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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Tendencias no Google


É possível fazer comparações de consultas no Google o que pode gerar informações importantes.
O gráfico acima compara as consultas com o termo "leishmaniasis" em azul com "Chagas disease" (vermelho) no mundo todo de 2004 até o presente.

Veja a baixo a comparação entre  "leishmaniasis"em azul com "malaria" com os mesmos parâmetros.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Polimorfismos dos genes da IL-4, receptor-α da IL-4 e IL-10 na Doença de Chagas



Figura adaptada de: Mannheim, 2005.
ResearchBlogging.org

Post de Ligia C. L. de Souza

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde cerca de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo Trypanosoma cruzi (agente etiológico da Doença de Chagas). A partir dos aspectos clínicos da doença podemos dividi-la em três fases: aguda, indeterminada e crônica. A evolução da fase indeterminada para a crônica ocorre em até 30% dos casos. Os mecanismos que determinam a expressão ou não da doença não estão esclarecidos, embora pesquisas sugiram a participação de fatores intrínsecos à linhagem parasitária, bem como à imunogenética do hospedeiro. Neste sentido, é factual a importância do balanço de citocinas para o desenvolvimento das manifestações clínicas.  

A permanência do T. cruzi e a resposta inflamatória crônica são apontadas como fatores ligados à patogenia da doença crônica. Portanto, citocinas com um caráter anti-inflamatório como IL4 e IL10 devem ser investigadas, uma vez que polarizam uma resposta TH2, a qual predispõe à permanência do parasito, mas que também controla a resposta inflamatória.

O estudo de Flórez et al intitulado “Interleukin 4, interleukin 4 receptor-α and interleukin 10 gene polymorphisms in Chagas disease” investiga o polimorfismo de IL4, receptor-α de IL-4 (IL-4RA) e IL10 no desenvolvimento de cardiomiopatia chagásica. Foram pesquisados 260 pacientes soropositivos para antígenos de T.cruzi – 130 com cardiomiopatia chagásica e 130 controles assintomáticos. Em seguida, com amostras de DNA isoladas foi realizada a genotipagem de IL4-590 e IL4RA+148,+1124, +128 com o método PCR–Restriction Fragment Length Polymorphism (RFLP). Os genótipos de IL4RA +1902, IL10-1082, IL10-819 e IL10-592 foram verificados por PCR Sequence-Specific Primer (SSP). Análise estatística (teste x²) foi utilizada para verificar a associação entre as variáveis e o desenvolvimento de cardiomiopatia chagásica. Diferença estatística apenas foi encontrada com a variável IL4RA +148 AA e a presença de cardiomiopatia (P = 0,028; OR = 1,94, IC = 1,07–3,49). 
O receptor de IL4 tem transdução de sinal mediada por fosforilação de STAT6 (Signal Transduction and Activation of Transcription-6). Variantes IL4RA (+148A) promovem o aumento da atividade transcricional dependente de STAT-6. Na prática, isso resulta em uma polarização Th2 e inibição de Th1 (ver figura acima). 
Em estudo realizado por Tarleton et al, demonstrou-se que ratos deficientes de  STAT6 não desenvolviam inflamação após a infecção por T.cruzi, em contraste com ratos selvagens que apresentaram uma intensa resposta inflamatória inicial. Isso denuncia a via IL4/IL4RA/STAT6 como uma provável indutora de inflamação por polarizaçãoTh1 nas fases iniciais da infecção por T.cruzi.   
Essa polarização Th1 nos primeiros instantes da infecção é importante para o combate contra o parasito. Já a resposta Th2 contribui para a permanência do protozoário no tecido com posterior cronificação da doença. 
Ainda que o artigo em análise não tenha exibido correlação entre o genótipo de IL10 e o desenvolvimento da doença, outros estudos apontam essa relação. O estudo de Costa et al apresenta uma correlação positiva entre o alelo A do polimorfismo de IL10 - 1082G/A (relacionado à redução da expressão de IL10)  e a presença de cardiomiopatia chagásica.
O estudo de Flórez et al teve uma proposta bastante interessante, pertinente e aponta uma importante via (citocina-receptor-transdutor de sinal) para maiores estudos em relação ao balanço de citocinas e o desenvolvimento da cardiomiopatia chagásica. Afinal, a partir do entendimento dos mecanismos mediadores da patogênese é possível detectar os possíveis alvos terapêuticos para bloquear o desenvolvimento da doença. 
Referências:
FLÓREZ, O., MARTÍN, J., & GONZÁLEZ, C. (2011). Interleukin 4, interleukin 4 receptor-α and interleukin 10 gene polymorphisms in Chagas disease Parasite Immunology, 33 (9), 506-511 DOI: 10.1111/j.1365-3024.2011.01314.x



