segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Infiltração leucocitária na pele e linfonodos na leishmaniose



ResearchBlogging.org
Post de Deboraci Prates
A Leishmania infantum chagasi (Lic) é um dos dois mais comuns agentes etiológicos da leishmaniose visceral humana. A resposta imune subseqüente a uma infecção é freqüentemente direcionada pela resposta celular inicial que ocorre no sítio de invasão do patógeno. Nesse sentido, Colin Thalhofer e colaboradores (University of Iowa) descreveram recentemente o infiltrado inflamatório na pele e no linfonodo (dLN) de camundongos BALB/c infectados pela Lic. Diferentemente da infecção causada pela Leishmania major, agente etiológico da leishmaniose cutânea, que tem sua resposta inflamatória local inicial bem caracterizada, poucos trabalhos evidenciam o perfil de leucócitos inflamatórios nos primeiros momentos após a infecção pela Lic. Este estudo empregou um modelo intradérmico de infecção crônica por Lic, no qual camundongos BALB/c eram inoculados com 106 promastigotas metacíclicas na orelha.    
A dinâmica do infiltrado leucocitário no sítio de infecção (derme da orelha) e no dLN foi caracterizada por citometria de fluxo entre 2 horas e 7 dias pós-infecção. Na derme, os neutrófilos (Ly6G+) foram os primeiros leucócitos recrutados (6h), seguidos de macrófagos (3 dias) e células NK (7 dias). No dLN houve uma expansão de células NK (2-3 dias) seguida de células B. Em um segundo momento, os camundongos foram inoculados com parasitas fluorescentes (mCherry-labed Lic) e o número de células infectadas (Lic-mCherry+) foram analisadas por citometria de fluxo. Os animais apresentaram um maior número de neutrófilos infectados nos tempos iniciais (6-24 h) e de macrófagos mais tardiamente (2 dias), sugerindo uma substituição de neutrófilos por macrófagos infectados nos 2 primeiros dias após o inóculo. Análises microscópicas de células recuperadas da orelha confirmaram essas observações. Além disso, a análise histológica da orelha dos animais infectados excluiu a possibilidade dos parasitas terem sido fagocitados in vitro após recuperação das células da orelha (figura acima).
Buscando avaliar a participação dos neutrófilos na infecção por Lic, os autores depletaram essas células tratando os camundongos com pequenas quantidades do anticorpo RB6-8C5 (anti-Ly6G/Ly6C). O número total de parasitas no tecido, no dLN e nas células da orelha foi avaliado por imagens in vivo, qPCR e citometria de fluxo, respectivamente. A depleção dos neutrófilos levou a uma redução da morte dos parasitas extracelulares nas primeiras 24 horas após a infecção, bem como a uma diminuição no número de leucócitos infectados, indicando um papel protetor dos neutrófilos no sítio de infecção por Lic em camundongos BALB/c. Entretanto, nos dias subseqüentes, o número de leucócitos infectados nos camundongos depletados de neutrófilos tornou-se similar aos animais controle, evidenciando-se uma segunda onda de neutrófilos infectados com Lic no sétimo dia. Essa segunda onda de neutrófilos infectados que aparecem permanece a ser investigada. Por fim, os autores sugerem que o recrutamento de neutrófilos e a curta permanência dos parasitas nestas células podem ser relevantes para o desenvolvimento da forma não ulcerativa da leishmaniose.
Atualmente o papel dos neutrófilos na imunidade do hospedeiro e no desenvolvimento da infecção por Leishmania spp. tem sido bastante discutido, e estudos como este trazem um grande número de possibilidades a serem investigadas. Uma delas seria a investigação desse infiltrado inflamatório originado pela Lic através do modelo da picada, evidenciando o papel de componentes do vetor na resposta inflamatória inicial à infecção.
Thalhofer, C., Chen, Y., Sudan, B., Love-Homan, L., & Wilson, M. (2010). Leukocytes Infiltrate the Skin and Draining Lymph Nodes in Response to the Protozoan Leishmania infantum chagasi Infection and Immunity, 79 (1), 108-117 DOI: 10.1128/IAI.00338-10

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