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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Coma chocolate para ganhar o Nobel


Se fosse tão fácil assim ganhar o prêmio, o Nobel já estaria desmoralizado. Porém também não podemos esquecer a publicação recente que mostra uma correlação entre a média de consumo de chocolate de diferentes países e número de prêmio Nobel. Contudo trata-se de uma publicação na New England Journal of Medicine “Chocolate Consumption, Cognitive Function, and Nobel Laureates” DOI: 10.1056/NEJMon1211064 (aqui;) o que sempre deve ser lido com atenção.
O British Medical Journal publica no final do ano sempre algum artigo “humorísitico”, mas desconhecia isto no New England Journal of Medicine. Os dados são interessantes e podem servir de exemplo para os cuidados que devemos ter ao interpretar correlações.
Quais as principais limitações do estudo? o que pode explicar os dados?

Adicionado em 18/10/2012
Luis Claudio Correia publicou no seu Medicina Baseada em Evidências um excelente post (Consumo de Chocolate e Conquista de Prêmios Nobel) sobre a "brincadeira" do NEJM (aqui). Assim, quem quiser explorar a pergunta feita ao final do nosso post deve ler o excelente post de Luis Claudio.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Hipertenso e vai acompanhar jogo do Brasil? coma chocolate escuro antes!

ResearchBlogging.org
O chocolate tem sido objeto de grande atenção científica e temos acompanhado. o assunto neste blog (aqui o último post neste tema), assim como foi comentado por Luis Claudio no seu blog "Medicina Baseada em Evidências", em relação ao benefício cardiovascular (aqui). 
Há pouco tempo, o Hypertension, da American Heart Association, publicou o trabalho “Does Dark Chocolate Have a Role in the Prevention and Management of Hypertension? Commentary on the Evidence” (Hypertension. 2010;55:1289). Os autores revisam 13 estudos de qualidade que investigaram o efeito do chocolate sobre a pressão arterial. O consumo de chocolate escuro levou a uma redução da pressão em 6 dos 7 estudos abertos mas em somente 1 dos 6 estudos duplo cegos. Estes achados podem levar à suspeita de um efeito placebo. Além do mais, resta a dúvida se é realmente possível conduzir um estudo realmente às cegas sobre o consumo de chocolate. O que poderia ser usado como placebo? O que poderia ser usado para ter a textura, gosto e odor de chocolate escuro?
Vários fatores dificultam a comparação dos estudos: Eles foram realizados com número baixo de indivíduos; os métodos de medida da pressão arterial foram diferentes, alguns utilizaram equipamentos com baixa acurácia. 
Algumas perguntas não foram esclarecidas: o efeito do chocolate é dose e/ou tempo dependente? há uma relação entre o nível inicial da pressão o efeito do chocolate?
Para complicar ainda mais, foram usadas diferentes marcas de chocolate. É sabido que os processamento para preparo do chocolate altera a composição química do chocolate, incluindo o seu teor de flavonoides. Tudo isto, somado aos resultados conflitantes, leva a que a revisão conclua que o efeito do chocolate sobre a pressão arterial não é passível de conclusão clara. 
Um ponto importante é que não há indicações que o chocolate leve ao aumento da pressão arterial. Os autores concluem num tom positivo:
“Addressing the unanswered questions through high-quality research has potential to establish that dark chocolate/cocoa lowers BP and to optimize its antihypertensive effects while retaining and even amplifying other beneficial actions. The research portfolio should seek to identify adverse effects of dark chocolate and to define the proportion of the at-risk population for whom it is an acceptable long-term intervention. Addressing the unanswered questions may lead to a palatable recommendation for reducing cardiovascular risk for millions of prehypertensive and hypertensive people.”
Mesmo que ainda não possamos abater os gastos de chocolate como tratamento de saúde, já podemos consumi-lo pela possibilidade de ação terapêutica, mesmo que seja pelo efeito placebo.
Declaração de conflito de interesse: Não tenho ações de companhias de chocolate, não tenho fazendas de cacau, mas gosto bastante de chocolate.


