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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Novos aspectos do CV Lattes


Saiu uma nova versão do CV Lattes. Há muitas novidades e vou destacar três:
  • Maior ênfase nos aspectos de Educação e Popularização de C&T, incluindo posts em blogs;
  • Ênfase e facilidade nos tópicos de Propriedade Intelectual - Inovação;
  • Indicadores de produção científica e rede de colaboradores.


Educação e Popularização de C&T.
A lista de itens cresceu bastante (veja abaixo) e é possível incluir posts em blogs. O colaboradores do Totum e do SBlogI devem registrar a produção lá.
Patentes
Agora com o número da patente são recuperados os metadados da base do INPI. 
A lista de bancos de patentes cresceu e em breve deverá ser possível também importar os dados a partir de outros bancos.
Indicadores da produção científica
Os indicadores de produção e a rede de colaboradores pode ser acessada antes de abrir o CV Lattes. Veja abaixo onde se situam. 
Os indicadores evoluíram bastante. Entre os vários aspectos, já ocorre o cálculo do fator h (tanto no ISI quanto no Scopus) com base nos artigos listados no CV.
Também é muito interessante a listagem das principais revistas onde ocorreram as publicações com indicação do fator de impacto da revista (passar o mouse sobre o ícone do JCR) e do número de publicações feitas em cada uma.

Por fim, veja a rede de colaboradores (não funciona muito bem no Safari). Dá uma idéia rápida de rede de colaboradores com publicações em conjunto. 









segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Google Scholar com página pessoal de referencias e citações



Grande informação de Tiago Mineo:
“O Google Scholar agora tem uma ferramente no estilo do Researcher ID - scholar.google.com/citations .
Como a base de dados do Google é bem abrangente, os resultados para as citações dos trabalhos e respectivos índices H são bem diferentes daqueles encontrados no Researcher ID (ISI) ou Scopus. Outra vantagem óbvia é que o Google é livre …”
A minha página ficou como na figura acima do post.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Avaliações para inglês ver


Há uma expressão antiga que me atormenta quando preciso fazer algumas “avaliações” atualmente: Para inglês ver. Claramente uma expressão colonizada, fazer algo para que o “civilizado” nos reconheça. Assim de inúteis estão algumas das avaliações que fazemos hoje.
O motivo desta minha alergia recente é uma avaliação que precisei fazer num pedido de bolsa de iniciação científica. Valorizo bastante o programa de iniciação científica (juntamente com a jaboticaba, algo que só existe no Brasil e é excelente) e me preparei com alto ânimo para a tarefa. Frustração total.
O formulário me colocava frente aos abomináveis baremas. Não precisava avaliar nada. Se me pediu somente para contar os trabalhos científicos, orientações etc registrados no CV do orientador. Claramente uma perda de tempo. Como o CV estava em formato eletrônico, e deveria apenas  contar itens, o próprio programa que me exigia isto poderia fazer mais rápido, e com menos erro. Ao ver este exemplo de inutilidade, me perguntei: um programa de iniciação científica valoriza igualmente um trabalho publicado na Science ou Nature e um publicado no Mongolian Journal of Experimental Medicine?   Será que vale mesmo a pena indicar um estudante para ingressar neste sistema???
Como otimista irrecuperável, pensei que pediriam minha avaliação na análise do projeto apresentado. Nova surpresa. Apareceu a informação que o projeto era financiado e eu apenas deveria colocar 10 em todos os itens. Além da continuada decepção, aumentava a humilhação. Se era para colocar 10 em todos os itens, porque deveria ser eu a fazê-lo? Ninguém que elaborou o programa pensou que, se não havia escolha, tudo poderia já ser preenchido pelo próprio programa???? (ainda hoje vejo muita gente pagando para usar programas proprietários sofisticados de edição de texto para fazer o mesmo que faziam nas velhas máquinas dactilográficas – assim, com c mesmo).
No ano passado tive crise semelhante (veja post) em relação à análise de CV. O problema era o mesmo e não houve qualquer alteração. Acabava o post do ano passado com:
Se o julgamento pudesse ser feito por algoritmos e baremas, não precisaríamos de comitês para analisar. Parece que é nisto que alguns desejam chegar. Aqueles que discordamos, devemos reagir (enquanto ainda há tempo)."
Será que ainda há tempo?
Ilustração: Sísifo (de Tiziano), em lembrança aos trabalhos infrutíferos e sem esperança.

