sexta-feira, 13 de maio de 2011

Transmissão transplacentária de Leishmania infantum

Post de Rômulo Santiago (LIP/CPqGM-FIOCRUZ)

ResearchBlogging.orgA leishmaniose visceral zoonótica (ZVL) é um sério problema de saúde pública nos Estados Unidos, uma vez que: i) os cães são os reservatórios domésticos preferíveis para flebotomíneos, que transmitem a infecção por L. infantum a humanos, e ii) que a prevalência anual de animais PCR positivo para Leishmania tem crescido. A contenção desta doença está associada à eutanásia dos animais infectados e ao controle do vetor. Contudo, o meio de transmissão de L. infantum em cães da América do Norte, fora de regiões endêmicas, não era totalmente conhecido, sendo possível ocorrer via vertical/transplacentária e horizontal/venérea. Assim, para avaliar a possibilidade de transmissão placentrária e seu efeito sobre a resposta imune contra Leishmania, os autores deste estudo utilizaram-se de uma cadela grávida e infectada por L. infantum doada à Universidade Estadual de Iowa. Dos doze filhotes nascidos oito foram eutanasiados no pós-parto recente (24hs) e quatro após três meses, sendo avaliados quanto à presença de Leishmania através de PCR quantitativo para cinetoplasto de L. infantum (kqPCR) e histopatologia e a resposta imune através ensaio de proliferação celular. Dez dos doze filhotes apresentaram kqPCR positivo em vários tecidos indicando infecção disseminada, apesar de não apresentarem lesão macroscópica ou histológica. Além disso, todos apresentaram resposta imune proliferativa de célula T CD4+ específica para L. infantum. Deste modo, esta forma de transmissão poderia sustentar a infecção nesta população, colocando-se como um novo desafio para o controle da ZVL.


Boggiatto, P., Gibson-Corley, K., Metz, K., Gallup, J., Hostetter, J., Mullin, K., & Petersen, C. (2011). Transplacental Transmission of Leishmania infantum as a Means for Continued Disease Incidence in North America PLoS Neglected Tropical Diseases, 5 (4) DOI: 10.1371/journal.pntd.0001019

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