WHO. Chagas disease (American trypanosomiasis).Fact sheet n°340, June 2010. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs340/en/index.html. Acesso em: 14 dez. 2011.



MANNHEIM, F. D. Gen-Gen- und Gen-Umwelt-Interaktionsanalysen bei Kindern der Multizentrischen Allergie Studie. Disponível em: http://edoc.hu-berlin.de/dissertationen/deindl-philipp-2005-01-18/HTML/front.html. Acesso em: 15 dez. 2011.


COSTA GC, et al.Functional IL-10 gene polymorphism is associated with Chagas disease cardiomyopathy. J Infect Dis 2009; 199: 451–454.
TANOWITS, et al. Perspectives on Trypanosoma cruzi-induced heart disease (Chagas disease). Prog Cardiovasc Dis. Author manuscript; available in PMC 2010 May 1.



TARLETON RL, GRUSBY MJ & ZHANG L.Increased susceptibility of Stat4-deficient and enhanced resistance in Stat6-deficient mice to infection with Trypanosoma cruzi.J Immunol 2000; 165: 1520–1525.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Diagnóstico de parasitas com uma lanterna


A proposta é mesmo de fazer diagnóstico com uma lanterna. A lanterna é uma blacklight, o que é, segundo o The Free Dictionary: Black light (also Wood's light) is the common name for a lamp emitting electromagnetic radiation that is almost exclusively in the soft near ultraviolet range, and very little visible light. In many areas this type of lighting is more commonly referred to as simply "UV light". 
Bem, não é só uma black light. Precisa também de um corante, mas o corante é barato. Por outro lado, o diagnóstico pode ser feito para leishmaniose, Doença de Chagas e a tripanosomíase africana.  Esta é indicação do Wired Science para um produto da SRI International que foi apresentado no Congresso da American Chemical Society em 21 de março.
O corante se liga a uma molécula dos tripanosamatídeos, não presente no homem, e o torna fluorescente (veja a figura acima). A vantagem do teste deverá ser a sua facilidade de realização nas áreas endêmicas, por não requerer pessoal especializado em equipamentos sofisticados e ser rápido.
Eu não encontrei no sítio da SRI International referência a trabalhos que tenham avaliado o desempenho do teste. Sem uma avaliação apropriada do novo teste, este deve ser tomado como uma idéia promissora, mas com cautela.
Ilustração: Shine a blacklight on the dye alone, and it is almost perfectly clear. Mix it with a peptide that is produced by parasites, and it will turn fluorescent green./Elizabeth Wilson

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Anticorpos contra linfócitos apoptóticos alteram a resposta do macrófago ao Trypanosoma cruzi