Egan, B., Laken, M., Donovan, J., & Woolson, R. (2010). Does Dark Chocolate Have a Role in the Prevention and Management of Hypertension?: Commentary on the Evidence Hypertension, 55 (6), 1289-1295 DOI: 10.1161/HYPERTENSIONAHA.110.151522

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Chocolate reduz stress


ResearchBlogging.org
Continuam as boas notícias sobre o chocolate. O consumo de chocolate escuro reduz o stress, segundo o estudo Metabolic Effects of Dark Chocolate Consumption on Energy, Gut Microbiota, and Stress-Related Metabolism in Free-Living Subjects, do J. Proteome Res. em 2009. A hipótese avaliada foi a de que a dieta influencia o metabolismo basal humano e a atividade da microbiota intestinal. 
Foi realizado um ensaio clínico com 30 indivíduos, classificados como de alta e baixa ansiedade, no qual se avaliou o efeito do consumo de 40 g de chocolate escuro por 14 dias. No início, com uma semana e no final do estudo, foi avaliado o metaboloma (ressonância nuclear magnética e espectrometria de massa), no plasma e na urina, para avaliação de alterações globais. Vejam a sofisticação metodológica empregada para avaliar o efeito do chocolate.
Os indivíduos com alta ansiedade apresentaram perfil de metaboloma em relação à homeostasia energética (lactato, citrato, succinato, trans-aconitato, uréia, prolina), metabolismo hormonal (adrenalina, DOPA, 3-metoxi-tirosine), atividade da microbiota intestinal (metilaminas, p-cresol sulfato, hipurato). distinto dos indivíduos com baixa ansiedade. 
O consumo de chocolate escuro reduziu a excreção urinária de cortisol (hormônio associado a stress), de catecolamina e parcialmente corrigiu as diferenças de metabolismo energético e à atividade da microbiota relacionados ao stress. 
Eles concluem:
“The study provides strong evidence that a daily consumption of 40 g of dark chocolate during a period of 2 weeks is sufficient to modify the metabolism of free living and healthy human subjects, as per variation of both host and gut microbial metabolism.”
Como os indivíduos testados não estavam reclusos é de esperar uma ampla variação de outros componentes da alimentação, outros hábitos e vários outros fatores. Considerando que a amostra não é muito grande, fiquei surpreso que o estudo tivesse poder para identificar tantas diferenças. Se tudo  está correto (e seria bom ter resultados em outras populações), podemos concluir que o efeito do chocolate é bastante importante. Outro aspecto que me pareceu bastante interessante é o do uso desta metodologia para outros estudos no homem, com avaliações bastante abrangentes. 
O que está acontecendo? Além dos dados discutidos neste artigo, outras boas notícias sobre o consumo (moderado) de álcool e de chocolate foram postadas recentemente. 

Martin, F., Rezzi, S., Peré-Trepat, E., Kamlage, B., Collino, S., Leibold, E., Kastler, J., Rein, D., Fay, L., & Kochhar, S. (2009). Metabolic Effects of Dark Chocolate Consumption on Energy, Gut Microbiota, and Stress-Related Metabolism in Free-Living Subjects Journal of Proteome Research, 8 (12), 5568-5579 DOI: 10.1021/pr900607v

terça-feira, 2 de março de 2010

Chocolate, na dieta há 3,4 mil anos, continua bom, bom, bom!