domingo, 12 de julho de 2009

Uma matéria da Folha de São Paulo (08/07), a partir da presença de CVs falsos na Plataforma Lattes do CNPq, insinuou que a Plataforma representava um gasto excessivo. Logo no dia seguinte, houve manifestações de membros da comunidade em apoio à Plataforma.

No dia 11/07, Rogerio Meneghini publicou artigo interessante sobre o tema. Entre outros aspectos ele diz:

“A Plataforma Lattes tem hoje mais de 1 milhão de currículos e, diariamente, são feitas dez mil atualizações. Pode-se imaginar o que a cultura brasileira de deixar ao Estado a responsabilidade de verificar a exatidão dos dados significaria em inchamento da máquina burocrática do CNPq e a decorrente subtração de recursos para a pesquisa.”

Hoje (12/07) foi publicada parte da Nota da Sociedade Brasileira de Imunologia sobre o tema:

"A Plataforma Lattes permite o acesso fácil aos currículos das pessoas envolvidas com ciência e tecnologia no Brasil. Ela representa um avanço importante na identificação de indivíduos atuantes nos diversos campos e permite um mapeamento da nossa capacidade científica. Ademais, é um mecanismo de transparência na avaliação da produção científica brasileira.
Vemos com preocupação que a credibilidade desse valioso instrumento seja questionada pela existência de fraudes. O esforço no combate às informações falsas no Lattes é feito constantemente pela própria comunidade científica -o que reforça a importância de um instrumento público de fácil acesso.
Registramos, ainda, que instrumentos de conferência automática de dados foram agregados recentemente, o que aumenta sua credibilidade. Reafirmamos a nossa confiança nas medidas que o CNPq tem tomado para reduzir os problemas detectados. Não nos resta dúvida de que a comunidade científica brasileira é formada na sua imensa maioria por indivíduos que apresentam dados corretos nos seus trabalhos e nos seus currículos."
ALDINA BARRAL, presidente da Sociedade Brasileira de Imunologia (Salvador, BA)

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Em defesa da Plataforma Lattes

A Folha de São Paulo publicou ontem uma extensa matéria sobre problemas na Plataforma Lattes do CNPq. O problema é a sugestão que o sistema não tem confiança e usa muitos recursos públicos.

A Plataforma é um grande avanço para o funcionamento da ciência no Brasil.

A Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) enviou nota à Folha de São Paulo sobre o assunto (veja trecho abaixo). É importante que outras sociedades, instituições e lideranças da comunidade manifestem a sua opinião.

Nota da SBI (trecho final):

“A necessidade da Plataforma Lattes para o adequado crescimento da ciência e tecnologia no Brasil é indiscutível. Reafirmamos a nossa confiança nas medidas que o CNPq tem tomado para reduzir os problemas detectados nas informações disponíveis sobre quem faz ciência no Brasil. Não nos resta dúvida que a comunidade científica brasileira é formada na sua imensa maioria por indivíduos que apresentam dados corretos nos seus trabalhos e nos seus curricula.”


segunda-feira, 8 de junho de 2009

Avaliação científica: Análise de CVs

Post recente do Abobrinhas de Nelson Pretto se intitula Avaliação científica: a loucura se instalou! merece reflexão. Falando sobre o julgamento dos pedidos de bolsa IC na UFBA, escreve:

“A primeira parte é uma mera avaliação no Lattes do pesquisador. Aí temos que contar o número de publicações, de livros, de congressos, essas coisas todas e lançar um nota em função dessa "performance" do candidato, nosso colega. Isso demanda um tempo enorme não avaliação nenhuma...

