Medical School since 1979 and is currently professor of genetics at Massachusetts General Hospital in Boston. He is also affiliated with the Howard Hughes Medical Institute, the citation said.” Leia mais.

sábado, 18 de abril de 2009

Uma mulher admirável


Mais bem se trata de uma apologia às mulheres da esquerda. A Dra. Levi-Montalcini é uma Prêmio Nobel. Ela descobriu, em 1951, o neural growth factor (NGF). Ainda hoje, pesquisa, dá conferências e ajuda os menos favorecidos.

Sua fundação em Roma, promove programas de educação para mulheres africanas. Todas as manhãs, vai ao European Brain Research Institute (criado por ela) e supervisiona o grupo, totalmente composto de mulheres, que estuda o NGF.

Come uma vez por dia e dorme três horas por noite. Na vida e na ciência é totalmente de esquerda. Por uma questão de raciocínio, já que atribui as grandes tragédias da humanidade ao hemisfério cerebral direito: “É a parte dos instintos. Serviu para o Australopithecus descer das árvores. Ela é pouco desenvolvida e é a zona que os ditadores usam para que as massas os sigam. Todas as tragédias se apóiam neste hemisfério, que desconfia do que é diferente”.

A Dra. Levi-Montalcini não tem medo da morte e apóia a eutanásia “Quando já não possa raciocinar, espero que me ajudem a morrer com dignidade”.

No seu aniversário de 100 anos a professora não quer presentes nem festas. Dará uma conferência sobre o cérebro.

Uma pena que o centenário de um símbolo destes seja comemorado no governo de Berlusconi. Ela (e a Itália) mereciam alguém muito melhor.