ResearchBlogging.org
A revista Nutrition publicou um editorial (The essence of chocolate: A rich, dark, and well-kept secret; doi:10.1016/j.nut.2009.05.012) altamente positivo sobre as propriedades do chocolate. Citando referência, o artigo diz que o cacau faz parte da dieta humana há pelo menos 113 gerações e é ingrediente de comestíveis há pelo menos 3,4 milênios, pois a teobromina (a molécula assinatura da fruta do Theobroma cacao) foi encontrada em escavações arqueológicas no vale do Ulua, no que é hoje Honduras. “Cacao was probably originally consumed as a frothy, tart-tasting, and mildly alcoholic beverage among the Olmec and Maya.” Provavelmente era usado por seu valor nutritivo (600 cal/100g) mais que pelo sabor, que é o principal motivo de seu consumo hoje (estes arqueólogos dizem coisas que não sei em que se baseiam, como sabem que não era pelo álcool?). 
O artigo expressa bastante entusiasmo: “A relatively modest 6-g portion of dark chocolate, a negligible 30 cal, produces measurable reductions in blood pressure. Mechanistically, the flavonol epicatechin acts as a vasodilator, widening the blood vessels throughout the body, increasing blood flow to the extremities and the brain, and lowering blood pressure.” Não conheço se há estudos que demonstrem se a redução observada na pressão arterial leva a benefício clínico. 
Os principais benefícios, listados lá, são:
  • Redução da pressão arterial com o consumo de 6g de chocolate escuro por dia (devido ao flavonol epicatecina, provavelmente);
  • Redução da ativação de células endoteliais e de plaquetas;
  • Redução de mediadores inflamatórios;
  • Redução da cárie dental (não sei como!, os autores também consideram inesperado, mas citam uma referência);
  • Aumento do fluxo cerebral no homem (será por isto a sensação de bem estar de muitos?).
Não há confirmação que o chocolate leva a alteração do humor ou que cause dependência.
O chocolate é um assunto que tem aparecido com frequencia neste blog.   Na verdade, foi assunto de um dos primeiros posts deste blog, em 17/01/2009, Chocolate e saúde: do Teobroma à ambrosia. Depois divulgamos que o chocolate reduz mortalidade pós-infarto, que o uso do flavonol do chocolate para aumentar a ação de drogas pelo estímulo do sistema imune (um projeto financiado pela Gates Foundation) e a relação de chocolate com aumento da memória, num post de Sérgio Arruda.  O tema chocolate faz sucesso no blog, veja: um chocolate vale mais que R$ 80.000.000,00. 
Ilustração do artigo referido.
Declaração de potencial conflito de interesse: Passei a minha infância em Ilhéus, na zona cacaueira da Bahia, e gosto bastante da região que teve seu apogeu com o cacau. É possível que o valor dado ao cacau e ao chocolate seja influenciado por isto. Por outro lado não sou proprietário de área lá. O único pé de cacau que possuo encontra-se no quintal em Lauro de Freitas.

McShea, A., Leissle, K., & Smith, M. (2009). The essence of chocolate: A rich, dark, and well-kept secret Nutrition, 25 (11-12), 1104-1105 DOI: 10.1016/j.nut.2009.05.012

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Um chocolate vale mais que R$ 80 milhões

Você pagaria R$ 80 milhões por um chocolate ao dia?

É difícil imaginar que alguém fizesse isto, mesmo que esperasse viver mais de cem anos e o chocolate fosse um Godiva. Mas os leitores deste blog parecem inclinados a tanto.

A notícia sobre as vantagens do chocolate para a saúde foi visitado 71 vezes e recebeu 9 comentários. A notícia da economia de R$ 80 milhões pela Câmara dos Deputados repassada ao Ministério da Educação não recebeu qualquer comentário (nem de surpresa) nas meras 15 visitas recebidas.

Observando um blog se aprende um tanto sobre o interesse humano.

sábado, 15 de agosto de 2009

A chocolate a day keeps the doctor away

Nem sempre são más notícias. Aliás, tenho primado pelas boas notícias: não adianta fazer exercício para perder peso e agora chocolate reduz mortalidade pós-infarto.

Os suecos são responsáveis pelo relato “Chocolate consumption and mortality following a first acute myocardial infarction: the Stockholm Heart Epidemiology Program” (doi 10.1111/j.1365-2796.2009.02088.x). O estudo visa avaliar os efeito s a longo prazo do consumo de chocolates em indivíduos com doença coronariana. Foram acompanhados 1.169 pacientes não diabéticos. O consumo de chocolate teve um forte associação inverso com mortalidade cardíaca, quando comparado com pacientes que não comem chocolate. O consumo de outros produtos doces não teve o mesmo efeito.

Agora só falta esperar receber como receita do cardiologista: duas taças de vinho por dia e dois chocolates por semana. Pena que não se pode abater remédio do imposto de renda.