Acho que temos que fazer INSTITUCIONALMENTE algo sobre isso...

[Aliás, a modo pegou, não sei quem ensinou a quem. mas o sistema da FAPESB era isso também quando eu estava na Camara... e os consultores no Brasil todo estavam revoltados... espero que tenha mudado.. se não mudou, cabe a nós nos manifestarmos também!!!]

No meio de tantas coisas que temos que fazer nos pedem para ficar CONTANDO número de artigos e coisas e tais e dar uma notinha no sistema... “

Em resposta a um comentário, Nelson escreve:

“Tem cabimento para avaliar um projeto eu ter que abrir um Lattes e contar quantos artigos fulano publicou para dar depois um nota? ... Ora bolas, faz um script que automaticamente lê quantos artigos, quantos congressos (tudo já estratificado pelos qualis da vida, A, B, C bla bla... que se criou para classificar tudo!!! arghh!!!)

Pronto, o sistema já abre com o perfil do pesquisador-candidato explicitado... Esse fulano publicos 5aqui, 3 ali, trezontes orientantos e sua posição no RANKING é TAL. (eh eh eh.. no pódio!). ... Mas tem cabimento o governo gastar tanto com nossa formação e salário para sairmos contando pontinhos?!

Aí, nós, professores (que já não temos nada que fazer!), avaliamos o projeto e com isso podemos ter uma posição clara do que deve ou não ser financiado. [Claro, até inventarem uma maquininha que faça isso automaticamente a partir de algoritimos intelectuais que identifacm palavras chaves, tags e tudo mais e avalie tudo sózinha, pois se tudo é questão de PADRÃO, basta comprar.. (desculpa, não sou da área de avaliação!)]”

Em 2006, a Congregação da Faculdade de Medicina da Bahia (UFBA) buscava mecanismos para avaliar currículos em concursos e foi proposto um barema. O barema é exatamente a tabela de avaliação de currículos de que fala Nelson. Naquela época encaminhei um documento à Congregação me manifestando contra esta forma de avaliação. Transcrevo abaixo um trecho do texto:

“Para que necessitamos quantificar em tantos detalhes a vida acadêmica? Se não confiarmos no discernimento da banca examinadora neste aspecto tão facilmente avaliável, pois documental, como vamos confiar no seu discernimento nas etapas mais subjetivas do concurso? O BAREMA não elimina e nem mesmo corrige qualquer problema de escolha da banca.

Se adotássemos a quantificação, deveríamos exercer bastante cautela:

Os BAREMAS - ... - igualam o que não é igualável. Como exemplo: ...“Artigo científico publicado como 1º autor e/ou autor de correspondência em periódico especializado com corpo editorial e indexação internacional” vale um ponto por unidade. Corremos o risco de valorizar mais um artigo publicado numa obscura revista internacional no qual o candidato é o primeiro autor entre 50 autores que um artigo publicado numa revista de ponta no qual o candidato seja o segundo de apenas três autores;...”

Há pouco o CNPq solicitou aos Comitês Assessores (CAs) uma revisão dos critérios de avaliação dos candidatos às bolsas de pesquisa. Todos os CAs revisaram e os novos critérios estão no site do CNPq. Há uma tentativa clara de se afastar de tabelas, vejas os critérios da área de Imuno.

Se o julgamento pudesse ser feito por algoritmos e baremas, não precisaríamos de comitês para analisar. Parece que é nisto que alguns desejam chegar. Aqueles que discordamos, devemos reagir (enquanto ainda há tempo).

Ilustração: Gráfico que demonstra correlação inversa entre consumo de cerveja e publicações científicas (ou seja, estímulo a mudar para vinho e whisky).