ResearchBlogging.org
Novo trabalho do grupo de George dos Reis, com participação de Valéria Borges (LIMI) dentre outros colaboradores, acaba de ser publicado: “Apoptotic lymphocytes treated with IgG from Trypanosoma cruzi infection increase TNF-a secretion and reduce parasite replication in macrophages” (Fabricio Montalvao, Geisy M. Almeida, Elisabeth M. Silva, Valeria M. Borges, Rita Vasconcellos, Christina M. Takiya, Marcela F. Lopes, Marise P. Nunes and George A. DosReis. Eur. J. Immunol. 2010. 40: 417–425 DOI 10.1002/eji.200939606).
A infecção pelo Trypanosoma cruzi leva à produção de anticorpos contra o parasita, mas também contra moléculas do hospedeiro. O grupo já havia demonstrado que a fagocitose de linfócitos apoptóticos leva à exacerbação da replicação do T. cruzi em macrófagos, em um processo dependente da produção de PGE2 e de TGF-b1 (Freire-de-Lima et al., Nature, 2000).  O estudo agora publicado explora a possibilidade que anticorpos contra linfócitos apoptóticos possam ter um papel protetor durante a infecção por T. cruzi ajudando no controle da replicação do parasita por macrófagos.
Eles demonstram que existem anticorpos IgG capazes de opsonizar linfócitos apoptoticos tanto no soro de camundongos controles como nos chagásicos. Porém, apenas a opsonização feita com anticorpos do soro de animais infectados reduziu a replicação do T. cruzi nos macrófagos. Em relação às culturas tratadas com linfócitos apoptóticos sem opsonização ocorreu redução da produção de TGF-b1 e aumento da produção de TNF-a pelos macrófagos infectados. Este aumento da produção de TNF-a está diretamente implicado na ativação do macrófago e redução da carga parasitária.
Um dado muito interessante foi obtido in vivo. A preimunização com linfócitos apoptóticos ou a injeção de linfócitos apoptóticos opsonizados com IgG chagásica levou a uma redução da parasitemia de camundongos.
Os elegantes dados apresentados pelo grupo do Prof. dosReis ilustram o cuidado que todos devemos ter ao interpretar dados científicos. A adição de anticorpos ao sistema que incluía macrófagos infectados pelo T. cruzi e linfócitos apoptóticos leva a uma resposta totalmente diferente da encontrada na ausência de anticorpos. É possível, que o aumento da complexidade do sistema pela introdução de outros elementos leve a novas conclusões. Ou seja, a abordagem reducionista experimental é essencial ao progresso da compreensão de sistemas altamente complexos como os envolvidos na resposta imune, mas suas respostas devem ser tomadas com cautela.
Este estudo é também um bom exemplo de mecanismo de proteção imune mediado por anticorpos, mas efetuado pelo braço celular da reposta imune, avançando na eliminação das fronteiras entre os antigos campos da imunologia.

Montalvão, F., Almeida, G., Silva, E., Borges, V., Vasconcellos, R., Takiya, C., Lopes, M., Nunes, M., & DosReis, G. (2010). Apoptotic lymphocytes treated with IgG from infection increase TNF-α secretion and reduce parasite replication in macrophages
European Journal of Immunology, 40 (2), 417-425 DOI: 10.1002/eji.200939606

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Médicos sem fronteiras e Doença de Chagas

A organização Medicos sem fronteiras aproveitam o centenário da descrição da doença de Chagas para lançar uma campanha de apoio ao estudo da doença.

Veja no site internacional, The fight against Chagas: Time to focus on patients

“In the coming months, MSF will campaign for greater awareness and commitment to the fight against Chagas. For more information on Chagas disease and the enormous gap between the number of Chagas sufferers and those who receive treatment, go to: Chagas: Break the Silence. Visitors can participate in the MSF campaign and break the silence by sending information about this silent disease to their friends.”

No site brasileiro da organização aparece a notícia:


Estratégia de Combate à Doença de Chagas não pode continuar a ignorar os pacientes


MSF faz um apelo a países endêmicos para que diagnostiquem e tratem doentes e por mais pesquisas de medicamentos


09/07/2009 - No centenário do descobrimento da doença de Chagas e dia do aniversário de seu descobridor, o pesquisador brasileiro Carlos Chagas, a organização não governamental internacional humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) lança a campanha “Chagas: é hora de romper o silêncio”. A organização faz um apelo para que os governos dos países endêmicos não considerem os pacientes casos perdidos e apostem no diagnóstico e no tratamento de pessoas infectadas, em vez de se concentrar somente no controle vetorial. Além disso, MSF faz um apelo para um maior esforço em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novos medicamentos, testes rápidos de diagnóstico adaptados às necessidades dos locais com maior prevalência da doença e testes de cura.